A Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim consagrando a Espanha como campeã, mas o legado do torneio vai além das quatro linhas. Esta edição não apenas quebrou recordes de receita, ultrapassando a marca de US$ 11 bilhões em arrecadação, como também se viu envolta em polêmicas políticas e críticas à gestão de Gianni Infantino, presidente da FIFA. A mistura de interesses políticos e financeiros levantou questionamentos sobre os rumos do futebol global.

Receita recorde: a máquina de fazer dinheiro da FIFA

A FIFA anunciou um aumento de US$ 2 bilhões na receita prevista para o ciclo de quatro anos que culminou na Copa de 2026, superando as expectativas iniciais de US$ 9 bilhões. O evento, que contou com a participação de 48 seleções e foi realizado em 16 cidades norte-americanas, foi descrito como o mais lucrativo da história do futebol.

Com mais de 15 milhões de espectadores lotando estádios e áreas de fan fest, a Copa trouxe um novo patamar de popularidade para a modalidade nos Estados Unidos. Porém, essa popularidade veio a um custo elevado: os ingressos com preços dinâmicos foram alvo de críticas por parte de torcedores, que enfrentaram valores recordes para assistir às partidas.

Preços dinâmicos e a insatisfação dos torcedores

Pela primeira vez, a FIFA implementou o modelo de preços dinâmicos para a venda de ingressos, ajustando os valores em tempo real com base na demanda e na disponibilidade. Isso resultou em um aumento significativo no custo para o público, com relatos de ingressos sendo vendidos por valores exorbitantes.

Além disso, a FIFA explorou novas fontes de receita, como a venda de pedaços do gramado da final, preservados em resina e acompanhados de miniaturas do troféu oficial, ao custo de US$ 3.000 cada. A estratégia levantou questionamentos sobre a priorização do lucro em detrimento da acessibilidade para os fãs.

Intervenção política e a crise de credibilidade

O torneio também foi marcado por episódios que escancararam a influência política no futebol, com destaque para a controvérsia envolvendo o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Durante a fase eliminatória, Trump interveio em favor do jogador americano Folarin Balogun, que estava suspenso por uma partida. Após uma ligação direta de Trump para Infantino, a punição foi revogada, gerando críticas generalizadas sobre a falta de independência da FIFA.

Essas ações, somadas a eventos como a criação de um Prêmio da Paz da FIFA especialmente para Trump e outras decisões controversas, fortaleceram as alegações de que a entidade máxima do futebol está cada vez mais submissa a interesses políticos.

O impacto das transmissões e a publicidade milionária

A FIFA também inovou no formato dos jogos, introduzindo pausas para hidratação, justificadas como medidas para preservar a saúde dos atletas em climas quentes. Contudo, especialistas apontam que essas pausas criaram novas oportunidades de venda de comerciais para as emissoras, gerando receitas estimadas em US$ 500 milhões apenas com anúncios de 30 segundos durante os intervalos adicionais.

O resultado foi uma explosão da arrecadação publicitária, com valores que variaram de US$ 250 mil a US$ 750 mil por comercial, dependendo da fase do torneio e da audiência esperada. A estratégia não foi bem recebida por torcedores, que vaiaram as pausas nos estádios, mas certamente agradou investidores e emissoras.

Polêmicas extracampo: de Malvinas à Palestina

Além das tensões políticas envolvendo os Estados Unidos, outras controvérsias marcaram o torneio. Jogadores argentinos exibiram uma faixa em apoio à reivindicação do país sobre as Ilhas Malvinas após a vitória sobre a Inglaterra, gerando protestos do governo britânico. Já o técnico do Egito foi flagrado com uma bandeira da Palestina após vencer a Austrália, reacendendo debates sobre o papel do esporte em questões geopolíticas.

Esses episódios evidenciam como o futebol permanece um palco para manifestações políticas e sociais, apesar das tentativas da FIFA de neutralizar a politização do esporte. Paradoxalmente, a entidade foi acusada de fazer o contrário ao se alinhar a interesses governamentais norte-americanos.

O futuro da Copa: expansão ou saturação?

Com a edição de 2026 consolidada como a maior Copa do Mundo da história, com 104 jogos ao longo de 39 dias, a FIFA já discute a possibilidade de expansão para 64 seleções em 2030. Embora o formato atual tenha proporcionado surpresas, como sete seleções estreantes nas fases eliminatórias, muitos jogadores e técnicos têm criticado o calendário desgastante.

Além disso, a logística de sediar o torneio em seis países diferentes em 2030 promete ser um grande desafio. A expansão pode gerar ainda mais receitas, mas também levanta preocupações sobre a sustentabilidade do modelo, tanto para os atletas quanto para os torcedores.

A Visão do Especialista

A Copa do Mundo de 2026 foi um marco no futebol, tanto pelos números expressivos quanto pelas polêmicas que a cercaram. É inegável que a FIFA se consolidou como uma das organizações mais lucrativas do mundo esportivo, mas a que custo? O torneio revelou fissuras profundas entre os interesses comerciais e políticos da entidade e os valores que deveriam nortear o esporte.

O desafio para o futuro será equilibrar o crescimento financeiro com a preservação da integridade do futebol. A proposta de expandir ainda mais a competição para 64 seleções em 2030 pode aumentar as receitas, mas também exacerbar as críticas sobre a saturação do calendário e o distanciamento em relação aos torcedores.

Por fim, fica o alerta: embora a FIFA celebre os números recordes, a crescente insatisfação entre jogadores, técnicos e fãs pode se transformar em um problema estrutural. A entidade terá que decidir se deseja continuar priorizando o lucro imediato ou se está disposta a ouvir seu público e preservar os valores que fizeram do futebol o esporte mais amado do mundo.

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