O uso excessivo de telas tem provocado mudanças significativas no comportamento estético e funcional das pessoas. Com o aumento das videochamadas, reuniões online e exposições constantes à própria imagem por meio de câmeras digitais, muitos começaram a notar mais detalhes sobre seu rosto, especialmente na região dos olhos. Essa conscientização tem levado a um aumento expressivo na procura pela blefaroplastia, cirurgia plástica nas pálpebras, tanto por motivos estéticos quanto funcionais.
O que é a blefaroplastia e por que ela está em alta?
A blefaroplastia é um procedimento cirúrgico que visa corrigir imperfeições ao redor dos olhos, como excesso de pele nas pálpebras superiores, bolsas de gordura na região inferior e até mesmo alterações funcionais que podem interferir no campo de visão. Apesar de já ser uma cirurgia popular, nos últimos anos ela se tornou a mais realizada no mundo, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps).
Em 2024, foram realizados mais de 2,1 milhões de procedimentos, um aumento de 13,4% em relação ao ano anterior. No Brasil, essa tendência também é evidente: somente em 2024, o país realizou 231.293 cirurgias de pálpebras, consolidando-se como líder global em cirurgias plásticas estéticas.
O impacto do "efeito Zoom"
Especialistas apontam o chamado "efeito Zoom" como um dos principais fatores para a crescente busca pela blefaroplastia. A pandemia e o consequente aumento das atividades remotas expuseram as pessoas a suas próprias imagens durante longos períodos, muitas vezes em ângulos e iluminações desfavoráveis.
Segundo o cirurgião plástico Juliano Pereira, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), "a exposição constante às telas causa um olhar fixo, que acentua a sensação de cansaço. Além disso, em lives e reuniões online, não temos o controle dos ângulos e da iluminação, o que faz com que as imperfeições faciais, como o excesso de pele nas pálpebras, sejam mais evidentes".
Além da estética: os impactos funcionais
Embora a busca pela blefaroplastia seja amplamente associada a motivos estéticos, a cirurgia também desempenha um papel importante na melhoria da funcionalidade ocular. O excesso de pele nas pálpebras pode comprometer o campo de visão, gerar desconforto e até mesmo prejudicar tarefas cotidianas, como dirigir ou ler.
De acordo com especialistas, a cirurgia pode aliviar sintomas como sensação de peso nos olhos, dores de cabeça causadas por esforço visual e cansaço crônico. "A blefaroplastia, nesses casos, não é apenas uma questão de estética, mas uma forma de melhorar a qualidade de vida", explica Juliano Pereira.
O papel da fadiga visual no aumento das cirurgias
O uso prolongado de telas também está diretamente relacionado ao aumento da fadiga visual. Olhar para monitores por longos períodos pode causar ressecamento ocular, cansaço nos músculos dos olhos e até mesmo dor de cabeça. Essa fadiga pode agravar a percepção de alterações estéticas na região ocular, como olheiras e bolsas sob os olhos.
Um estudo publicado em 2025 pela Academia Americana de Oftalmologia revelou que o tempo médio diário de exposição a telas aumentou em mais de 40% desde 2020, especialmente entre pessoas que trabalham remotamente. Esse aumento está diretamente relacionado ao crescimento na procura por tratamentos estéticos faciais, incluindo a blefaroplastia.
Como a blefaroplastia é realizada?
A blefaroplastia pode ser feita nas pálpebras superiores, inferiores ou ambas, dependendo das necessidades do paciente. O procedimento é realizado sob anestesia local ou geral, e consiste na remoção do excesso de pele, gordura ou músculo da área ao redor dos olhos.
O pós-operatório geralmente é rápido, com recuperação completa ocorrendo em cerca de duas a três semanas. No entanto, como qualquer procedimento cirúrgico, a blefaroplastia requer avaliação prévia e deve ser realizada apenas por cirurgiões plásticos qualificados.
Preocupações e cuidados ao considerar a cirurgia
Embora a blefaroplastia seja uma cirurgia relativamente segura, é importante que os pacientes realizem uma avaliação rigorosa antes de optar pelo procedimento. Condições médicas preexistentes, como hipertensão, diabetes ou problemas de coagulação, podem aumentar os riscos associados à cirurgia.
Além disso, é fundamental alinhar expectativas realistas com o cirurgião, entender os possíveis riscos e seguir à risca as orientações do pós-operatório para evitar complicações.
Outras soluções para a saúde ocular
Para aqueles que ainda não estão prontos para recorrer à cirurgia, existem alternativas não invasivas para melhorar a aparência e a saúde da região dos olhos. Procedimentos como preenchimentos com ácido hialurônico, tratamentos a laser e peelings químicos podem ajudar a minimizar os sinais de envelhecimento e cansaço.
Além disso, adotar hábitos saudáveis, como fazer pausas regulares durante o uso de telas, manter a hidratação e usar cremes específicos para a área dos olhos, pode ajudar a prevenir e reduzir problemas estéticos e funcionais.
A Visão do Especialista
A crescente busca pela blefaroplastia é um reflexo das mudanças culturais e tecnológicas que estamos vivendo. Com a maior exposição à própria imagem e o uso intensivo de telas, é natural que as pessoas fiquem mais atentas às alterações em sua aparência. No entanto, é essencial destacar que a decisão por uma cirurgia plástica deve ser tomada com cuidado, após uma análise detalhada com profissionais qualificados.
Além disso, é importante lembrar que o cuidado com a saúde ocular vai além da cirurgia. Adotar uma postura preventiva, como limitar o tempo em frente às telas e realizar consultas regulares com oftalmologistas, é fundamental para preservar a visão e evitar problemas futuros.
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