O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alerta de tempo seco para 304 municípios de Minas Gerais, com umidade relativa entre 20% e 30%. Essa condição está muito abaixo da faixa de 40% a 70% recomendada pela OMS e pode desencadear sérios problemas de saúde respiratória até 2027.

Condições climáticas e projeções até 2027

O fenômeno El Niño, previsto para se estender até o início de 2027, eleva as temperaturas e reduz as chuvas na região Centro‑Norte do Brasil. Estudos do CPTEC mostram que a temperatura média pode ficar 1,5 °C acima do normal, enquanto a precipitação pode cair até 35%.

Essa combinação de calor excessivo e baixa umidade favorece a secagem da vegetação e a propagação de incêndios florestais. Dados do Ministério da Saúde indicam que Minas Gerais já é o sexto estado com maior número de focos de calor na última semana.

Impactos na saúde respiratória dos mineiros

O ar seco aumenta a concentração de partículas finas (PM2,5) e gases tóxicos emitidos pelas queimadas. Essas substâncias penetram até os alvéolos, desencadeando inflamação sistêmica e agravando doenças como asma, bronquite e DPOC.

Populações vulneráveis – crianças, idosos e pacientes crônicos – apresentam risco elevado de pneumonias, infarto e AVC durante períodos de estiagem prolongada. A literatura médica associa a exposição a PM2,5 a um aumento de 12% nas hospitalizações por insuficiência respiratória.

Dados de incidência de queimadas e qualidade do ar

Mês/2026Focos de calor (unidades)Umidade média (%)Concentração média de PM2,5 (µg/m³)
Junho1122878
Julho1452495
Agosto16722108

Os valores de PM2,5 registrados superam em até 3 vezes o limite diário de 35 µg/m³ estabelecido pela OMS. Essa situação eleva o risco de eventos agudos de saúde em toda a população mineira.

Recomendações de especialistas para a população

  • Hidratação constante: ingerir água a cada duas horas, mesmo sem sensação de sede.
  • Uso de umidificadores ou recipientes com água em ambientes internos.
  • Lavagem nasal com soro fisiológico para aliviar o ressecamento das mucosas.
  • Uso de máscaras N95 ao se expor ao ar externo, principalmente durante queimadas.
  • Manutenção rigorosa de medicação para asma, DPOC e alergias, com plano de ação revisado.

Fabiana Lima, pneumologista pediátrica, alerta que a falta de hidratação pode intensificar a irritação das vias aéreas e precipitar crises de chiado. A monitorização de sinais como respiração rápida, lábios arroxeados e sonolência excessiva deve ser imediata.

Medidas de mitigação e políticas públicas

Os órgãos estaduais de saúde e meio ambiente precisam integrar sistemas de alerta precoce para incêndios e qualidade do ar. A implementação de sensores de umidade e PM2,5 em áreas urbanas facilita a comunicação de risco à população.

Investimentos em reflorestamento e manejo sustentável da vegetação são essenciais para reduzir a carga de material combustível. Programas como o Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) já mostram redução de 18% nos focos de calor em municípios piloto.

A Visão do Especialista

O cenário projetado até 2027 indica que a combinação de El Niño, ar seco e queimadas representará um desafio crônico para a saúde pública em Minas Gerais. É imperativo que autoridades adotem políticas integradas de monitoramento climático, controle de emissões e educação da população, enquanto profissionais de saúde reforçam protocolos de prevenção e tratamento precoce.

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