A criminalidade e a violência seguem sendo as principais preocupações dos brasileiros, segundo a pesquisa What Worries the World, realizada pela Ipsos. O levantamento, divulgado em junho de 2026, aponta que 47% da população considera esses problemas como os maiores desafios enfrentados pelo país. O índice, estável em relação a maio, apresenta um aumento de sete pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2025.
O impacto da criminalidade no cotidiano dos brasileiros
De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, coletados em maio pela pesquisa Datafolha, cerca de 40,1% dos brasileiros com mais de 16 anos relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência ou crime nos últimos 12 meses. Esse número reflete um cenário preocupante, em que quase metade da população enfrenta diretamente os efeitos da insegurança.
A sensação de vulnerabilidade também se manifesta nas pesquisas de percepção. Segundo a Ipsos, 58% dos brasileiros acreditam que o país está no caminho errado, indicando que, apesar de um leve otimismo apontado por 42% dos entrevistados, a maioria ainda não vê soluções concretas para a questão da segurança pública.
Comparação internacional: como o Brasil se posiciona
Em um contexto global, a percepção dos brasileiros sobre a criminalidade contrasta com a de outros países. Enquanto 47% da população brasileira cita a violência como principal preocupação, nos Estados Unidos, por exemplo, a inflação lidera a lista com 45%, seguida pela corrupção (38%). Já na Argentina, o desemprego (57%) e a pobreza (42%) ocupam as primeiras posições, enquanto a criminalidade caiu para 35%.
| País | Principal preocupação | Percentual |
|---|---|---|
| Brasil | Criminalidade e violência | 47% |
| Estados Unidos | Inflação | 45% |
| Argentina | Desemprego | 57% |
O retorno do debate sobre corrupção
A pesquisa também revelou que a corrupção voltou a ser uma preocupação crescente no Brasil. 39% dos brasileiros mencionaram o tema, representando um aumento de dois pontos percentuais em relação ao mês anterior. Esse dado reflete um contexto de contínuos debates sobre governança pública e investigações envolvendo recursos públicos, como os desdobramentos do caso Banco Master.
Segundo Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, a população permanece sensível a temas que envolvem a qualidade das instituições e a capacidade do Estado em responder às demandas sociais. Esse aumento na preocupação com a corrupção ocorre em paralelo ao crescimento da percepção de insegurança, reforçando o panorama de desconfiança em relação às políticas públicas.
Causas e fatores históricos
A violência no Brasil tem raízes históricas que se refletem no cenário atual. Problemas estruturais, como desigualdade social, falta de acesso à educação e fragilidade das instituições de segurança, contribuem para o aumento das taxas de criminalidade. Além disso, o fortalecimento de organizações criminosas e o tráfico de drogas agravam a situação em áreas urbanas e periféricas.
Estudos apontam que períodos de instabilidade econômica e política também estão associados a picos de violência. A crise econômica de 2015-2016, por exemplo, resultou em um aumento significativo de crimes patrimoniais e homicídios, tendências que ainda reverberam no panorama atual.
A percepção de segurança no ambiente urbano
Outro dado alarmante apurado pela Datafolha indica que metade dos brasileiros não se sente segura nos locais onde mora. Essa sensação de insegurança é mais acentuada em regiões metropolitanas, onde a violência é mais prevalente. Além disso, fatores como iluminação pública inadequada, falta de policiamento ostensivo e ausência de políticas preventivas agravam o cenário.
Impactos econômicos e sociais
A criminalidade não afeta apenas a sensação de segurança, mas também traz consequências econômicas e sociais significativas. Empresas frequentemente enfrentam custos adicionais com segurança privada, enquanto o turismo é prejudicado pela má reputação internacional em relação à violência.
Além disso, o impacto psicológico sobre as vítimas e suas famílias gera efeitos de longo prazo, que incluem dificuldades emocionais, perda de produtividade e até mudanças de rotina, como a restrição de horários e deslocamentos.
Medidas e soluções propostas
Especialistas em segurança pública defendem que o combate à violência no Brasil precisa ir além do aumento do efetivo policial. Investimentos em educação, programas de ressocialização e políticas de redução da desigualdade são apontados como medidas essenciais para atacar as causas estruturais do problema.
Além disso, o uso de tecnologia, como câmeras de vigilância, aplicativos de denúncia anônima e análise de dados para prever áreas de maior incidência de crimes, tem ganhado destaque como ferramentas para tornar o combate à criminalidade mais eficiente.
A Visão do Especialista
O aumento da preocupação dos brasileiros com a violência reflete um problema estrutural que precisa de atenção imediata. Embora ações de curto prazo, como operações policiais e aumento do patrulhamento, sejam importantes, é fundamental que o país invista em soluções de longo prazo. A desigualdade social, que está no cerne de muitas das questões de criminalidade, deve ser enfrentada de forma integrada, envolvendo políticas públicas de segurança, saúde, educação e geração de empregos.
Com a estabilização econômica e a retomada do crescimento, há uma oportunidade para implementar reformas que fortaleçam as instituições e promovam maior segurança para a população. Sem medidas eficazes, o Brasil continuará enfrentando um ciclo de violência que prejudica o desenvolvimento e a qualidade de vida de seus cidadãos.
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