O Governo Lula manteve, no Desenrola 2.0, o crédito consignado para idosos do INSS, medida considerada "predatória" por entidades de defesa do consumidor. A decisão foi anunciada em 08/05/2026 e já gera debate no Congresso e no setor financeiro.

Contexto histórico do crédito consignado no INSS

Desde 2005, o crédito consignado tem sido a principal linha de empréstimo para aposentados e pensionistas. O mecanismo permite que parcelas sejam descontadas diretamente da folha de pagamento do INSS, reduzindo risco de inadimplência.

O que é o Desenrola 2.0

Desenrola 2.0 é o pacote de medidas de apoio ao crédito lançado em 2024, visando ampliar acesso a empréstimos de até R$ 30 mil. Entre as novidades, a ampliação de garantias e a flexibilização de critérios de crédito.

Decisão de manter o cartão de crédito consignado

A administração Lula optou por não retirar o cartão de crédito consignado do programa, ao contrário de propostas de alguns parlamentares. A justificativa oficial aponta para a necessidade de preservar a liquidez dos beneficiários.

Reação de entidades de defesa do consumidor

Organizações como o Procon e a Associação Nacional dos Idosos classificam a medida como "prática predatória". Elas argumentam que as taxas de juros permanecem acima da média de mercado.

Base legal e regulamentação vigente

O crédito consignado está amparado pela Lei nº 10.820/2003, que estabelece limites de juros e regras de contratação. Alterações recentes no decreto presidencial de 2025 permitem a manutenção de cartões de crédito com juros de até 3,5% ao mês.

Dados comparativos do crédito consignado

Ano Beneficiários ativos Valor total concedido (R$) Taxa média de juros (%)
2023 7,8 milhões 45,2 bilhões 2,9
2025 8,1 milhões 48,6 bilhões 3,2
2026 (projeção) 8,3 milhões 51,0 bilhões 3,5

Os números mostram crescimento contínuo do número de beneficiários e do volume de crédito, apesar do aumento da taxa de juros.

Impacto no mercado financeiro

Os bancos reportam aumento de 12% nas carteiras de crédito consignado desde a implementação do Desenrola 2.0. A rentabilidade desses produtos supera a média de outros empréstimos pessoais.

Repercussão nas contas do INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social estima que a manutenção do crédito pode elevar o déficit anual em até R$ 2,3 bilhões. O custo adicional será absorvido pelo Fundo de Manutenção da Previdência Social (FMP).

Posicionamento das agências de proteção ao idoso

O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa recomenda revisão urgente das taxas de juros e limites de endividamento. A entidade solicita que o Ministério da Saúde e o Ministério da Economia trabalhem em conjunto.

Declaração do Ministério da Economia

O secretário de Política Econômica afirmou que a medida visa "garantir acesso ao crédito em um cenário de alta inflação". O ministério ressalta que o programa será monitorado por indicadores de vulnerabilidade.

Cronologia dos principais fatos

  • 01/03/2024 – Lançamento do Desenrola 2.0.
  • 15/04/2025 – Proposta de exclusão do cartão consignado no Congresso.
  • 08/05/2026 – Anúncio oficial da manutenção do crédito pelo governo Lula.
  • 12/05/2026 – Publicação de pareceres críticos por entidades de defesa do consumidor.

Perspectivas de alterações regulatórias

Especialistas apontam que o Conselho Monetário Nacional pode rever o teto de juros até o final de 2026. A expectativa é que haja maior alinhamento com as normas de proteção ao crédito vulnerável.

A Visão do Especialista

Analistas de política pública concluem que a manutenção do crédito consignado no Desenrola 2.0 representa um dilema entre inclusão financeira e risco de endividamento excessivo. Recomenda‑se a implementação de mecanismos de educação financeira e de controle de limites de contratação para evitar a deterioração do patrimônio dos idosos.

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