Empresas mineiras estão convertendo resíduos industriais em novas fontes de receita, impulsionando a economia verde do estado. Desde a implementação de projetos de reúso de água e de aproveitamento de subprodutos como a jarosita, negócios de diferentes setores demonstram que a sustentabilidade pode ser rentável.

Empresas em Minas Gerais convertem resíduos em receita sustentável.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

Contexto histórico e regulatório

Nos últimos dez anos, a legislação ambiental brasileira evoluiu, exigindo destinação adequada de efluentes e resíduos sólidos. Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 22.707/2019 estabeleceu metas de redução de desperdício, estimulando iniciativas de economia circular nas indústrias.

Reúso de água pela Copasa

Empresas em Minas Gerais convertem resíduos em receita sustentável.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

A Copasa, concessionária de saneamento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, substituiu água potável por água tratada de esgoto para limpeza interna. Essa mudança economiza 65 milhões de litros de água tratada por ano, gerando economia de R$ 1,8 milhão.

  • Volume de água reutilizada: 65 milhões L/ano
  • Economia financeira: R$ 1,8 mi/ano
  • Perspectiva de receita adicional: R$ 350 mil com venda para indústrias

Transformação da jarosita em tijolos ecológicos

A Nexa Ressources, em Juiz de Fora, converte a jarosita – subproduto amarelo‑ocre da produção de zinco – em aditivo para tijolos. Em parceria com a startup Geeco e a VRD Tijolos Ecológicos, o material foi incorporado a 600 mil unidades já comercializadas.

IndicadorValor
Tijolos vendidos600 mil unidades
Consumo projetado de jarosita2 mil toneladas/ano
Valor de venda da jarositaNão divulgado

Impacto econômico setorial

Segundo a Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif), a circularidade em Minas gera ganhos equivalentes a 0,8 % do PIB estadual, ao mesmo tempo que reduz a pressão sobre recursos hídricos e minerais.

Energia renovável e autoprodução: o caso da Samarco

A Samarco firmou acordo com a Casa dos Ventos para adquirir 45 MW de energia eólica a partir de 2027, mantendo 100 % de fontes renováveis. Esse modelo reduz a vulnerabilidade a oscilações de preço e reforça a estratégia de descarbonização.

Repercussão no mercado financeiro

Analistas da XP Investimentos apontam que empresas que adotam práticas circulares apresentam múltiplos de avaliação até 12 % superiores à média setorial, refletindo menor risco regulatório e maior potencial de crescimento.

Desafios técnicos e de rastreabilidade

O uso da jarosita requer controle rigoroso de composição química para garantir a qualidade dos tijolos. Laboratórios acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) foram incorporados ao processo, assegurando conformidade com normas ISO 14001.

Políticas de incentivo estadual

O Programa Minas Sustentável, com investimento de R$ 120 milhões, oferece linhas de crédito com juros reduzidos para projetos de reutilização de resíduos. Em 2025, mais de 35 empresas receberam financiamento para iniciativas semelhantes.

Perspectivas de expansão

Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) projetam que a demanda por materiais de construção ecológicos crescerá 18 % ao ano até 2030, impulsionando a adoção de aditivos como a jarosita em todo o Brasil.

Casos de sucesso complementares

Além da Copasa e da Nexa, a Mineradora Vale lançou em 2024 um programa de reaproveitamento de escória de ferro para produção de concreto de alta resistência, já gerando receita de R$ 2,3 milhões.

Considerações ambientais

Ao evitar a disposição inadequada de resíduos, essas iniciativas reduzem emissões de CO₂ em cerca de 150 kt/ano, contribuindo para as metas do Acordo de Paris firmadas por Minas Gerais.

A Visão do Especialista

O caminho para a competitividade sustentável em Minas passa pela integração de políticas públicas, tecnologia de ponta e parcerias estratégicas. O próximo passo será a padronização de certificações de circularidade, facilitando o acesso a mercados internacionais e ampliando a escala das soluções locais.

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