A pesquisa realizada pelo Instituto Quaest e divulgada em 27 de abril de 2026 trouxe os primeiros números sobre a corrida eleitoral para o governo do Paraná. Encomendada pela Genial Investimentos, o levantamento ouviu 1.104 eleitores paranaenses com 16 anos ou mais entre os dias 21 e 25 de abril. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. O registro oficial da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é PR-02588/2026.

Os cenários testados pela pesquisa

A pesquisa Quaest simulou dois cenários distintos para o primeiro turno das eleições ao governo do Paraná em 2026. Ambos os cenários incluíram nomes de peso da política estadual e nacional, como o senador Sergio Moro (PL), o deputado estadual Requião Filho (MDB) e o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD).

No primeiro cenário, que incluiu um número maior de candidatos, Sergio Moro liderou com 29% das intenções de voto, seguido por Requião Filho, com 20%, e Rafael Greca, com 15%. Outros candidatos somaram entre 5% e 10%, enquanto os indecisos e votos brancos ou nulos representaram 26%.

No segundo cenário, reduzido a uma disputa mais enxuta, os números de Moro subiram para 31%, enquanto Requião Filho e Rafael Greca obtiveram 22% e 18%, respectivamente. Nessa simulação, indecisos e votos brancos ou nulos caíram para 18%.

Simulações de segundo turno

A Quaest também apresentou quatro cenários de segundo turno, todos envolvendo Sergio Moro contra diferentes adversários. Os resultados indicam uma vantagem consistente do senador:

Cenário Sergio Moro Adversário
Moro x Requião Filho 52% 40%
Moro x Rafael Greca 55% 38%
Moro x Candidato do PT 58% 35%
Moro x Candidato Independente 50% 44%

Em todos os cenários testados, Moro aparece como favorito para vencer no segundo turno, embora a margem varie conforme o adversário. A maior vantagem do senador ocorre contra um eventual candidato do PT, enquanto a menor diferença aparece contra um candidato independente.

O impacto do apoio de Ratinho Junior

A Quaest também investigou a influência do atual governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que optou por não se candidatar à presidência, preferindo concluir seu mandato estadual e apoiar um sucessor. Segundo os dados, 44% dos eleitores paranaenses preferem que o próximo governador seja um político independente. Por outro lado, 34% demonstraram preferência por alguém alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 17% preferem um candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Esse dado reflete a complexidade do eleitorado paranaense, que historicamente apresenta uma forte inclinação ao conservadorismo, mas que também valoriza a independência política em suas lideranças.

Contexto histórico e tendências no Paraná

O estado do Paraná é conhecido por sua diversidade política, alternando entre governos de diferentes espectros ideológicos ao longo das décadas. Desde 2003, o estado foi governado majoritariamente por partidos de direita e centro-direita, incluindo o PSDB e o PSD. No entanto, a tradição política paranaense também inclui nomes históricos ligados à esquerda, como José Richa e Roberto Requião.

O desempenho de Sergio Moro, ex-juiz da operação Lava Jato e atual senador, reflete sua popularidade no estado, especialmente entre os eleitores alinhados ao conservadorismo. Já os números de Requião Filho indicam que o MDB ainda possui uma base consolidada, herança do legado político de seu pai, Roberto Requião.

Repercussões no mercado e na política nacional

O Paraná, como um dos estados-chave na economia brasileira, possui grande influência no agronegócio e na infraestrutura logística, sendo um dos principais exportadores de grãos e produtos industrializados. A eleição do próximo governador deve repercutir diretamente na condução de políticas públicas voltadas para esses setores.

Especialistas apontam que uma vitória de Sergio Moro pode reforçar a pauta liberal e anticorrupção, enquanto candidatos como Requião Filho podem buscar fortalecer alianças com o governo federal. Já Rafael Greca, caso avance no pleito, deve se posicionar como um gestor técnico, focado em projetos de infraestrutura e urbanização.

Desafios para os candidatos

Os desafios da próxima gestão são significativos. Entre eles, destacam-se a recuperação econômica pós-pandemia, os impactos das mudanças climáticas no agronegócio e a necessidade de melhorias na infraestrutura de transporte e logística.

Além disso, com a polarização política em nível nacional, os candidatos terão que equilibrar seus discursos para atrair tanto o eleitorado conservador quanto os que buscam uma alternativa independente, como indicado pela pesquisa.

A Visão do Especialista

Com base nos dados apresentados, a pesquisa Quaest indica que Sergio Moro é o favorito inicial na corrida para o governo do Paraná. No entanto, como mostram as altas taxas de indecisos e de votos brancos/nulos, o cenário ainda está longe de estar consolidado.

O impacto do apoio de Ratinho Junior, embora significativo, pode não ser determinante, considerando o desejo de boa parte do eleitorado por maior independência política. Além disso, o desempenho de Requião Filho e Rafael Greca sugere que a disputa pode se acirrar, especialmente com o avanço da campanha e o início dos debates.

Com um cenário político nacional ainda polarizado, a eleição no Paraná será um termômetro para medir a força de Sergio Moro como liderança conservadora, bem como o alcance de alianças entre partidos locais e nacionais. Os próximos meses serão cruciais para definir a estratégia de campanha dos candidatos.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos e fique informado sobre os desdobramentos da eleição no Paraná!