No último ano, os sete municípios que compõem a região do Grande ABC registraram um total de 537 internações hospitalares causadas por crises de asma, o que equivale a uma média de 45 admissões por mês. Esse dado alarmante, divulgado em 06 de maio de 2026, no Dia Mundial de Combate à Asma, destaca a gravidade da doença respiratória e a necessidade de intensificar ações de conscientização e prevenção.

O que é a asma e por que ela preocupa?
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Caracteriza-se por episódios recorrentes de falta de ar, chiado no peito, tosse e aperto no tórax. A gravidade das crises pode variar de leve a potencialmente fatal, exigindo internações hospitalares quando não há controle adequado.
Embora seja uma condição tratável, a asma não tem cura definitiva. O controle eficaz depende de diagnóstico precoce, tratamento contínuo e a eliminação de fatores desencadeantes, como poluição do ar, alérgenos e infecções respiratórias.
Por que o Grande ABC é um foco de atenção?
A região do Grande ABC, composta pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, é historicamente marcada por intensa atividade industrial e altos índices de poluição. A qualidade do ar é um fator crucial na incidência de doenças respiratórias, especialmente em áreas urbanizadas e densamente povoadas.
Além disso, questões socioeconômicas também influenciam os números. A desigualdade no acesso a serviços de saúde, medicamentos e educação em saúde é um fator que contribui para o agravamento das condições respiratórias de muitas famílias na região.
O impacto da poluição do ar na saúde respiratória
O ar poluído, carregado de partículas finas e substâncias químicas tóxicas, é um dos maiores vilões para quem sofre de asma. Estudos demonstram que a exposição prolongada a poluentes aumenta significativamente o risco de crises asmáticas, especialmente em crianças e idosos.
Segundo o Instituto de Pesquisas Ambientais de São Paulo, o índice de partículas inaláveis (PM2.5) no Grande ABC frequentemente ultrapassa os limites recomendados pela OMS. Esses poluentes não apenas exacerbam a asma, mas também estão associados a outras doenças respiratórias e cardiovasculares.
Perfil das internações: quem são os mais afetados?
Dados do levantamento apontam que crianças e idosos representam os grupos mais vulneráveis às crises de asma que levam à hospitalização. Isso porque o sistema imunológico dessas faixas etárias é mais suscetível a infecções e inflamações.
Além disso, pessoas com comorbidades, como obesidade, rinite alérgica e doenças cardiovasculares, apresentam maior risco de complicações. A falta de adesão ao tratamento contínuo também é apontada como um dos principais fatores para o aumento das crises graves.
Os custos sociais e econômicos das internações
O impacto da asma vai além da saúde individual. As internações frequentes sobrecarregam os sistemas públicos de saúde, demandando recursos significativos. Estudos recentes estimam que os custos diretos e indiretos relacionados à asma no Brasil ultrapassem R$ 1 bilhão por ano, considerando despesas médicas e perda de produtividade.
No Grande ABC, esses custos podem ser ainda mais elevados devido à alta densidade populacional e à infraestrutura hospitalar limitada em algumas áreas.
Como prevenir e controlar a asma?
Embora a asma seja uma condição crônica, é possível reduzir significativamente o número de crises por meio de medidas preventivas e de manejo adequado. As principais recomendações incluem:
- Manter a adesão ao tratamento prescrito por um médico, incluindo o uso regular de medicamentos de controle.
- Evitar a exposição a alérgenos, como poeira, ácaros, mofo e pelos de animais.
- Reduzir o contato com poluentes ambientais, como fumaça de cigarro e poluição do ar.
- Vacinar-se contra gripes e outras infecções respiratórias.
- Praticar exercícios físicos moderados, com orientação médica, para melhorar a capacidade pulmonar.
O papel das políticas públicas na redução das crises
As autoridades de saúde têm um papel crucial na mitigação dos impactos da asma. Iniciativas como campanhas de conscientização, melhoria na qualidade do ar e ampliação do acesso a medicamentos são fundamentais para diminuir o número de internações.
Em 2025, o Ministério da Saúde lançou o programa "Respire Melhor", focado em oferecer tratamento gratuito para asmáticos no Sistema Único de Saúde (SUS) e em monitorar a qualidade do ar em áreas críticas. No entanto, desafios como a falta de recursos e a burocracia ainda limitam a eficácia dessas ações.
A importância do Dia Mundial de Combate à Asma
Comemorado anualmente na primeira terça-feira de maio, o Dia Mundial de Combate à Asma é uma oportunidade para reforçar a conscientização sobre a doença e destacar a importância do tratamento contínuo. A informação é uma poderosa aliada para evitar complicações e salvar vidas.
Especialistas enfatizam que a educação em saúde deve ser uma prioridade, tanto para pacientes quanto para profissionais da área, a fim de promover o diagnóstico precoce e o manejo adequado da asma.
A Visão do Especialista
Os dados sobre as internações por asma no Grande ABC são um alerta urgente para a necessidade de ações coordenadas entre poder público, profissionais de saúde e a sociedade civil. É fundamental investir em políticas que combinem monitoramento ambiental, educação em saúde e acesso a tratamentos de qualidade.
Além disso, indivíduos diagnosticados com asma devem adotar uma abordagem proativa para o controle da doença, seguindo as orientações médicas e evitando fatores de risco. Como sociedade, precisamos reconhecer que respirar não deveria ser um privilégio, mas um direito básico, e trabalhar coletivamente para garantir que isso seja uma realidade para todos.
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