Em 20 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que reduz a Floresta Nacional do Jamanxim de 1,302,000 para 814,000 hectares, convertendo os 488,000 hectares restantes em Área de Proteção Ambiental (APA). A medida, relatada por José Priante (MDB), segue para o Senado e já gera debate intenso entre ambientalistas, agricultores e investidores.

Contexto histórico da Floresta Nacional do Jamanxim

Criada em 2006, a Floresta Nacional do Jamanxim foi estabelecida para preservar biodiversidade e regular o uso sustentável da terra. Localizada em Novo Progresso, Pará, a unidade integra a estratégia nacional de conservação da Amazônia, sendo administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Detalhes do projeto aprovado pela Câmara

O texto legislativo propõe a recategorização de áreas já ocupadas antes de 2006, permitindo regularização fundiária e atividades econômicas típicas de APAs. A mudança não elimina a proteção, mas altera o regime jurídico da porção recategorizada.

Situ açãoÁrea (ha)Tipo de proteção
Floresta Nacional (antes)1,302,000Uso restrito, preservação integral
Floresta Nacional (após)814,000Uso sustentável, controle rigoroso
APA resultante488,000Uso econômico permitido, manejo sustentável

Implicações ambientais: desmatamento e emissões de CO₂

Especialistas estimam que a redução de proteção pode gerar até 130,000 hectares de desmatamento adicional nos próximos dez anos. Isso corresponderia a aproximadamente 67 milhões de toneladas de CO₂, comprometendo metas do Acordo de Paris e o Plano Nacional sobre Mudança do Clima.

Estimativas de desmatamento

Modelos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam para um aumento de 12% na taxa de desmatamento anual na zona de transição entre a Floresta e a APA. O cenário inclui expansão de pastagens, extração de madeira e, potencialmente, mineração artesanal.

Riscos de regularização fundiária e grilagem

A recategorização cria um caminho legal para a regularização de ocupações informais, favorecendo a grilagem de terras públicas. Organizações como a Transparência Internacional alertam que a medida pode enfraquecer mecanismos de controle fundiário e incentivar conflitos agrários.

Posicionamento dos parlamentares e da sociedade civil

Marina Silva (Rede-SP) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) denunciaram a proposta como "retrocesso ambiental" e "potencial gerador de 67 milhões de toneladas de CO₂". Enquanto isso, Pedro Lupion (Republicanos-PR) celebrou a aprovação como "impulso ao desenvolvimento regional".

Análise econômica: impactos no agronegócio e no mercado de commodities

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a APA pode atrair investimentos de até R$ 3 bilhões em agroindústria nos próximos cinco anos. Contudo, analistas de risco apontam que a incerteza regulatória pode elevar o custo de capital para projetos de mineração e agronegócio.

Repercussão internacional e compromissos climáticos

Organizações como o WWF e o Fundo Monetário Internacional (FMI) já sinalizaram preocupação com a medida, vinculando-a a possíveis sanções de financiamento climático. O Brasil pode enfrentar pressões nas negociações do COP28, onde a preservação da Amazônia é pauta central.

Perspectivas para o Senado e possíveis contrapartidas

O Senado ainda deve analisar emendas que poderiam limitar a extensão da APA ou impor compensações ambientais. Propostas incluem a criação de corredores ecológicos e o fortalecimento de monitoramento via satélite.

Cenário futuro para a conservação da Amazônia

Se a APA for efetivamente implementada sem mecanismos de fiscalização robustos, a tendência é de aumento da pressão sobre áreas adjacentes ainda protegidas. O equilíbrio entre desenvolvimento econômico e conservação dependerá de políticas integradas de uso da terra e de incentivos a práticas sustentáveis.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista científico, a redução da Floresta Nacional do Jamanxim representa um ponto crítico que pode comprometer a resiliência ecológica da região. Recomendo que o Senado exija estudos de impacto ambiental independentes, estabeleça metas de recomposição florestal e vincule a aprovação a compromissos claros de redução de emissões. Só assim será possível conciliar desenvolvimento regional com a responsabilidade climática.

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