A minissérie "Brasil 70: A Saga do Tri", lançada pela Netflix em 29 de maio de 2026, revive um dos capítulos mais gloriosos da história do futebol brasileiro. A produção, criada por Naná Xavier e Rafael Dornellas, mergulha nos bastidores da lendária conquista da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México. Considerada por muitos a melhor equipe a pisar em um gramado, aquela seleção foi liderada por ícones como Pelé, Tostão, Jairzinho, Gérson e Carlos Alberto Torres. Mas como foi o processo de dar vida a esses gigantes do futebol em uma produção dramatizada?
Recriando lendas: o desafio de interpretar mitos
Trazer para a tela a essência de jogadores que transcenderam o esporte foi um trabalho que exigiu mais do que apenas semelhança física. Lucas Agrícola, que interpreta Pelé, destacou a complexidade de encarnar o "Rei do Futebol". "Eu precisava ir além da imitação que todo brasileiro faz do Pelé. Foi preciso me aprofundar no que ele sentiu em 1970, especialmente com o peso das lesões nas Copas anteriores", explicou o ator. O resultado? Uma atuação que busca traduzir não apenas o atleta, mas o homem por trás da lenda.
Zagallo: a mente tática e emocional do título
O técnico Mario Jorge Lobo Zagallo, que assumiu a seleção após a polêmica saída de João Saldanha, foi interpretado por Bruno Mazzeo. Apesar de ser mais conhecido por papéis cômicos, Mazzeo trouxe uma abordagem complexa para o "Velho Lobo". Ele destacou o lado folclórico de Zagallo, famoso por seu apego ao número 13 e às superstições, mas também mergulhou nos desafios emocionais enfrentados pelo técnico. Como ex-jogador, Zagallo já era bicampeão mundial, o que aumentava a pressão para que ele correspondesse às expectativas táticas e emocionais da nação.
O papel dos coadjuvantes no campo e na tela
Se Pelé e Zagallo foram os nomes mais lembrados, a série também dá espaço para outros personagens fundamentais na trajetória do tri. Ravel Andrade, que vive Tostão, destacou a relação próxima entre o camisa 9 e Pelé. "Eles eram mais do que companheiros de equipe; eram confidentes", disse o ator, que mergulhou em um intenso processo de pesquisa para entender a dinâmica entre os dois craques.
Outro personagem crucial foi o goleiro Félix, vivido por Hugo Haddad. Muitas vezes criticado, Félix enfrentou uma pressão enorme na época. "O goleiro é o último bastião da defesa; quando algo dá errado, ele carrega o peso", explicou Haddad, que precisou aprender a recriar os icônicos movimentos do arqueiro para as filmagens.
Jairzinho, o furacão de 1970
Responsável por marcar gols em todos os jogos da Copa de 1970, Jairzinho foi interpretado por Gui Ferraz, que capturou a essência do eterno "Furacão". "Ele era a alma leve e sorridente do time. Nos bastidores, Jairzinho trazia alegria e confiança, contagiando os colegas. Foi um privilégio viver alguém tão emblemático e positivo", comentou Ferraz.
O "Capita" e a liderança em campo
Carlos Alberto Torres, o eterno capitão, foi outro destaque da série. Interpretado por Caio Cabral, o "Capita" exigiu uma preparação minuciosa não apenas em termos de gestos e postura, mas também na compreensão de seu papel como líder. "Ele não era apenas um jogador; era o elo que unia o time dentro e fora de campo. Reproduzir sua energia e liderança foi um dos maiores desafios da minha carreira", revelou Cabral.
O maestro e a canhota de ouro
Gérson, o "Canhotinha de Ouro", foi o cérebro daquela seleção, e sua importância tática não passou despercebida na minissérie. Interpretado por Fillipe Soutto, o jogador foi apresentado como o maestro que ditava o ritmo do time. Soutto comentou sobre a responsabilidade de retratar alguém tão icônico: "Foi um processo intenso, tanto na parte de atuação quanto na técnica futebolística. Espero que o resultado tenha feito jus ao que ele representou."
Contexto histórico: O impacto da Copa de 1970
A Copa do Mundo de 1970 ocorreu em um momento político complicado para o Brasil. Em plena ditadura militar, a conquista do tri foi usada como ferramenta de propaganda pelo regime. Porém, isso não diminui o feito esportivo: o Brasil foi o primeiro país a conquistar três títulos mundiais, garantindo a posse definitiva da Taça Jules Rimet, que simbolizava a supremacia no futebol.
A equipe de 1970 é frequentemente citada como um marco na história tática do futebol. O esquema 4-2-4, adaptado por Zagallo para um 4-3-3 mais dinâmico, permitiu que craques como Pelé, Jairzinho e Tostão brilhassem. A combinação de habilidade técnica individual e um esquema coletivo fluido é até hoje estudada como modelo de jogo ofensivo.
O impacto contemporâneo de "Brasil 70"
Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, "Brasil 70: A Saga do Tri" chega em um momento oportuno. A minissérie não é apenas uma celebração da história, mas também uma tentativa de apresentar a grandeza daquela geração a um público mais jovem. "Muitos da geração Z cresceram vendo o Brasil longe da glória nas Copas, então tivemos a missão de resgatar esse orgulho e mostrar como aquela equipe foi única", explicou Naná Xavier, uma das criadoras da série.
A Visão do Especialista
"Brasil 70" não é apenas uma série, mas uma aula de história e tática para os amantes do futebol. O trabalho de pesquisa e preparação dos atores para encarnar ícones como Pelé e Zagallo é digno de aplausos, e a minissérie cumpre seu papel de reviver a magia do tri para uma nova geração. A produção reflete não apenas a excelência daquela seleção em campo, mas também os desafios emocionais e políticos enfrentados por seus protagonistas.
Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, a série surge como um lembrete poderoso de que o Brasil já foi o epicentro do futebol mundial. Talvez, ao revisitar a história com "Brasil 70", possamos nos inspirar a recuperar a essência que transformou a camisa canarinho em um símbolo de excelência e paixão.
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