A alta de 14% no diesel S‑10 em março coloca o governo sob pressão para aprovar o subsídio antes do fim da semana.

O preço médio do diesel comum chegou a R$ 6,923 por litro, o maior patamar desde agosto de 2022. Esse salto reflete a valorização do petróleo Brent acima de US$ 100.

Transportadoras, agronegócio e o bolso do consumidor sentem o peso desse aumento. Cada litro a mais encarece o frete e alimenta a inflação.

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O que está por trás da escalada dos preços?

Posto de gasolina com preço do diesel em alta e manifestação de caminhoneiros ao fundo.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

O conflito no Oriente Médio e a tensão no Estreito de Ormuz elevaram a volatilidade do mercado internacional. O Brent rompeu a barreira dos US$ 100 ao longo de março, arrastando os custos de importação.

Dados da Veloe, com apoio da Fipe, confirmam a pressão sobre os combustíveis.

    Posto de gasolina com preço do diesel em alta e manifestação de caminhoneiros ao fundo.
    Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução
  • Diesel S‑10: +14% em março, preço médio R$ 7,065/L
  • Diesel comum: +12,9%, preço médio R$ 6,923/L
  • Reajuste da Petrobras: R$ 0,38/L repassado integralmente ao consumidor

O reajuste de R$ 0,38 por litro, anunciado em meados de março, foi o gatilho imediato da alta. A estatal repassou integralmente o aumento do preço do petróleo.

Em resposta, o governo propõe um subsídio de R$ 1,20 por litro ao ICMS do diesel importado. A ideia é dividir o custo: R$ 0,60 por parte da União e R$ 0,60 pelos estados.

A medida teria validade até o final de maio, buscando amortecer o impacto sobre o frete. A MP deve ser publicada até 7 de abril.

Como funciona o programa de subvenção?

A ANP habilitou cinco empresas para a primeira fase do programa. Petrobras, Sea Trading, Midas Distribuidora, Refinaria de Mataripe e Sul Plata Trading atenderam aos requisitos.

Distribuidoras como Ipiranga, Raizen e Vibra ainda não aderiram. O prazo de inscrição para a segunda fase vai até 30 de abril.

Entre os estados, Rio de Janeiro e Rondônia recusaram a participação. A falta de adesão estadual compromete a divisão do subsídio.

Especialistas avaliam o custo‑benefício fiscal da medida. O gasto estimado da União chega a R$ 5,5 bi, enquanto o alívio ao frete pode gerar economia de até R$ 3,2 bi para o setor de transportes.

Qual o cenário para os próximos meses?

Enquanto o Brent permanecer acima de US$ 100, a pressão sobre o diesel deve se manter. Fatores como logística interna, taxa de câmbio e política de preços da Petrobras continuam críticos.

Analistas apontam que o subsídio tem efeito limitado no preço nas bombas. A oferta reduzida e a resistência das grandes distribuidoras podem neutralizar o benefício.

O debate entre eficiência imediata e sustentabilidade fiscal segue aberto. Se o apoio estatal não cobrir a diferença de preço, o mercado pode reagir com menor importação e maior volatilidade.

Posto de gasolina com preço do diesel em alta e manifestação de caminhoneiros ao fundo.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

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