Ricardo Magro, dono do grupo Refit, foi preso preventivamente nesta sexta‑feira (16/05/2026) e teve seu nome incluído na lista vermelha da Interpol por ordem do STF. A medida ocorreu após a Operação Sem Refino, coordenada pela Polícia Federal em parceria com a Receita Federal, que mirou um suposto esquema de ocultação patrimonial e evasão de divisas no setor de combustíveis.

Homem em traje de negócios sendo levado por policiais federais em uma operação de prisão.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Operação Sem Refino: alvos e abrangência

A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete de afastamento em três unidades da federação. As diligências foram realizadas no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, atingindo residências, escritórios e veículos associados a Magro e a outros investigados.

Ex‑governador Cláudio Castro também é alvo

O ex‑governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), teve um apartamento vasculhado pelos agentes. O mandado foi expedido no mesmo contexto da ADPF 635/RJ, que busca desarticular a ligação entre organizações criminosas e agentes públicos no estado.

Base jurídica: ADPF 635/RJ

O relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, autorizou o bloqueio de ativos e a suspensão de atividades econômicas. A ADPF, conhecida como "ADPF das Favelas", serve como instrumento para combater o financiamento de milícias e o tráfico de combustíveis ilícitos.

Bloqueio de R$ 52 bilhões e outras medidas

O STF determinou o congelamento de aproximadamente R$ 52 bilhões em contas, bens e participações de empresas ligadas ao grupo Refit. Além disso, foram impostas medidas cautelares que impedem a exportação de petróleo bruto e a comercialização de derivados por parte das empresas investigadas.

Perfil de Ricardo Magro e histórico da Refit

Magro, advogado de formação e residente em Miami desde a década passada, controla a Refinaria de Manguinhos e outras unidades do conglomerado. Seu nome já figurava em investigações anteriores, como a Operação Poço de Lobato (2025) e a Operação Recomeço (2016), que apontaram fraudes fiscais e desvios de recursos.

Dívidas e processos judiciais anteriores

As dívidas acumuladas pelos negócios de Magro ultrapassam R$ 26 bilhões, incluindo tributos estaduais e federais. Em 2024, a Receita Federal identificou indícios de fraudes que geravam até R$ 350 milhões mensais, envolvendo uma rede de distribuidores, importadores e fundos de investimento.

Posicionamento da Refit diante das acusações

A empresa nega qualquer irregularidade, alegando que as investigações prejudicam a livre concorrência no setor de combustíveis. Em nota oficial, a Refit afirmou que pagou R$ 1 bilhão ao Estado do Rio no último exercício e que nunca forneceu combustível a organizações criminosas.

Impacto no mercado de combustíveis

Analistas de energia apontam que a paralisação das atividades da Refit pode elevar os preços regionais de gasolina e diesel. O grupo responde por cerca de 12 % da capacidade de refino nacional, e sua retirada temporária pode gerar escassez de oferta em estados como Rio de Janeiro e São Paulo.

Opinião de especialistas

Segundo o economista Dr. Luís F. Pereira, "o bloqueio de R$ 52 bilhões representa um marco no combate à lavagem de dinheiro no setor de energia". O jurista Prof. Mariana Souza acrescenta que a medida reforça a eficácia das ADPFs como ferramenta de controle institucional.

Dados comparativos da operação

ItemValor
Bloqueio de ativos (STF)R$ 52 bi
Dívidas fiscais de MagroR$ 26 bi
Pagamentos ao Rio (último exercício)R$ 1 bi
Mandados cumpridos (PF)17 buscas + 7 afastamentos

Repercussão política nacional e internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a cooperação dos EUA para a extradição de Magro. Em entrevista, Lula afirmou que "a prisão nos Estados Unidos é necessária para garantir que o crime organizado não encontre refúgio". A declaração gerou respostas do ex‑presidente Donald Trump, que se mostrou disposto a colaborar com as autoridades brasileiras.

Próximos desdobramentos judiciais

O processo deverá avançar na Justiça Federal, onde o Ministério Público pretende requerer a decretação da falência parcial das empresas envolvidas. Enquanto isso, a Receita Federal mantém a fiscalização intensiva sobre as operações de importação de petróleo bruto.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista de compliance, a Operação Sem Refino evidencia a necessidade de reforçar mecanismos de due‑diligence nas cadeias de suprimento de energia. Espera‑se que o bloqueio de ativos sirva de precedente para futuras ações contra conglomerados que utilizam estruturas offshore para ocultar recursos. O mercado de combustíveis deve observar uma reconfiguração de poder, com possíveis oportunidades para empresas que adotem práticas transparentes e sustentáveis.

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