Em Cuiabá, a expansão da gratuidade no transporte público para todos os dias da semana poderia injetar R$ 204,25 milhões na economia local anualmente. Essa política, já aplicada em domingos e feriados, tem potencial para transformar o cenário econômico e social da capital mato-grossense, segundo pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O impacto econômico direto e indireto

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A gratuidade no transporte público funciona como um estímulo econômico, ao liberar recursos que anteriormente eram destinados ao pagamento de passagens. Este montante pode ser redirecionado para consumo, gerando um efeito cascata na economia local. Segundo os pesquisadores, a política resultaria em uma injeção de liquidez imediata, beneficiando especialmente famílias de baixa renda.

De acordo com o estudo, o impacto total da medida em Cuiabá poderia alcançar R$ 270,1 milhões, considerando as gratuidades já existentes. Nacionalmente, o efeito distributivo dessa política em todas as capitais brasileiras seria de R$ 60,3 bilhões.

Mulheres e homens embarcam em ônibus de Cuiabá, cidade que poderia economizar R$ 204,2 milhões com gratuidade nos veículos.
Fonte: www.diariodecuiaba.com.br | Reprodução

Por que a tarifa zero é comparada ao Bolsa Família?

Os pesquisadores destacam que a tarifa zero poderia ter um papel similar ao do Bolsa Família, ao funcionar como um "salário indireto". Isso ocorre porque a medida promove uma redistribuição de renda, beneficiando sobretudo grupos vulneráveis, como a população negra e moradores de periferias.

A gratuidade no transporte público também é defendida como um direito social, comparável ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à educação pública, ampliando o acesso a serviços, empregos e oportunidades.

O caso de Cuiabá: Uma política já em prática

Desde abril de 2025, a Prefeitura de Cuiabá implementou a gratuidade no transporte coletivo em domingos e feriados, por meio da Lei Municipal nº 7.248/2025. Em um ano, a iniciativa já resultou em mais de 1,3 milhão de passagens gratuitas, segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Segurança Pública.

Com uma tarifa atual de R$ 4,95, o custo do transporte é um peso significativo no orçamento familiar. A gratuidade, portanto, representa uma economia direta para os cerca de 180 mil usuários diários do sistema de transporte público na capital.

Investimentos e retorno econômico

Em termos financeiros, a Prefeitura de Cuiabá investiu R$ 6,48 milhões na política de gratuidade durante o primeiro ano de implementação. Embora o valor possa parecer alto, o retorno econômico é ainda maior, considerando o aumento no consumo local e a arrecadação de impostos.

Além disso, a medida reduz barreiras econômicas, promovendo a inclusão social e facilitando o acesso da população a empregos, educação e lazer. Essa circulação de renda tem um impacto direto na economia local, gerando mais atividade comercial e empregos.

Consumo e arrecadação: Uma relação direta

Ao liberar recursos que seriam usados no transporte, as famílias têm maior poder de compra para itens essenciais e de consumo, como alimentos, medicamentos e vestuário. Essa mudança não apenas melhora a qualidade de vida, mas também estimula o comércio local.

O estudo ainda aponta que o aumento no consumo gera um crescimento na arrecadação de impostos sobre produtos, criando um efeito positivo em cadeia para a economia. Esse ciclo pode se traduzir em maior capacidade de investimento por parte dos governos locais.

Os desafios da implementação

Embora os benefícios sejam evidentes, a implementação da tarifa zero enfrenta desafios financeiros e operacionais. O custo para subsidiar o transporte público deve ser suportado por outras fontes de receita, como impostos ou parcerias público-privadas.

A questão da sustentabilidade do sistema também é crucial. Estudos indicam que é necessário garantir recursos consistentes para evitar prejuízos à qualidade do serviço e à manutenção da infraestrutura.

Como Cuiabá pode liderar o exemplo

Cuiabá está em uma posição única para se tornar referência nacional na implementação da tarifa zero. A política já em vigor nos domingos e feriados serve como um laboratório para avaliar os impactos e ajustar os modelos de financiamento.

O sucesso depende de um planejamento robusto, que inclua a diversificação das fontes de receita e a transparência na gestão dos recursos. Além disso, o engajamento da população e de setores produtivos é essencial para garantir a viabilidade a longo prazo.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista econômico, a tarifa zero no transporte público em Cuiabá representa uma oportunidade estratégica para reduzir desigualdades e estimular o crescimento econômico. No entanto, sua implementação exige compromissos claros com a sustentabilidade financeira e a qualidade do serviço.

Se bem executada, a política pode transformar o transporte público em um direito universal, alavancando a economia local e servindo como um modelo para outras cidades. Para os cidadãos, a mensagem é clara: a tarifa zero não é apenas uma questão de mobilidade, mas também de inclusão e desenvolvimento.

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