Brasil será um dos menos afetados pelo tarifaço, segundo Marcos Troyjo. Em entrevista ao Poder360, o ex‑presidente do Banco dos BRICS explicou que apenas 15% do valor das exportações brasileiras destinadas aos EUA está sujeito às novas tarifas, limitando o impacto ao bolso do consumidor.

Contexto histórico do tarifaço

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O "tarifaço" surgiu como resposta dos EUA a supostos desvios de comércio. A partir de julho de 2026, o USTR (Office of the United States Trade Representative) anunciou aumentos de 10% a 12,5% sobre produtos de 85 países, além das tarifas de 25% já aplicadas a alguns setores brasileiros.

Quem é Marcos Troyjo?

Economista e ex‑presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Troyjo tem visão estratégica do comércio exterior. Sua experiência no Ministério da Economia e no Banco dos BRICS lhe confere autoridade para analisar o efeito das medidas americanas sobre a balança comercial brasileira.

O peso das exportações brasileiras nos EUA

O Brasil responde por pouco mais de 1% das compras americanas. Em 2025 exportou US$ 39,9 bi, posição 17 no ranking dos 20 maiores fornecedores, e em janeiro‑maio de 2026 manteve a mesma colocação com US$ 13,9 bi.

AnoExportação Brasil (US$ bi)Participação nas importações EUA (%)
202539,91,2
Jan‑Mai 202613,9≈1,0

Impacto financeiro estimado

O custo direto das tarifas corresponde a cerca de US$ 6 bi. Isso representa 1,7% das exportações totais brasileiras e apenas 0,22% do PIB nominal, um efeito marginal para a economia e, consequentemente, para o consumidor.

Comparação com outros grandes exportadores

Países como México, China e Alemanha sentem impacto muito maior. O México, por exemplo, tem mais de 10% de suas exportações para os EUA sujeitas a tarifas, o que eleva o risco de perda de competitividade.

Setores mais e menos vulneráveis

Produtos industriais brasileiros têm taxa efetiva de 0,5%, enquanto agrícolas chegam a 11,8%. Assim, commodities como café e carne bovina enfrentam maior pressão tarifária, embora muitas estejam isentas por exceções específicas.

Tarifas efetivas e custo‑benefício

A tarifa média paga pelo Brasil para acessar seus principais mercados é de 4,4%. Quando comparada ao ganho de acesso ao mercado norte‑americano, o custo adicional das novas tarifas se mostra relativamente baixo.

Simulação de 15% de exportações afetadas

Mesmo sob a hipótese conservadora de 15% de volume tarifado, o impacto permanece pequeno. A projeção indica US$ 6 bi de exportações atingidas, valor que pode ser absorvido por margens de lucro e ajustes de preços.

Oportunidades de diversificação

Reduzir a dependência dos EUA abre espaço para novos mercados. Investimentos em acordos com a UE, Mercosul avançado e países da Ásia‑Pacífico podem melhorar a estrutura de exportação e proteger o bolso do exportador.

Riscos de novas medidas

Washington ainda não divulgou a lista final de exceções. Caso sejam incluídos mais produtos agrícolas ou industriais, o cenário pode mudar, exigindo monitoramento constante das políticas comerciais.

Estrategias de mitigação para empresas

Hedge cambial e revisão de cadeias de suprimentos são ferramentas essenciais. Empresas que adotarem proteção contra volatilidade do dólar e buscarem fornecedores alternativos reduzirão o efeito das tarifas no preço final ao consumidor.

Resumo dos principais pontos

  • Brasil ocupa 17ª posição entre os maiores exportadores para os EUA.
  • Tarifas afetam apenas 15% do valor das exportações brasileiras.
  • Impacto estimado: US$ 6 bi, 0,22% do PIB.
  • Setores industriais menos vulneráveis que o agrícola.
  • Oportunidade de diversificar mercados e reduzir risco cambial.

A Visão do Especialista

O cenário indica que o "tarifaço" tem efeito limitado sobre o bolso brasileiro. Para consumidores, a consequência será mínima, já que os aumentos de preço serão absorvidos nas margens de exportadores ou compensados por acordos comerciais. Entretanto, empresas devem permanecer vigilantes, adotando estratégias de hedge e buscando novos destinos para manter a competitividade a longo prazo.

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