A agência reguladora de mercado da China, a SAMR (Administração Estatal de Regulação de Mercado), anunciou no sábado, 25 de julho de 2026, a aplicação de uma multa de 5,18 bilhões de yuans (equivalente a US$ 765 milhões) à gigante de viagens on-line Trip.com. A penalidade foi aplicada após uma investigação que revelou práticas anticompetitivas e abuso de posição dominante no mercado de reservas de hotéis on-line no país.

Entenda as razões por trás da multa

De acordo com a SAMR, entre 2020 e 2025, a Trip.com utilizou sua posição de liderança no mercado para impor cláusulas de exclusividade a hotéis, forçando-os a firmar contratos que limitavam a cooperação com plataformas concorrentes. Além disso, a empresa teria exigido que os hotéis participantes oferecessem os menores preços exclusivamente em sua plataforma, por meio de políticas de paridade tarifária.

Essas práticas incluíam monitoramento rigoroso, com o uso de tecnologias automatizadas para identificar preços mais baixos em outras plataformas. A Trip.com ajustava manualmente as tarifas em sua própria página para superar a concorrência, penalizando hotéis que não cumprissem as regras estabelecidas, como redução de tráfego, perda de status preferencial e deduções de depósitos.

Impacto financeiro da sanção

A multa aplicada pela SAMR foi dividida em duas partes: o confisco de 1,66 bilhão de yuans (US$ 250 milhões) em lucros obtidos de forma indevida e uma penalidade adicional de 3,52 bilhões de yuans (US$ 520 milhões). Além disso, a Trip.com foi obrigada a devolver 122 milhões de yuans (US$ 18 milhões) em depósitos que haviam sido deduzidos de operadores hoteleiros de maneira arbitrária.

Detalhamento da Penalidade Valor (em yuans) Valor (em dólares)
Confisco de lucros 1,66 bilhões 250 milhões
Multa 3,52 bilhões 520 milhões
Restituição de depósitos 122 milhões 18 milhões

Contexto e histórico da investigação

A investigação contra a Trip.com foi iniciada em janeiro de 2026, após denúncias de práticas que restringiam a competitividade no setor de reservas de hotéis on-line. A empresa, que detinha uma participação de mercado de 56,8% em receita no ano de 2025, foi acusada de usar sua influência para limitar a atuação de concorrentes e prejudicar consumidores.

Segundo Liu Xu, pesquisador do Instituto Nacional de Estratégia da Universidade de Tsinghua, a Trip.com já havia sido alvo de investigações semelhantes em Hong Kong e na Coreia do Sul. Além disso, autoridades locais na China, como em Sichuan e Guizhou, já haviam convocado a empresa para negociações em 2021 e 2025, mas as mudanças exigidas não foram implementadas, o que contribuiu para a severidade da punição atual.

O que diz a Lei Antimonopólio da China?

A multa de 5,18 bilhões de yuans está próxima do limite máximo permitido pela Lei Antimonopólio da China, que estabelece penalidades entre 1% e 10% das vendas anuais da empresa no mercado doméstico. A legislação visa coibir práticas que prejudiquem a livre concorrência e protejam os consumidores, impondo sanções severas às empresas que abusam de sua posição dominante.

Repercussão no mercado de viagens on-line

A decisão da SAMR gerou grande repercussão no setor de turismo e tecnologia. A Trip.com, que é uma das maiores plataformas de viagens on-line do mundo, se comprometeu a acatar a decisão e implementar medidas corretivas. Em comunicado oficial, a empresa afirmou que publicará ações específicas para solucionar os problemas apontados e que se submeterá à fiscalização pública.

Especialistas destacam que a penalidade pode servir como um marco regulatório, sinalizando que as autoridades chinesas estão dispostas a intensificar o escrutínio sobre grandes empresas de tecnologia e a garantir um ambiente mais competitivo para os negócios locais.

Casos similares na Ásia

A Trip.com não é a única gigante tecnológica a enfrentar escrutínio regulatório na região. Nos últimos anos, a China tem intensificado sua fiscalização sobre grandes empresas de tecnologia, com investigações e multas aplicadas a empresas como Alibaba e Meituan por práticas anticompetitivas. A pressão regulatória reflete a tentativa do governo chinês de equilibrar o poder dessas corporações com a preservação da concorrência no mercado.

Próximos passos para a Trip.com

Com a aceitação da penalidade, a Trip.com deverá agora focar em implementar as mudanças exigidas pela SAMR. Isso inclui revisar seus contratos com hotéis, ajustar suas políticas de paridade de preços e adotar práticas comerciais mais transparentes. O objetivo é evitar novas sanções e recuperar a confiança de parceiros e consumidores.

A Visão do Especialista

Para analistas, a multa contra a Trip.com reflete um momento crítico para o setor tecnológico na China. A decisão da SAMR reforça a mensagem de que práticas anticompetitivas não serão toleradas em um mercado cada vez mais regulado. A curto prazo, a penalidade pode gerar incertezas para a Trip.com, mas a longo prazo, a empresa poderá se beneficiar de práticas mais equilibradas e sustentáveis.

Além disso, o caso servirá como um alerta para outras empresas do setor, incentivando uma autorregulação mais rigorosa e a busca por modelos de negócios que priorizem tanto o crescimento quanto a ética e o respeito às leis.

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