O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA) abriu procedimento administrativo para apurar o suposto uso irregular de uma viatura oficial na reforma de um imóvel ligado ao ex‑comandante‑geral Adson Marchesini, em Vilas do Atlântico.
Entenda a origem da investigação
Uma picape L200 Triton, placa RDQ‑3A89, foi flagrada transportando blocos de cimento em endereço particular. A denúncia chegou ao CBMBA após imagens divulgadas nas redes sociais, que mostravam a carga sendo descarregada na obra.
Quem é Adson Marchesini
Ex‑comandante‑geral do Corpo de Bombeiros da Bahia, Marchesini comandou a corporação entre 2022 e 2025. Sua trajetória inclui a modernização da frota e a ampliação de programas de prevenção de incêndios.
A suspeita da viatura
Segundo o CBMBA, veículos oficiais são patrimônio do Estado e destinam‑se exclusivamente ao serviço público. O uso para fins particulares viola a Lei Estadual nº 8.945/2019, que regula o uso de bens públicos.
Procedimento administrativo
O órgão instaurou um processo administrativo que seguirá o rito previsto na Instrução Normativa nº 12/2023. A investigação contemplará a análise de registros de manutenção, itinerários GPS e depoimentos de servidores.
Local da obra e vínculo familiar
O imóvel está na Rua do Sossego, terceira etapa de Vilas do Atlântico, e a escritura consta em nome de Adla Angelini Almeida, irmã de consideração de Marchesini. O ex‑comandante, porém, reconhece ser proprietário da residência.
Depoimentos da comunidade
Moradores afirmam que a obra recebeu "alto investimento" e que Marchesini acompanhava pessoalmente as obras. "Ele quase demoliu a casa inteira", relatou uma vizinha que preferiu manter o anonimato.
Linha do tempo dos fatos
| Data | Evento |
|---|---|
| Mar 2024 | Início da reforma da residência |
| Jun 2024 – Set 2025 | Uso alegado da viatura para transporte de materiais |
| 25 mar 2026 | Marchesini anuncia pré‑candidatura a deputado federal |
| Abr 2026 | Exoneração de Marchesini do comando do CBMBA |
| 06 mai 2026 | CBMBA abre procedimento administrativo |
Precedentes de uso indevido de veículos oficiais
Casos semelhantes já foram julgados pela Corregedoria do Estado, resultando em suspensão de cargos e ressarcimento ao erário. Em 2021, um diretor de saúde utilizou viatura para transporte de móveis pessoais, gerando multa de R$ 150 mil.
Repercussão política
A revelação chegou pouco antes das eleições de 2026, potencializando o debate sobre ética na administração pública. Analistas apontam risco de abalo na confiança do eleitorado para candidatos com histórico militar.
Posição do ex‑comandante
Marchesini declarou que usou a picape apenas para deslocamento até a obra, negando o transporte de materiais. "É normal ter ido ao local, mas nunca carreguei blocos", afirmou em entrevista ao Bahia Notícias.
Análise jurídica
Especialistas em direito administrativo ressaltam que a simples presença da viatura em local privado já pode caracterizar uso indevido. A jurisprudência do Tribunal de Justiça da Bahia exige comprovação de finalidade pública para legitimar a utilização.
Impacto institucional
A confiança da população no Corpo de Bombeiros pode ser abalada se a investigação confirmar irregularidades. O órgão já enfrenta críticas por atrasos em atendimentos e falta de equipamentos, o que amplifica a atenção da mídia.
A Visão do Especialista
O professor Carlos Eduardo Silva, da UFBA, conclui que o caso evidencia a necessidade de reforçar mecanismos de controle interno. "Sem transparência e auditoria constante, a linha entre o serviço público e interesses particulares se esvai", alerta, recomendando a criação de um comitê independente para fiscalizar o uso de bens patrimoniais.
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