O diagnóstico da rede de abastecimento de Várzea Grande marca o início efetivo da recuperação hídrica no município. Equipes técnicas do Governo de Mato Grosso e do Departamento de Água e Esgoto (DAE‑VG) iniciaram, nesta semana (30/07/2026), a avaliação detalhada das estações de tratamento de água (ETAs) e dos reservatórios de apoio (RAPs).
Contexto histórico da crise hídrica
Desde 2022, Várzea Grande enfrenta interrupções recorrentes que comprometem o direito básico à água potável. A escassez de recursos financeiros, a degradação da infraestrutura e a falta de manutenção preventiva culminaram em perdas operacionais superiores a 30 %.
Aliança pela Água: parceria estratégica
O programa Aliança pela Água reúne Estado, município, Ministério Público e Tribunal de Contas em um acordo de governança compartilhada. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estabelece metas claras e permite a liberação de até R$ 60 milhões para a reestruturação do DAE‑VG.
Diagnóstico técnico das ETAs e RAPs
Os técnicos percorreram 12 unidades operacionais, analisando captação, tratamento, reservação e distribuição. Foram aplicados protocolos de inspeção visual, ensaios de vazão e testes de qualidade microbiológica, conforme normas da Agência Nacional de Águas (ANA).
Metodologia e critérios de avaliação
O levantamento seguiu quatro eixos: integridade estrutural, eficiência energética, capacidade de produção e vulnerabilidade a falhas. Cada critério recebeu pontuação de 0 a 5, permitindo a criação de um índice de prioridade (IPI) para os investimentos.
Principais gargalos identificados
Os resultados preliminares apontam três gargalos críticos que exigem intervenção imediata.
- Obsolescência das bombas de elevação nas ETAs, com eficiência média de 58 %;
- Capacidade de reservação abaixo de 70 % da demanda máxima (aprox. 45 mil m³/dia);
- Fugas não controladas em 12 % da rede de distribuição, gerando perdas de cerca de 9 mil m³/dia.
Investimento previsto e alocação de recursos
O aporte de R$ 60 milhões será distribuído entre aquisição de equipamentos, obras de reforço estrutural e modernização de sistemas de controle. Aproximadamente 45 % destinam‑se à substituição de bombas, 30 % à ampliação dos reservatórios e 25 % à implantação de sensores IoT para monitoramento em tempo real.
Cronograma de execução
O plano de ação prevê etapas sequenciais ao longo de 12 meses, alinhadas ao calendário de concessão privada prevista para 2027.
- Fase 1 (0‑3 meses): conclusão do diagnóstico e definição das obras prioritárias;
- Fase 2 (4‑8 meses):> execução das obras de reforço nas ETAs e expansão dos RAPs;
- Fase 3 (9‑12 meses):> instalação de sistemas de automação e treinamento de pessoal.
Impactos esperados na oferta de água
Com a conclusão das intervenções, a capacidade de produção deverá crescer de 120 mil m³/dia para 180 mil m³/dia. A expectativa é reduzir as interrupções para menos de 2 % do tempo anual, atendendo confortavelmente os 300 mil habitantes.
Comparativo de capacidade antes e depois da recuperação
| Indicador | Antes (2026) | Meta Pós‑Obra (2027) |
|---|---|---|
| Capacidade de produção (m³/dia) | 120 000 | 180 000 |
| Taxa de perdas na rede (%) | 12 % | 5 % |
| Disponibilidade operacional (%) | 68 % | 95 % |
| Investimento total (R$) | — | 60 milhões |
Repercussão no mercado e na concessão privada
A reestruturação da rede aumenta a atratividade da futura concessão, reduzindo riscos financeiros para investidores. Estudos da BNDES indicam que projetos com melhoria de infraestrutura hídrica apresentam retorno sobre investimento (ROI) médio de 12 % ao ano.
Visão de especialistas em recursos hídricos
Segundo a professora Ana Lúcia Pereira, da UFMT, "a intervenção coordenada entre governo e agência reguladora cria um modelo replicável para outras cidades da região Centro‑Oeste". Ela destaca ainda a importância de monitoramento contínuo para evitar retrocessos.
A Visão do Especialista
Do ponto de vista técnico e econômico, o diagnóstico representa a pedra angular para uma gestão sustentável da água em Várzea Grande. A alocação estratégica de R$ 60 milhões, aliada a um cronograma rigoroso, deve restaurar a confiabilidade da rede antes da concessão privada. Contudo, o sucesso dependerá da execução disciplinada e do acompanhamento transparente dos indicadores de desempenho, garantindo que a população usufrua de um serviço de qualidade e que o investimento público gere valor público duradouro.
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