O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, anunciou, na última terça-feira (2 de junho de 2026), a proposta de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre produtos importados de 59 países, incluindo o Brasil. A medida foi justificada pela conclusão de investigações realizadas pela USTR (Representante Comercial dos EUA), que alegam insuficiência de medidas contra o uso de trabalho forçado em cadeias produtivas nos países listados.

Representantes dos EUA discutem possibilidade de imposição de tarifa adicional ao Brasil por suposto trabalho forçado.
Fonte: www.poder360.com.br | Reprodução

O que é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974?

A proposta de tarifas adicionais foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um mecanismo que permite aos Estados Unidos investigar e responder a práticas comerciais de outros países consideradas desleais ou prejudiciais para os interesses norte-americanos. Desde o início de sua gestão, o presidente Donald Trump intensificou o uso dessa ferramenta, inserindo-a em diversas disputas comerciais, especialmente no contexto da política "América Primeiro".

Por que o Brasil está envolvido?

De acordo com a USTR, o Brasil, assim como outros 58 países e regiões, incluindo a União Europeia, não teria implementado medidas suficientes para combater o trabalho forçado em suas cadeias produtivas. Conforme o relatório, essas práticas gerariam uma distorção competitiva, reduzindo os custos de produção em mercados externos e colocando os fabricantes norte-americanos em desvantagem comercial.

Quais produtos serão afetados?

Ainda não foram divulgados os detalhes sobre quais produtos brasileiros poderão ser atingidos. No entanto, a lista de bens sujeita a tarifas adicionais abrange produtos importados de setores variados, exceto alguns considerados estratégicos, como medicamentos, energia e minerais essenciais, que poderão ser isentos da medida. A decisão final será precedida por uma audiência pública, agendada para julho de 2026.

As tarifas adicionais: como funcionam?

A proposta sugere tarifas de 10% para parceiros comerciais mais próximos, como Canadá, União Europeia, México e Reino Unido, enquanto países como o Brasil podem enfrentar uma taxa de 12,5%. Essas porcentagens seriam aplicáveis a bens importados e representam um aumento significativo nos custos para exportadores brasileiros que desejam acessar o mercado norte-americano.

O impacto no comércio bilateral Brasil-EUA

Os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Segundo dados do Ministério da Economia, em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 36 bilhões para os EUA, com destaque para produtos como aço, carne bovina e produtos agrícolas. A imposição de tarifas adicionais pode reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, impactando negativamente o setor exportador e setores dependentes do comércio exterior.

Os desdobramentos internacionais

A proposta da USTR gerou preocupações entre os países afetados, incluindo membros da União Europeia e economias emergentes. Autoridades europeias já manifestaram a intenção de buscar um diálogo com os EUA para evitar a implementação das tarifas. Em paralelo, o Brasil, por meio do Itamaraty, informou que está analisando o relatório e buscará defender os interesses nacionais nos fóruns competentes.

O que dizem os especialistas?

Especialistas em comércio internacional destacam que a medida pode ser parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para pressionar parceiros comerciais a adotar padrões mais rígidos relacionados a direitos trabalhistas. No entanto, alertam para possíveis retaliações por parte dos países afetados, o que poderia gerar uma escalada de tensões comerciais.

Consulta pública e os próximos passos

O governo norte-americano anunciou que abrirá uma fase de consulta pública até o dia 6 de julho de 2026. Durante esse período, empresas, governos estrangeiros e outras partes interessadas poderão enviar comentários sobre a proposta de tarifas. Além disso, será organizada uma audiência pública para debater a questão antes da decisão final sobre a implementação da medida.

Histórico de medidas comerciais entre EUA e Brasil

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos já passou por momentos de tensão nos últimos anos. Em 2018, os EUA impuseram uma tarifa de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, afetando de forma significativa as exportações brasileiras desses produtos. Desde então, as negociações entre os dois países têm oscilado entre momentos de cooperação e discordância.

O papel do trabalho forçado no comércio internacional

O combate ao trabalho forçado tem ganhado destaque na agenda global. Organizações como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que cerca de 27,6 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitas a condições de trabalho forçado. Muitos países, incluindo os EUA, têm adotado medidas para impedir que produtos originados dessas práticas entrem em seus mercados.

Reações do setor privado

Empresas exportadoras brasileiras demonstraram preocupação com a medida, temendo perdas de receita e maior dificuldade para competir no mercado norte-americano. Por outro lado, alguns analistas apontam que a proposta pode incentivar o fortalecimento de práticas de compliance e auditoria nas cadeias produtivas.

Outras ações da administração Trump

Desde que retornou ao cargo em 2025, o presidente Donald Trump tem reforçado políticas protecionistas, buscando equilibrar a balança comercial dos Estados Unidos. Além da questão do trabalho forçado, outros temas, como subsídios agrícolas e políticas ambientais, também têm sido alvo de investigações e possíveis restrições.

A Visão do Especialista

A proposta de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros marca mais um capítulo na complexa relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Para especialistas, o Brasil deve priorizar a defesa de sua posição em fóruns internacionais, como a OMC (Organização Mundial do Comércio), e reforçar as ações internas voltadas ao combate ao trabalho forçado. O desfecho dessa medida pode ter implicações significativas para o comércio global, indicando um endurecimento das políticas comerciais norte-americanas.

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