Estiagens prolongadas em Goiás, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo estão forçando uma nova dinâmica de compra de milho em Mato Grosso para a safra 2025/26. O boletim de Oferta e Demanda do Imea, divulgado em 07/06/2026, já sinaliza um aumento significativo da demanda interestadual, refletindo a vulnerabilidade das regiões secas.

Estiagem nos principais estados produtores

A falta de chuvas reduziu a produção potencial de milho em mais de 30% nas áreas afetadas. Dados da Embrapa indicam que a precipitação acumulada nos últimos seis meses ficou abaixo de 50% da média histórica nos estados citados.

Impacto na demanda interestadual

O consumo interestadual de milho para a safra 2025/26 foi estimado em 9,15 milhões de toneladas. Essa projeção representa um ajuste de cerca de 8% acima da estimativa anterior, motivado pela necessidade de suprir as deficiências de produção nos estados em seca.

Expansão do consumo interno em Mato Grosso

Dentro do próprio MT, a demanda interna deve alcançar 22,10 milhões de toneladas, crescendo 11,67% em relação à safra 2024/25. O aumento está ligado ao crescimento da pecuária intensiva e à produção de etanol de milho.

A nova capacidade das usinas e a indústria de etanol

Dois novos complexos de beneficiamento entraram em operação em 2025, ampliando a capacidade de absorção do cereal em cerca de 1,5 milhão de toneladas. Essa expansão permite que o estado absorva a maior parte da demanda adicional sem depender de exportações.

Projeções de produção e produtividade

A produtividade média do milho em MT foi revisada para 120,28 sacas por hectare, um ganho de 1,32%. Com a área plantada mantida em 7,39 milhões de hectares, a produção total sobe para 53,35 milhões de toneladas.

Desempenho regional dentro do estado

O médio‑norte lidera com 125,61 sacas/ha, seguido pelo noroeste (121,10) e oeste (120,82). Esses números confirmam a heterogeneidade do potencial produtivo e orientam investimentos em tecnologia agrícola.

Perspectivas para exportação

Os embarques internacionais são projetados em 23,10 milhões de toneladas, retraindo 4,47% frente à safra anterior. A queda reflete a priorização do mercado interno e a necessidade de manter estoques estratégicos.

Estoque final e risco de escassez

O estoque final estimado para MT é de 620,5 mil toneladas, 17,29% abaixo da previsão inicial. Essa redução eleva a vulnerabilidade do estado a choques de demanda e reforça a importância de políticas de reserva.

Repercussão no preço do milho

Os contratos futuros da B3 já apresentam alta de 6% desde o início do ano, impulsionados pela combinação de seca nas regiões produtoras e aumento da demanda interna. Analistas apontam que a tendência pode se manter até a colheita de 2025/26.

Visão dos especialistas

Rodrigo Silva, coordenador de inteligência de mercado do Imea, destaca que a consolidação da agroindustrialização do milho em MT é o principal motor desse cenário. "A expansão da cadeia de proteínas animais e o etanol de milho criam uma demanda estrutural que supera a variação climática temporária", afirma.

IndicadorValor 2025/26Variação
Demanda interestadual9,15 milhões t+8 %
Consumo interno (MT)22,10 milhões t+11,67 %
Exportações23,10 milhões t-4,47 %
Estoques finais620,5 mil t-17,29 %
Produção total (MT)53,35 milhões t+1,32 %

A Visão do Especialista

O cenário indica que Mato Grosso está se consolidando como o principal hub de milho no Brasil, capaz de absorver choques climáticos de outras regiões. Contudo, a queda nos estoques e a dependência de duas novas usinas exigem atenção regulatória e investimentos em infraestrutura de armazenamento. Para produtores, a recomendação é diversificar contratos e acompanhar de perto os indicadores de precipitação nas regiões secas, enquanto os formuladores de política devem considerar incentivos para reserva estratégica de grãos, mitigando riscos de escassez e estabilizando preços.

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