Quando Dandara Ferreira decidiu registrar os bastidores da CPI da Covid em abril de 2021, o Brasil vivia um dos momentos mais críticos de sua história recente. Centenas de milhares de mortes pela pandemia já haviam sido registradas, e a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado prometia desvelar os erros e omissões na gestão da crise sanitária. "Eu sentia que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária", afirma a cineasta. "Minha arma naquele momento era uma câmera."

Jornalista Dandara Ferreira filma a CPI da Covid, revelando feridas da pandemia.
Fonte: www.diariodecuiaba.com.br | Reprodução

O nascimento de "Anatomia do Caos"

O resultado do trabalho de Dandara foi transformado em "Anatomia do Caos", documentário que estreia nos cinemas em 2 de julho de 2026, distribuído pela Descoloniza Filmes. A obra não apenas registra os momentos públicos da CPI, mas também revela os bastidores, trazendo entrevistas exclusivas, documentos e imagens inéditas. O filme busca reconstruir os eventos da pandemia e sua condução pelo governo de Jair Bolsonaro, enquanto reflete sobre memória e justiça.

O contexto histórico da CPI da Covid

A CPI da Covid foi instalada em um momento de profunda crise no Brasil. Com hospitais sobrecarregados, escassez de oxigênio e altas taxas de mortalidade, a comissão tinha por objetivo investigar a gestão da pandemia, incluindo suspeitas de corrupção na compra de vacinas. Mais de 700 mil brasileiros perderam suas vidas para a Covid-19, e o documentário de Dandara explora como o país lidou — e ainda lida — com essa tragédia coletiva.

O papel da CPI na história recente

  • Investigação sobre a condução da pandemia pelo governo federal.
  • Apuração de denúncias de corrupção envolvendo aquisição de vacinas.
  • Propostas de indiciamento de 78 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Revelação de negligência e falta de empatia por parte de autoridades.

Os bastidores da CPI: uma lente invisível

Dandara enfrentou desafios para acessar os bastidores da comissão, inicialmente submetendo-se às mesmas restrições impostas aos jornalistas. Com uma pequena câmera e atuando sozinha em múltiplas funções, ela conseguiu se tornar "quase invisível" no ambiente. "As pessoas achavam que eu era assessora de algum parlamentar", relembra.

Imagens que revelam a insensibilidade

Entre os momentos mais marcantes registrados pela cineasta estão as demonstrações de insensibilidade e deboche por parte de algumas autoridades. "Era inadmissível ver pessoas fazendo piadas e rindo enquanto brasileiros morriam", declara Dandara. O filme é um testemunho doloroso da desconexão entre os líderes políticos e o sofrimento do povo.

Corrupção e lucro em meio à pandemia

O documentário também aborda um dos aspectos mais controversos da CPI: as negociações suspeitas envolvendo vacinas e esquemas de corrupção. "Enquanto tinha gente morrendo, tinha gente tentando lucrar", afirma a diretora. A CPI revelou tentativas de superfaturamento e acordos fraudulentos que provocaram indignação pública.

Dados sobre a CPI

Total de Indiciados Principais Suspeitas Mortes na Pandemia
78 Negligência, corrupção em vacinas 700 mil+

O impacto das divisões políticas

Ao revisitar as imagens da CPI, Dandara percebeu que muitas das divisões daquela época ainda persistem. A desinformação, a queda nas taxas de vacinação e a polarização política continuam a desafiar o Brasil. "Entender a pandemia também é entender os desafios que o país ainda enfrenta", reflete.

Memória como instrumento democrático

Para Dandara, "Anatomia do Caos" é uma tentativa de usar a memória para fomentar a justiça e a reflexão. "Esquecer uma tragédia não é superá-la. Como um país segue adiante sem responsabilização?", questiona. O filme busca reabrir o debate sobre as consequências da pandemia e o impacto da ausência de condenações.

O simbolismo do lançamento

A escolha da data de estreia, 2 de julho, também carrega um significado especial. A data marca a Independência da Bahia, evento que simboliza a resistência e luta pela liberdade no Brasil. Segundo a diretora, a pandemia foi marcada pela resiliência de brasileiros comuns, como profissionais de saúde e famílias de vítimas, que enfrentaram a tragédia com coragem.

A Visão do Especialista

O documentário "Anatomia do Caos" não é apenas um registro histórico, mas um chamado à ação. Ele destaca a importância de responsabilizar os culpados e de aprender com os erros do passado para evitar futuras tragédias. Especialistas apontam que a obra pode contribuir para educar o público sobre a importância da transparência na gestão pública e o papel da memória coletiva na construção de uma democracia mais robusta.

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