Na tarde desta quinta‑feira (9), a Assembleia Legislativa da Bahia concedeu a Comenda Dois de Julho in memoriam ao empresário baiano Clériston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. A homenagem ocorreu em sessão especial e contou com a presença de lideranças do Partido Liberal (PL) e de outros representantes da extrema‑direita.

Clezão morreu em 20 de novembro de 2023 enquanto cumpria pena na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Segundo relatos, ele estava sob custódia por participação nos atos de 8 de janeiro e teria contraído comorbidades decorrentes da Covid‑19, sem acesso ao tratamento adequado.

A proposta de conceder a honraria foi apresentada pelo deputado estadual Diego Castro (PL) em 17 de março de 2025. O Projeto de Resolução (PRS) nº 03269/2025 foi aprovado pela Casa, elevando a distinção à mais alta honraria do legislativo baiano.

Quem propôs a homenagem e quais foram os argumentos?

Diego Castro classificou Clezão como "herói" e "defensor da liberdade" durante seu discurso. O parlamentar citou trechos da Bíblia, comparando a morte do empresário a mártires religiosos, e enfatizou a necessidade de "não deixar cair no esquecimento" o seu legado.

Além de Castro, participaram do evento outras figuras bolsonaristas, como o presidente estadual do PL João Roma e o deputado federal Capitão Alden. O senador Magno Malta e os deputados federais Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira assistiram por videoconferência.

Representando a família, a filha de Clezão, Ana Luísa Duarte da Cunha, recebeu a comenda no plenário. O irmão do falecido, Cristiano Pereira da Cunha, também esteve presente, reforçando o vínculo familiar na cerimônia.

Qual tem sido a reação da sociedade e dos órgãos de direitos humanos?

Organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram a homenagem como politização da morte de um detento. Entidades como a Anistia Internacional e o Conselho Nacional de Direitos Humanos pedem investigação sobre a suposta negligência médica na prisão.

Grupos da sociedade civil organizaram protestos nas capitais de Salvador e Brasília, exigindo transparência nos processos de custódia e saúde dos presos. A repercussão nas redes sociais tem sido intensa, com debates sobre a memória política do 8 de janeiro.

O que acontece agora?

O Ministério da Justiça abriu um procedimento interno para apurar possíveis falhas no atendimento médico de Clezão. Simultaneamente, a AL‑BA será alvo de comissões parlamentares que analisarão a adequação de honrarias a figuras ligadas ao movimento de 8 de janeiro.

  • 20/11/2023 – Falecimento de Clezão na Penitenciária da Papuda.
  • 17/03/2025 – Apresentação do PRS 03269/2025 na Assembleia Legislativa da Bahia.
  • 09/04/2026 – Sessão especial concede a Comenda Dois de Julho in memoriam.
  • 11/04/2026 – Publicação da notícia em Bahianoticias.com.br.

Enquanto as investigações avançam, a família de Clezão pede justiça e reconhecimento da dor vivida. A homenagem, embora celebrada por parte do legislativo, permanece controversa diante das alegações de negligência e do contexto político polarizado.

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