Os papéis BBAS3 e SUZB3 aparecem como verdadeiros achados de valor na Bolsa, segundo a análise de César Paiva, o "Warren Buffett de Londrina". A queda recente do Ibovespa, aliada ao alto nível de fluxo estrangeiro, trouxe avaliações históricas que favorecem investidores que buscam margem de segurança.
Contexto histórico e o retorno da atratividade
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Em 2026, a bolsa já era considerada atrativa no início do ano e ficou ainda mais barata após a correção de maio. O Real Investor registra que o fluxo internacional acumulado ultrapassou R$ 70 bilhões, mais que o dobro do registrado em 2025, impulsionando a liquidez e pressionando os múltiplos para baixo.
Métricas que definem "barato"
O preço sobre valor patrimonial (P/VPA) e o preço sobre lucro (P/L) são as bússolas usadas por Paiva. Quando o P/VPA está abaixo de 1, a ação vale menos que o valor contábil da empresa; já o P/L abaixo de 6 indica forte desconto em relação ao lucro projetado.
Banco do Brasil (BBAS3): risco agro, mas potencial de recuperação
BBAS3 negocia cerca de 70 % do valor patrimonial e entre 5 e 6 vezes o lucro esperado. A inadimplência no agronegócio pressionou resultados em 2024, mas Paiva acredita que a normalização do crédito pode elevar o lucro em 2026, oferecendo margem de segurança ao investidor.
Suzano (SUZB3): a celulose em baixa, mas a empresa ainda resiliente
SUZB3 caiu cerca de 20 % neste ano, acompanhando a queda do preço da celulose. Apesar do desempenho recente, a companhia mantém dívida baixa e gera fluxo de caixa robusto, negociando a cerca de 0,9 × VPA e 7 × LPA, indicando oportunidade de compra.
Comparativo de indicadores chave
| Ação | P/L (2026E) | P/VPA | Dividend Yield |
|---|---|---|---|
| BBAS3 | 5,4 | 0,70 | 5,2 % |
| SUZB3 | 7,0 | 0,92 | 3,8 % |
| BBDC4 | 6,2 | 0,85 | 4,5 % |
| ALOS3 | 8,1 | 0,95 | 12,0 % |
Impacto dos juros altos e da geopolítica
Taxas de juros elevadas nos EUA e a guerra no Irã mantêm o custo de capital alto. Essa pressão reduz o preço das ações, mas também cria "buracos" de preço que investidores de valor podem explorar.
A estratégia de César Paiva: sangue frio e pouca caixa
Paiva mantém quase zero de caixa, preferindo alocar recursos em papéis subvalorizados. Seu fundo acumulou 2.444 % de valorização desde 2008, contrastando com os 395 % do Ibovespa, o que demonstra a eficácia de seu enfoque disciplinado.
Risco‑retorno: margem de segurança para o bolso
Com P/VPA abaixo de 1 e P/L em torno de 5‑7, BBAS3 e SUZB3 oferecem margem de segurança superior a 30 %. Para o investidor de varejo, isso significa menor volatilidade e maior potencial de ganho quando os resultados se normalizarem.
Influência das eleições e políticas econômicas
O cenário político incerto – com Lula possivelmente reeleito – pode gerar pressão fiscal e juros ainda mais altos. Contudo, setores como bancos e papel e celulose tendem a ser menos sensíveis a ciclos eleitorais, reforçando a tese de longo prazo.
Opiniões de analistas e pesquisas de mercado
- BTG Pactual aponta que BBAS3 pode registrar crescimento de lucro de 12 % em 2026.
- Nexus destaca que SUZB3 tem "potencial de recuperação de preço da celulose em 2027".
- Analistas da XP consideram BBDC4 como "backup" caso o crédito agrícola demore a melhorar.
Dicas práticas para o investidor de bolso
- Alocar até 15 % da carteira em BBAS3 e SUZB3, respeitando limites de risco.
- Reavaliar a posição a cada trimestre, acompanhando indicadores de inadimplência e preço da celulose.
- Manter reserva de emergência em renda fixa para absorver eventuais volatilidades.
A Visão do Especialista
Para quem busca proteger o capital e ainda obter ganhos acima da média, BBAS3 e SUZB3 são oportunidades de "value investing" que não devem ser ignoradas. O próximo semestre pode trazer recuperação dos lucros e valorização dos múltiplos, tornando esses papéis "compras de bolso" com alta relação risco‑retorno.
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