Anvisa intensifica a fiscalização de canetas emagrecedoras manipuladas e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) pede a proibição total da manipulação. O anúncio, divulgado em 09/04/2026, visa conter riscos associados ao uso de tirzepatida e semaglutida fora das normas.
Canetas à base de tirzepatida e semaglutida são agonistas GLP‑1 que reduzem o peso corporal. Apesar da eficácia clínica, a falta de controle na produção pode gerar doses inadequadas e efeitos adversos.
De 11 farmácias de manipulação inspecionadas, oito foram interditadas por falhas graves.
- Armazenamento fora da temperatura recomendada;
- Risco de contaminação microbiológica;
- Ausência de rastreabilidade do lote.
Por que a manipulação representa risco?
Medicamentos manipulados podem apresentar variações de concentração que comprometem a segurança do paciente. A ausência de padrões de qualidade aumenta a probabilidade de reações adversas.
Rótulos incompletos dificultam a identificação do fornecedor e do médico responsável. A SBEM propõe que a etiqueta contenha: nome do fornecedor, endereço do paciente e CRM do prescritor.
Somente uma empresa farmacêutica está autorizada a comercializar tirzepatida no Brasil. A manipulação é permitida apenas para ajustes de dose que não são oferecidos pela fabricante.
O que dizem os especialistas?
Neuton Dornelas, presidente da SBEM, alerta que "os riscos estão aumentando" com a prática de manipulação. Ele defende a proibição até que novos fornecedores cheguem ao mercado.
Estudos recentes apontam aumento de casos de pancreatite aguda ligados ao uso de canetas não regulamentadas. Dados da Anvisa mostram um crescimento de 27 % em relatos de complicações gastrointestinais nos últimos seis meses.
A exposição a medicamentos de procedência incerta eleva custos hospitalares e sobrecarrega o sistema de saúde. Internações por complicações evitáveis podem chegar a R$ 12 milhões por ano.
Quais são as próximas medidas da Anvisa?
A agência deve publicar, nos próximos dias, normas detalhadas para a rotulagem dos produtos manipulados. A proposta inclui código de barras, data de validade e informações de rastreabilidade.
Existe a possibilidade de decretar a proibição total da manipulação de tirzepatida e semaglutida. Caso aprovada, a medida será acompanhada de sanções administrativas e multas para estabelecimentos infratores.
Profissionais de saúde são orientados a prescrever as canetas apenas quando houver indicação clínica comprovada. Pacientes devem ser informados sobre os riscos de adquirir medicamentos de fontes não certificadas.
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