O corpo de Dheorge Pereira Bernardino, desaparecido em alto-mar desde o dia 24 de maio, foi encontrado na manhã desta segunda-feira (1º) em Ilhabela, litoral de São Paulo. A confirmação veio através da Marinha do Brasil, após sete dias de intensas buscas que mobilizaram diversas equipes e recursos. O caso trouxe à tona questões sobre segurança marítima e a crescente popularidade das motos aquáticas no Brasil.
O acidente: o que aconteceu?
Dheorge e sua amiga, Bruna Damaris Sant'anna da Silva, de 26 anos, estavam participando de uma confraternização na praia antes de decidirem pegar uma moto aquática para um passeio. Sem informar um destino definido, os dois partiram às 16h do domingo (24). Poucas horas depois, o jet ski afundaria, deixando ambos à deriva em alto-mar.
Bruna foi resgatada no dia 26 de maio, após 42 horas à deriva, debilitada e com hipotermia. Ela relatou que permaneceu com Dheorge durante os primeiros dois dias, até que as fortes correntezas os separaram. O colete de Dheorge foi encontrado boiando no mar dias depois, e o jet ski afundado foi localizado pela equipe de buscas na segunda-feira (25).
As buscas em alto-mar: um esforço conjunto
As operações de busca e salvamento (SAR) envolveram uma ampla coordenação entre diferentes órgãos. A Marinha do Brasil mobilizou embarcações e helicópteros, enquanto a Força Aérea Brasileira empregou uma aeronave P-95. A Defesa Civil, o Grupamento de Bombeiros Marítimos (GBMar) e o Helicóptero Águia da Polícia Militar também participaram ativamente.
O esforço foi contínuo e integrado por nove dias, demonstrando o elevado grau de coordenação entre as instituições envolvidas. A operação foi encerrada com a localização do corpo de Dheorge nas proximidades da Praia do Pedro Arnaldo.
Contexto histórico: acidentes com motos aquáticas no Brasil
O caso de Dheorge é mais um entre os crescentes incidentes envolvendo motos aquáticas no Brasil, um veículo que, apesar de sua popularidade, apresenta riscos consideráveis quando operado sem condições adequadas de segurança.
Dados apontam que entre 2020 e 2025, acidentes com motos aquáticas aumentaram em quase 30%. A ausência de equipamentos como rádios comunicadores, coletes salva-vidas devidamente ajustados e o treinamento insuficiente dos condutores são fatores que potencializam a gravidade desses episódios.
Segundo especialistas, o uso recreativo de motos aquáticas exige não só habilitação específica, mas também conhecimento sobre condições climáticas e marítimas.
A repercussão nas redes sociais
Desde o desaparecimento de Dheorge, sua irmã, Lorrane Pereira, usou as redes sociais para mobilizar seguidores e pedir ajuda nas buscas. Após o corpo ser encontrado, ela publicou um desabafo emocionado, agradecendo o apoio recebido e destacando a dor irreparável da perda.
A sobrevivente, Bruna, também utilizou as redes sociais para compartilhar detalhes do ocorrido e explicar por que demorou a se manifestar. Ela afirmou estar em recuperação física e psicológica, além de ter colaborado com as autoridades nas investigações.
A investigação: o que sabemos até agora?
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso está sendo tratado como morte suspeita e será investigado pela Delegacia de Ilhabela. Paralelamente, a Delegacia da Capitania dos Portos em São Sebastião instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN).
O objetivo do inquérito é apurar as causas do acidente, as circunstâncias envolvidas e as possíveis responsabilidades. As investigações incluem a análise das condições do jet ski, a falta de equipamentos de segurança e a situação climática no dia do incidente.
Impactos no turismo e na segurança marítima
Ilhabela é um dos destinos turísticos mais procurados do litoral paulista, especialmente por amantes de esportes aquáticos. No entanto, casos como o de Dheorge levantam preocupações sobre a segurança das atividades recreativas na região.
Especialistas em turismo apontam que acidentes como esse podem impactar negativamente a imagem do destino, ressaltando a necessidade de medidas mais rigorosas para garantir a segurança dos visitantes.
Por que os acidentes acontecem?
Os acidentes com motos aquáticas geralmente envolvem fatores como a falta de experiência dos condutores, negligência com equipamentos de segurança e condições climáticas adversas. Além disso, o uso imprudente, como navegar em áreas de tráfego marítimo intenso, contribui para os riscos.
Fatores externos, como mudanças repentinas no clima e correntezas marítimas fortes, também desempenham um papel significativo. Em muitos casos, a ausência de comunicação com autoridades competentes agrava a situação.
A Visão do Especialista
O caso de Dheorge Pereira Bernardino destaca a urgência em reforçar políticas de segurança marítima no Brasil. Segundo o especialista em navegação e salvamento, Carlos Henrique Almeida, "é fundamental que haja maior fiscalização sobre a habilitação de condutores de motos aquáticas e a obrigatoriedade de equipamentos de segurança adequados".
Almeida também enfatizou que o uso de tecnologias como GPS e rádios comunicadores poderia ter facilitado a localização dos desaparecidos. "Estamos lidando com vidas. Investir em prevenção e na capacitação dos usuários é mais do que necessário, é urgente", concluiu.
Esse episódio deve servir de alerta para autoridades e sociedade em geral sobre os perigos associados às atividades marítimas e a importância de seguir protocolos de segurança rigorosos.
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