Delcy Rodríguez, presidenta em exercício da Venezuela, compareceu à Corte Internacional de Justiça em Haia na segunda‑feira (11/05/2026) para reafirmar a reivindicação histórica do país sobre a região do Essequibo, citando o Acordo de Genebra de 1966 como única via legítima de solução.

Delcy Rodríguez em reunião em Haia, defendendo direitos venezuelanos sobre o Essequibo.
Fonte: www.brasil247.com | Reprodução

Contexto histórico da disputa Essequibo

O conflito remonta ao século XVIII, quando a Capitania Geral da Venezuela incluiu a região nas suas fronteiras coloniais. Em 1777, documentos espanhóis delimitavam o território que hoje corresponde ao oeste da Guiana.

O Acordo de Genebra de 1966

Assinado por Venezuela e Guiana, o tratado estabeleceu mecanismos bilaterais de negociação e evitou a judicialização. O texto prevê comissões mistas e consultas diplomáticas para dirimir divergências territoriais.

Posição da Venezuela perante a CIJ

Rodríguez argumentou que a Corte não tem competência para decidir sobre questões que dependem de acordos bilaterais previamente firmados. Segundo Caracas, a CIJ foi acionada unilateralmente por Georgetown, violando o espírito do Acordo de Genebra.

Argumentos apresentados por Delcy Rodríguez

A líder venezuelana apresentou mais de 3 mil páginas de documentos históricos que, segundo a delegação, comprovam a titularidade venezuelana desde 1777. Ela destacou ainda que a Guiana tentou suprimir mapas e registros que reforçam a narrativa venezuelana.

Reação da Guiana e a estratégia de judicialização

Georgetown, ao recorrer à CIJ, buscou um foro internacional para legitimar sua posse sobre o território rico em recursos naturais. A Guiana argumenta que o Acordo de Genebra perdeu validade diante de mudanças geopolíticas e econômicas.

Descoberta de jazidas de petróleo em 2015

O levantamento de reservas petrolíferas no Essequibo intensificou o interesse de empresas transnacionais. Esse fator foi citado por Rodríguez como motivador da mudança de postura guianense.

O papel do Reino Unido

Rodríguez acusou o Reino Unido de bloquear o acesso venezuelano a arquivos históricos sob sua custódia. Ela afirmou que a Grã‑Bretanha nunca deteve soberania legítima sobre a região, reforçando a alegação de fraude documental.

Implicações econômicas e de mercado

Analistas de energia apontam que a indefinição da soberania pode atrasar investimentos em exploração de petróleo e gás. O risco de sanções e disputas legais eleva o custo de capital para projetos na fronteira.

Repercussão internacional

Organizações multilaterais, como a OEA, acompanharam o caso, ressaltando a necessidade de solução pacífica conforme o direito internacional. A disputa também influenciou discussões sobre a segurança energética da América do Sul.

Cronologia resumida

  • 1777 – Delimitação colonial espanhola da Capitania Geral da Venezuela.
  • 1966 – Assinatura do Acordo de Genebra entre Venezuela e Guiana.
  • 2015 – Descoberta de jazidas de petróleo no Essequibo.
  • 2024 – Guiana recorre à CIJ para resolver a disputa.
  • 11/05/2026 – Delcy Rodríguez apresenta defesa na Corte em Haia.

Resumo de eventos principais

DataEvento
1777Documentos coloniais definem fronteira venezuelana.
1966Acordo de Genebra estabelece mecanismo bilateral.
2015Descoberta de petróleo no Essequibo.
2024Guiana aciona a CIJ.
11/05/2026Delcy Rodríguez defende posição venezuelana em Haia.

A Visão do Especialista

Especialistas em direito internacional concluem que, enquanto o Acordo de Genebra permanece em vigor, a solução bilateral tem precedência sobre a judicialização. Contudo, a ausência de um canal de diálogo ativo pode levar a impasses que afetem investimentos e a estabilidade regional. O próximo passo provável será a pressão de organismos multilaterais para reativar as comissões previstas no tratado, buscando evitar que a disputa se transforme em conflito aberto.

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