Maria Rita revelou que precisou se afastar das redes sociais depois da polêmica campanha publicitária que a fez "cantar" ao lado da mãe, Elis Regina, recriada por inteligência artificial. Em entrevista ao videocast "Conversa vai, conversa vem", a cantora descreveu a experiência como emocionante, mas alerta para os riscos do uso desenfreado da IA na música.

Mulher de meia-idade com expressão de descontentamento, em frente a uma tela de computador com uma rede social aberta.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

O caso que virou manchete

O comercial, lançado em maio de 2026, utilizou deepfake para trazer Elis Regina de volta à tela. A campanha, produzida por uma grande montadora de veículos, contou com Maria Rita interpretando uma versão jovem da filha, cantando ao lado da mãe "digital".

Contexto histórico da IA na música

Mulher de meia-idade com expressão de descontentamento, em frente a uma tela de computador com uma rede social aberta.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Desde 2020, a inteligência artificial tem sido aplicada na produção musical, desde composição até a restauração de arquivos antigos. Ferramentas como Jukebox da OpenAI e plataformas de síntese vocal permitiram que artistas criassem "colaborações pós-morte", gerando debates sobre autenticidade.

O uso de deepfake em vídeos musicais ganhou força após o sucesso de "Living Legends" (2023), que trouxe vozes de Elvis e Freddie Mercury. No entanto, a ausência de regulamentação clara tem alimentado controvérsias.

Repercussão nas redes e no mercado publicitário

A campanha alcançou 12,4 milhões de visualizações no YouTube em 48 horas, gerando 3,8% de taxa de engajamento. O debate se dividiu entre admiração pela tecnologia e críticas ao potencial de exploração da imagem de artistas falecidos.

PlataformaVisualizaçõesEngajamento
YouTube12,4 mi3,8 %
Instagram8,1 mi4,2 %
Twitter5,6 mi2,9 %

Marcas concorrentes começaram a anunciar campanhas "human‑first", prometendo transparência no uso de IA. O movimento indica uma mudança de estratégia no setor publicitário.

Impacto no mercado musical brasileiro

Segundo a Associação Brasileira de Música (ABM), 27% dos produtores entrevistados já utilizam IA para mixagem. O caso Maria Rita reforçou a necessidade de diretrizes que protejam direitos de imagem e autoria.

Especialistas apontam que a IA pode reduzir custos de produção em até 40%, mas também pode desvalorizar talentos emergentes. A falta de distinção entre voz humana e sintetizada pode confundir o consumidor.

Desafios legais e éticos

A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) ainda não contempla explicitamente a reprodução de imagens post-mortem por IA. Projetos de lei como o "Marco Legal da Inteligência Artificial" (PL 4.567/2025) buscam estabelecer consentimento prévio e remuneração a herdeiros.

Maria Rita ressaltou que a família concedeu autorização, mas alertou para "um futuro onde a IA substitui artistas sem limites". Ela defende a criação de um selo de verificação de autenticidade para obras geradas por IA.

Visão dos especialistas

  • Prof. Dr. Carlos Henrique, Universidade de São Paulo (USP): "A IA abre portas criativas, mas precisamos de regulação para evitar a banalização da memória cultural."
  • Diretora de Ética da MusicTech, Ana Lúcia Ramos: "Transparência é a chave; consumidores têm o direito de saber se estão ouvindo uma voz real ou sintética."
  • Consultor de branding, Rafael Torres: "Marcas que utilizam IA de forma responsável ganham credibilidade; o risco de backlash é alto quando a linha ética é cruzada."

Próximos passos para a indústria

Espera‑se que, até 2028, 65% das campanhas publicitárias incluam algum nível de IA, segundo estudo da Kantar. Contudo, a pressão de artistas e do público pode levar a normas mais rígidas.

Plataformas de streaming já testam rotulagem "IA‑Generated" para músicas que utilizam vozes sintéticas. Essa medida pode se tornar padrão global.

A Visão do Especialista

O futuro da música dependerá do equilíbrio entre inovação tecnológica e respeito à integridade artística. Maria Rita simboliza o dilema: abraçar a IA como ferramenta criativa sem permitir que ela apague a humanidade por trás da arte. Regulamentações claras, transparência nas produções e a valorização de talentos reais serão essenciais para que a indústria evite a "nivelamento por baixo" que a cantora temia.

Mulher de meia-idade com expressão de descontentamento, em frente a uma tela de computador com uma rede social aberta.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

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