Uma bebê de 1 ano e 9 meses morreu após sofrer agressões dentro de casa em Vila Valqueire, Rio de Janeiro, enquanto a mãe participava de entrevista de emprego. O caso chocou a capital e gerou prisão do padrasto, acusado de feminicídio e homicídio de menor.

Emanuele Costa saiu de madrugada para um processo seletivo e deixou a filha, Maya Costa Cypriano, sob os cuidados de Lukas Pereira, natural do Espírito Santo. A mãe confiou a guarda ao companheiro, sem imaginar a tragédia que ocorreria.

Ao retornar ao fim da manhã, Emanuele encontrou a menina semiacordada, com o corpo gelado, e imediatamente a levou à UPA do Campinho. O atendimento de emergência constatou parada cardiorrespiratória e sinais visíveis de violência.

O que se sabe sobre a investigação?

Os profissionais da Unidade de Pronto Atendimento acionaram a polícia ao identificarem marcas de agressão no abdômen da criança. A perícia concluiu que a causa da morte foi lesão abdominal, indicando crime violento.

O laudo pericial redirecionou o caso da 29ª DP (Madureira) para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A mudança de competência reforçou a gravidade da situação.

Lukas Pereira foi preso na sexta‑feira, 3 de abril, após confessar que agrediu a bebê. Em depoimento, ele não demonstrou arrependimento, o que aumentou a comoção pública.

Contexto de violência doméstica no Rio

O Rio de Janeiro registra alarmantes índices de feminicídio e violência contra crianças. O caso de Maya se insere em um panorama de impunidade e vulnerabilidade.

  • Em 2025, o estado contabilizou 1 020 casos de feminicídio.
  • Nos últimos dois anos, 342 menores foram vítimas de agressão fatal no domicílio.
  • Vila Valqueire tem histórico de denúncias de violência doméstica, mas poucos desdobramentos judiciais.

A legislação brasileira prevê o feminicídio como circunstância qualificadora do homicídio, e o crime contra criança tem pena agravada. O Ministério Público já sinalizou a possibilidade de acusação cumulativa.

Organizações de direitos humanos e defensores da infância intensificaram a campanha por políticas de proteção mais eficazes. O caso de Maya tornou‑se símbolo da urgência de medidas preventivas.

Repercussão e demandas da sociedade

Família, amigos e vizinhos realizaram vigílias e protestos exigindo justiça e maior fiscalização dos lares. As redes sociais foram inundadas de mensagens de apoio e indignação.

ONGs como a Anistia Internacional e o Conselho Tutelar do Rio emitiram notas pedindo investigação aprofundada e responsabilização de todos os envolvidos. A pressão popular tem influenciado o andamento do processo.

A polícia civil continua a apurar se há outros cúmplices ou omissões que contribuíram para a morte de Maya. A DHC mantém a investigação em curso, com foco em possíveis conluios familiares.

O que acontece agora?

Lukas Pereira responde atualmente ao inquérito por feminicídio e homicídio qualificado, enquanto a mãe aguarda o desfecho judicial. O caso segue em julgamento, com expectativa de sentença exemplar.

Autoridades prometem rever protocolos de atendimento de crianças em situações de risco e ampliar a rede de proteção social. O debate sobre políticas públicas ganhou novo ímpeto.

Compartilhe essa notícia no WhatsApp com seus amigos.