Paolo Sorrentino estreia "A graça" em Belo Horizonte e conquista o público da Sala 3 do UNA Belas Artes. O drama político, protagonizado por Toni Servillo, chegou nesta sexta‑feira e já desperta debates entre cinéfilos, críticos e estudantes de cinema.

O cineasta italiano, conhecido por obras como Il Divo (2008) e A Mão de Deus (2021), volta a trabalhar com Servillo, ator que já encarnou Silvio Berlusconi em Loro (2018). Essa parceria histórica traz à tona uma nova fase da sorrentinice.
"A graça" mergulha na reta final do mandato de Mariano De Santis, presidente fictício da Itália, que lida com solidão, perda e dilemas éticos como a eutanásia. A narrativa combina política, música eletrônica e simbolismo arquitetônico.
Como a estética visual reforça a crítica política?
A câmera fixa destaca o imponente palácio do governo, transformando corredores em cenários de tensão. Os enquadramentos estáticos criam uma sensação de claustrofobia institucional.
Sequências em câmera lenta, como a visita do presidente de Portugal sob forte chuva, utilizam a coreografia de guarda‑chapéus para satirizar a pomposidade diplomática. O efeito visual intensifica o ridículo do poder.
Momentos de iluminação contrastante – como o telhado escuro onde De Santis fuma – simbolizam a "escuridão" que paira sobre decisões governamentais. Essas escolhas de luz reforçam o clima de indecisão.
O que dizem os críticos sobre a nova obra?
O crítico Sérgio Alpendre (Folhapress) aponta que, apesar de "manobras sorrentinianas" nem sempre eficazes, o filme apresenta "um dos maiores duelos de inteligência" entre o presidente e o professor Arpa. Ele destaca a cena no presídio como ponto alto da direção.
- Direção: Paolo Sorrentino
- Elenco principal: Toni Servillo, Anna Ferzetti, Orlando Cinque
- Duração: 133 minutos
- Data de estreia em BH: 07/04/2026
- Locais: UNA Belas Artes (Sala 3) e Centro Cultural Unimed‑BH (Sala 1)
Comparado a Marco Bellocchio, Sorrentino demonstra "uma dose controlada de ousadia", porém ainda distante da maestria do diretor de O Sequestro do Papa. A crítica reconhece evolução, mas aponta limites.
O público de Belo Horizonte reage com curiosidade e entusiasmo, ocupando as salas nas primeiras sessões. Bilheterias indicam um retorno positivo ao cinema de arte na capital mineira.
Qual o impacto para o cinema italiano contemporâneo?
"A graça" pode sinalizar um renascimento da narrativa política italiana, inspirando novos projetos que mesclam arte, crítica social e experimentação estética. O filme abre caminho para discussões sobre governança e moralidade na sétima arte.
Com possíveis indicações a festivais europeus, Sorrentino reforça sua posição como um dos diretores mais influentes da nova geração. O futuro reserva mais colaborações entre cinema e debate público.
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