O dólar comercial à vista fechou abaixo de R$ 5, cotado a R$ 4,997, nesta segunda-feira (13), marcando o menor valor desde 27 de março de 2024. Este é um marco significativo, já que a moeda norte-americana não registrava um patamar tão baixo há mais de dois anos. A queda de 0,29% no dia reflete uma combinação de fatores externos e internos que têm moldado o cenário econômico global e brasileiro.

Contexto histórico: trajetória do dólar nos últimos anos
Desde o início de 2024, o dólar vinha se mantendo acima da marca de R$ 5, pressionado por incertezas geopolíticas e econômicas. A volatilidade causada por tensões no Oriente Médio, alta global dos juros e incertezas fiscais no Brasil foram fatores que sustentaram a valorização da moeda norte-americana.
No entanto, em 2026, o cenário começou a mudar. A recuperação econômica global, a estabilização das commodities e o fluxo positivo de capitais estrangeiros para mercados emergentes, incluindo o Brasil, contribuíram para a queda consistente do dólar ao longo do ano.
O que levou à queda recente do dólar?
Três fatores principais explicam a desvalorização recente do dólar frente ao real:
- Declarações de Donald Trump: O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Irã estaria disposto a negociar, reduzindo a tensão no Estreito de Ormuz, uma região estratégica para o comércio de petróleo. Isso diminuiu a aversão ao risco no mercado global.
- Queda do índice DXY: O índice, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, registrou recuo, indicando uma desvalorização generalizada da moeda americana.
- Fluxo de capital estrangeiro: O Brasil atraiu investidores internacionais devido ao bom desempenho de suas ações ligadas a commodities e à melhora na percepção de risco do país.
Impacto no mercado financeiro brasileiro
A queda do dólar teve um impacto direto na valorização do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, que fechou o dia com alta de 0,34%, atingindo um recorde histórico de 198.001 pontos. Este desempenho foi impulsionado por ações de empresas ligadas a commodities, como mineração e petróleo, que se beneficiam da alta nos preços internacionais dessas matérias-primas.
Além disso, o movimento foi sustentado pela entrada de capital estrangeiro, com investidores buscando mercados emergentes que ofereçam melhores retornos em um cenário de juros mais baixos em economias avançadas. No acumulado do mês, o Ibovespa já registra alta de 5,62%, enquanto no ano o crescimento é de impressionantes 22,89%.
O papel das commodities no cenário atual
As commodities continuam desempenhando um papel crucial na economia brasileira. Empresas como Vale e Petrobras, que têm forte exposição ao mercado internacional, lideraram os ganhos no pregão desta segunda-feira. O barril de petróleo tipo Brent, referência internacional, fechou em alta de 4,36%, cotado a US$ 99,36, enquanto o WTI subiu 2,6%, atingindo US$ 99,08.
A valorização dessas commodities é um reflexo direto das tensões no Oriente Médio e do bloqueio de portos iranianos pelos Estados Unidos, o que incrementou a demanda por estoques alternativos.
Comparativo de desempenho do dólar e outras moedas
| Moeda | Fechamento (13/04/2026) | Variação no dia | Menor valor desde |
|---|---|---|---|
| Dólar (USD/BRL) | R$ 4,997 | -0,29% | 27/03/2024 |
| Euro (EUR/BRL) | R$ 5,876 | -0,02% | Junho/2024 |
Tendências e projeções para o dólar
Apesar da recente queda, a volatilidade do mercado cambial deve continuar em alta devido às incertezas globais. A evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã será fundamental para definir os próximos passos do dólar. Além disso, o cenário doméstico brasileiro, incluindo o andamento das reformas econômicas e o controle do déficit fiscal, será determinante para a continuidade dessa trajetória de valorização do real.
Especialistas apontam que, caso o fluxo de capital estrangeiro permaneça positivo e as tensões geopolíticas se amenizem, o dólar pode até recuar para patamares próximos a R$ 4,90 nos próximos meses. No entanto, qualquer revés nesse cenário poderá reverter rapidamente essa tendência.
A Visão do Especialista
O fechamento do dólar abaixo de R$ 5 é um marco significativo para a economia brasileira, mas deve ser encarado com cautela. Embora seja um indicador positivo de confiança do mercado no Brasil, ele não deve ser interpretado como a resolução de todos os problemas estruturais da economia brasileira.
A combinação de fatores globais, como tensões geopolíticas e a performance do dólar frente a outras moedas, e locais, como o fluxo de capital estrangeiro e o desempenho das exportações de commodities, continuará a influenciar o câmbio. Para investidores e empresas, este é um momento de atenção e planejamento estratégico, especialmente para aqueles que dependem de importações ou exportações.
Com o cenário global ainda incerto, uma boa estratégia é diversificar investimentos e acompanhar de perto os desdobramentos no Oriente Médio e as ações do governo brasileiro em áreas como política fiscal e monetária. Enquanto o dólar abaixo de R$ 5 traz alívio para consumidores e empresas, os desafios estruturais ainda estão postos e exigem atenção redobrada.
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