O mercado brasileiro de eletrônicos registrou crescimento de 11% entre janeiro e maio de 2026, impulsionado pelo desejo de troca dos consumidores, mesmo com juros altos e endividamento crescente. Dados da Associação Brasileira de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) apontam 54 milhões de unidades comercializadas, consolidando um novo patamar de consumo.
Crescimento de 11%: o que está por trás?
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Um ciclo de substituição acelerado está remodelando a demanda por aparelhos. O líder de tecnologia da NielsenIQ Brasil, Mateus Bando, destaca que a necessidade de trocar equipamentos obsoletos supera a restrição de crédito.
| Período | Unidades vendidas (milhões) | Crescimento % |
|---|---|---|
| Jan‑Mai 2025 | 48,6 | — |
| Jan‑Mai 2026 | 54,0 | +11,1% |

Ciclo de substituição e comportamento do consumidor
O ciclo médio de vida dos principais eletrônicos varia entre seis e oito anos. Essa janela cria picos de demanda quando gerações de aparelhos chegam ao fim de sua utilidade, como ocorreu após a pandemia de 2020.
Produtos que mais impulsionam a troca
- Geladeiras com tecnologia inverter
- Máquinas de lavar com sensores de carga
- Smartphones com 5G e IA integrada
- Fones de ouvido com cancelamento ativo de ruído
Impacto da Copa do Mundo nas vendas de TVs
O torneio eleva a procura por telas maiores, independentemente de descontos. Historicamente, as vendas de televisores acima de 65" crescem cerca de 15% no período que antecede a Copa.
Transformação digital e canais de venda
O comércio online já supera as lojas físicas em faturamento no setor. Cerca de 44% dos consumidores pesquisam exclusivamente na internet, e 71% desses finalizam a compra digitalmente.
Desafios fiscais e de crédito
A reforma tributária introduz o IVA e o CBS, exigindo adaptação rápida das empresas. O split payment separa o tributo no ponto de venda, alterando o fluxo de caixa das operadoras.
Inovação e premium acessível
Marcas apostam em "premium acessível" para captar consumidores que buscam tecnologia avançada sem preço exorbitante. Notebooks com processadores ARM, tablets com telas OLED e assistentes de voz integrados são exemplos dessa tendência.
Repercussão no PIB e no cenário macroeconômico
O setor registra crescimento de dois dígitos enquanto o PIB brasileiro avança apenas 2,3%. Esse descompasso evidencia a resiliência da demanda por tecnologia, mesmo em ambiente de juros elevados.
Visão dos executivos do setor
Jorge Nascimento, presidente da Eletros, ressalta a força da indústria nacional diante de pressões regulatórias. Carlos Clur, da Eletrolar, enfatiza a necessidade de alinhar inovação, experiência de compra e conectividade entre fabricantes e varejo.
A Visão do Especialista
O ritmo de crescimento indica que a substituição de equipamentos antigos será o motor principal nos próximos trimestres. Contudo, a sustentabilidade desse impulso depende de três vetores críticos: (i) a capacidade das empresas de oferecer produtos premium acessíveis, (ii) a adaptação ágil às novas regras tributárias e (iii) a consolidação de estratégias omnichannel que integrem a experiência online e offline.
Para o consumidor, isso se traduz em mais opções de aparelhos com IA, conectividade 5G e eficiência energética, porém com a necessidade de parcelar mais vezes. Para os fabricantes, o desafio será equilibrar margens em um cenário de crédito caro, enquanto investem em P&D para manter a diferenciação.
Em suma, o "desejo de troca" não é apenas um sintoma de insatisfação, mas um indicativo de que o mercado brasileiro está pronto para adotar rapidamente as próximas gerações de tecnologia, desde que as empresas naveguem com competência pelos obstáculos fiscais e financeiros.

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