O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira, 27 de maio de 2026, como parte das investigações da Operação Barco de Papel. A ação apura aportes suspeitos de cerca de R$ 3 bilhões feitos pelo Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, envolvendo recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil beneficiários estaduais. Este é mais um capítulo de uma série de investigações que colocam em xeque a gestão de recursos públicos no estado.

Cláudio Castro, ex-governador do Rio, é investigado pela PF em ação contra aportes do Rioprevidência no Banco Master.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

O que é o Rioprevidência e por que ele está no centro da investigação?

O Rioprevidência é o fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. Criado para garantir a sustentabilidade financeira do sistema previdenciário estadual, ele administra um orçamento bilionário que deveria ser investido de forma segura e rentável. Contudo, as investigações revelam que, sob a gestão de Deivis Marcon Antunes, nomeado por Cláudio Castro, o fundo teria aplicado recursos em operações de alto risco ligadas ao Banco Master, contrariando práticas prudenciais de investimento.

Os aportes financeiros sob suspeita

Cláudio Castro, ex-governador do Rio, é investigado pela PF em ação contra aportes do Rioprevidência no Banco Master.
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Os aportes investigados somam, até o momento, cerca de R$ 3 bilhões. Entre outubro de 2023 e julho de 2024, foram realizados investimentos de R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Já a partir de julho de 2024, outros R$ 2,01 bilhões foram aplicados em fundos de investimento relacionados à mesma instituição. Este volume de recursos representa uma parcela significativa do orçamento do Rioprevidência, gerando preocupações sobre um possível impacto no pagamento de benefícios futuros.

Como o Banco Master está envolvido?

O Banco Master, liquidado em novembro de 2025, já era alvo de investigações por suspeitas de fraudes financeiras. A Polícia Federal apura que a instituição teria criado fundos fictícios para inflar seu valor de mercado e ocultar a origem de recursos. Além disso, há indícios de que propinas teriam sido pagas a agentes públicos para facilitar os aportes do Rioprevidência. Daniel Vorcaro, fundador do banco, está preso desde o ano passado, acusado de liderar o esquema.

O impacto econômico para o estado do Rio de Janeiro

A má gestão dos recursos pode gerar efeitos devastadores para o estado do Rio de Janeiro, que já enfrenta uma grave crise fiscal. O rombo de R$ 1 bilhão identificado pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) representa não apenas um desvio de recursos, mas também uma ameaça à estabilidade financeira do fundo previdenciário. A falta de recursos no Rioprevidência pode comprometer o pagamento de aposentadorias e pensões, afetando milhares de famílias.

Repercussão no mercado financeiro

O caso Rioprevidência-Banco Master reacendeu debates sobre a fiscalização dos fundos de pensão e a transparência nos investimentos públicos. Especialistas apontam que a falta de controles rigorosos abre espaço para a má gestão e corrupção. A confiança no mercado financeiro também pode ser abalada, especialmente entre investidores institucionais que dependem da solidez do sistema para operar.

O papel do Tribunal de Contas e do Ministério Público

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já havia identificado irregularidades nas operações do Rioprevidência e recomendado a responsabilização dos dirigentes do fundo. O MP-RJ, por sua vez, entrou com uma ação civil pública para que os gestores cobrissem o prejuízo gerado pelos aportes no Banco Master. Esta medida indica uma tentativa de recuperar os valores desviados e minimizar os danos causados ao fundo.

Como o caso pode afetar o bolso do contribuinte?

Com o rombo no Rioprevidência, o estado pode ser forçado a utilizar recursos do orçamento geral para cobrir o déficit, o que pode implicar em cortes em outras áreas essenciais, como saúde, educação e segurança pública. Além disso, há o risco de aumento na alíquota de contribuição dos servidores estaduais ou até mesmo na criação de novos impostos para equilibrar as contas.

Riscos para o futuro dos fundos de pensão

Este caso levanta uma questão mais ampla sobre a governança dos fundos de pensão no Brasil. A falta de rigor na escolha de gestores e a ausência de mecanismos eficazes de controle podem levar a prejuízos bilionários, como o observado no caso Rioprevidência. Os investidores institucionais precisam de regras claras e de maior supervisão para evitar a repetição de episódios semelhantes.

Próximos passos da investigação

A Operação Barco de Papel ainda está em andamento, com a Polícia Federal cumprindo mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Além de Cláudio Castro e Deivis Marcon Antunes, outros ex-integrantes do Rioprevidência também são alvos das investigações. O desfecho do caso pode trazer implicações legais e políticas, não apenas para os envolvidos diretamente, mas também para o sistema de previdência estadual.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista econômico, o caso do Rioprevidência é um exemplo claro de como a má gestão de recursos públicos pode gerar prejuízos financeiros significativos e impactos sociais duradouros. Para o contribuinte, o risco é evidente: a possibilidade de aumento de impostos ou cortes em áreas essenciais para cobrir o rombo. No curto prazo, é fundamental que as investigações avancem para identificar e punir os responsáveis. No longo prazo, é urgente a implementação de mecanismos mais eficazes de supervisão e controle para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.

Cláudio Castro, ex-governador do Rio, é investigado pela PF em ação contra aportes do Rioprevidência no Banco Master.
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