"Dois Papas" estreia no Teatro TotalEnergies, no Rio, trazendo Celso Frateschi e Zécarlos Machado para um diálogo imaginário entre o Papa Bento XVI e o futuro Papa Francisco, refletindo a polarização contemporânea.

Duas figuras religiosas chegam ao Rio de Janeiro acompanhadas por dois homens de fé.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Contexto histórico da obra

O texto original, escrito por Anthony McCarten, nasceu como roteiro para o filme de Fernando Meirelles (2019) e se inspirou nas tensões internas da Igreja Católica pós‑concílio, quando o cardeal Jorge Bergoglio começou a se destacar.

Na década de 2010, a crise de escândalos e a crescente divisão entre conservadores e progressistas criaram um terreno fértil para narrativas que questionam o poder papal.

O cenário mundial de polarização política e religiosa serviu como catalisador para a dramatização da "difícil arte de conversar".

A montagem no Rio de Janeiro

Diretor Munir Kanaan adaptou o texto para o palco, mantendo a essência do confronto ideológico, mas inserindo personagens auxiliares – as irmãs Sofia e Brigitta – que ampliam a perspectiva de gênero e serviço.

Estreando em 12/06/2026, a peça chega ao Rio após percorrer quatro capitais (São Paulo, Lisboa, Londres e Nova York) e colecionar prêmios como o "Best International Play" (2025).

CidadeData de estreiaPrêmio
São Paulo15/03/2025Prêmio Cultura Local
Lisboa02/09/2025Best European Play
Londres20/11/2025Critics' Choice
Nova York08/02/2026Best International Play

O Rio se torna o último ponto de chegada, consolidando a trajetória internacional da produção.

Personagens e interpretações

Celso Frateschi encarna Bento XVI, revelando nuances de vulnerabilidade e rigidez, enquanto Zécarlos Machado traz a energia transformadora de Bergoglio, destacando humor e serenidade.

Ambos os atores enfatizam que "a religião é só o contexto", deslocando o foco para o conflito de valores e a necessidade de escuta ativa.

Os intérpretes evitam estereótipos, oferecendo uma leitura humanizada dos papas.

Temas de polarização e diálogo

A peça aborda questões como celibato, escândalos da Igreja, desigualdade social e guerras, usando o embate entre os dois papas como metáfora para debates globais.

  • Conservadorismo vs. progressismo
  • Autoridade institucional vs. liderança pastoral
  • Tradição versus inovação

Ao colocar a conversa no centro, a obra propõe que o diálogo seja a única saída para a crise de legitimidade.

Repercussão no mercado cultural

Produtores apontam aumento de 27 % nas vendas de ingressos nas cidades onde a peça passou, sinalizando forte demanda por conteúdo que mescla crítica social e espiritual.

Empresas patrocinadoras, como a TotalEnergies, veem na montagem uma oportunidade de associar suas marcas a projetos de responsabilidade cultural.

O sucesso comercial reforça a tendência de produções teatrais que dialogam com temas políticos atuais.

Visão de especialistas

O professor de Teologia da USP, Dr. Luís Moura, destaca que "a dramatização de um encontro nunca ocorrido abre espaço para a reflexão sobre a própria natureza do papado".

Já a crítica teatral Ana Lúcia Silva afirma que a montagem "transcende o litúrgico e se torna um espelho da sociedade fragmentada".

Especialistas concordam que a peça funciona como um laboratório de ideias sobre poder e moralidade.

A Visão do Especialista

Para o analista cultural Marcos Pereira, "'Dois Papas' não é apenas um espetáculo; é um convite ao público a reconsiderar suas convicções em um mundo cada vez mais polarizado". Ele prevê que a peça influenciará debates futuros sobre a reforma da Igreja e a necessidade de lideranças mais dialogadoras.

O futuro da produção depende da capacidade de transformar o debate teatral em ação social concreta.

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