Uma tragédia abalou a cidade de Mirassol, no interior de São Paulo, após uma adolescente de 12 anos morrer devido a um acidente em uma piscina. Laura Pereira Camargo, que estava na casa de uma amiga no bairro Jardim Marilu, teve o cabelo preso no ralo da piscina e ficou submersa por cerca de 10 minutos. Apesar dos esforços para reanimá-la, a jovem não resistiu e faleceu no domingo, 19 de abril de 2026.

O que aconteceu no dia do acidente?

O incidente ocorreu na tarde de sexta-feira, 17 de abril, durante um momento de lazer. Laura foi retirada da piscina já em parada cardiorrespiratória e recebeu os primeiros socorros no local por uma equipe do Corpo de Bombeiros. Em seguida, foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mirassol e posteriormente transferida para o Hospital da Criança e Maternidade de Rio Preto, onde permaneceu internada por dois dias.

De acordo com informações médicas, a jovem sofreu disfunção múltipla de órgãos e sistemas devido ao tempo prolongado de submersão, que levou à insuficiência de oxigênio no corpo. O óbito foi confirmado no domingo, às 18h30.

Por que acidentes com ralos de piscina são tão perigosos?

Os ralos de piscina podem gerar um efeito de sucção perigoso, especialmente em casos onde há falhas de segurança, como a ausência de tampas adequadas ou sistemas de alívio de pressão. O cabelo, roupas ou até mesmo partes do corpo podem ficar presos, dificultando ou impedindo que a pessoa consiga se soltar.

Esse tipo de acidente, conhecido como "entrampamento de piscina", pode levar a situações de afogamento em poucos minutos. Segundo a Consumer Product Safety Commission (CPSC), órgão regulador dos Estados Unidos, cerca de 85% dos casos de entrampamento envolvem crianças e estão diretamente relacionados a falhas de design ou manutenção dos sistemas de drenagem.

Quais são as normas de segurança para piscinas no Brasil?

No Brasil, a ABNT NBR 10339 estabelece normas de segurança para projetos, execução e manutenção de piscinas, incluindo sistemas de sucção e drenagem. Entre as exigências, destacam-se:

  • Uso de tampas de ralo antiaprisionamento;
  • Instalação de sistemas de alívio de pressão para evitar a sucção excessiva;
  • Manutenção regular dos equipamentos para garantir o funcionamento seguro.

Embora a norma seja de conhecimento técnico, sua aplicação nem sempre é fiscalizada de forma rigorosa, especialmente em piscinas particulares.

O que pode ser feito para evitar acidentes como este?

Especialistas em segurança aquática recomendam uma série de medidas preventivas para evitar casos de entrampamento em piscinas:

  • Instalar grades ou tampas de ralos certificadas e resistentes ao aprisionamento;
  • Equipar a piscina com sistemas de desligamento automático da bomba de sucção;
  • Supervisionar constantemente crianças durante o uso da piscina;
  • Educar os usuários sobre os riscos associados a ralos e sistemas de drenagem.

A vigilância constante e a adequação às normas de segurança são fundamentais para prevenir tragédias como a de Laura.

Repercussão e comoção social

O caso gerou grande comoção na comunidade local e nas redes sociais. Diversos pedidos de oração foram publicados durante os dias em que Laura esteve internada. A jovem era aluna do Centro Educacional Arca de Noé, em Mirassol, onde seu velório será realizado no dia 21 de abril.

Além disso, sua família é amplamente conhecida na região, sendo seu pai e avô diáconos da igreja Congregação Cristã do Brasil. A tragédia reacende o debate sobre a necessidade de maior conscientização e fiscalização em relação à segurança em piscinas.

Casos semelhantes no Brasil e no mundo

Infelizmente, acidentes como este não são isolados. Em 2017, um caso semelhante ocorreu em Goiânia, quando uma garota de 10 anos morreu ao ter os cabelos presos no ralo de uma piscina em um clube. Nos Estados Unidos, a CPSC relatou mais de 80 incidentes de entrampamento entre 1999 e 2023, com cerca de 28 fatalidades confirmadas.

Esses dados reforçam a urgência de implementar medidas de segurança mais rigorosas e realizar campanhas educativas para prevenir novos acidentes.

A Visão do Especialista

Casos como o de Laura Pereira Camargo são tragédias evitáveis que expõem falhas em sistemas de segurança e na conscientização da população. É crucial que proprietários de piscinas, sejam públicas ou privadas, adotem as normas de segurança estabelecidas e realizem manutenções periódicas nos equipamentos.

Além disso, políticas públicas que garantam fiscalização efetiva e campanhas de educação sobre segurança aquática são indispensáveis para reduzir o número de acidentes fatais. Prevenir é sempre o melhor caminho, e cabe a todos — desde gestores públicos até os cidadãos — adotar medidas que garantam a segurança de nossas crianças e adolescentes.

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