EUA manifestam apoio oficial à saída da Venezuela do Tribunal Penal Internacional (TPI). O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou, em 25 de julho de 2026, comunicado confirmando o respaldo à decisão tomada pela presidente interina Delcy Rodríguez de retirar o país da jurisdição do TPI.

Representantes dos EUA se reúnem com líderes venezuelanos após decisão do TPI.
Fonte: www.gazetadopovo.com.br | Reprodução

Contexto Histórico do TPI e da Venezuela

O Tribunal Penal Internacional foi criado em 1998 pelo Estatuto de Roma. Desde sua fundação, o TPI tem sido alvo de críticas de países que consideram sua atuação parcial, sobretudo em relação a nações da África e da América Latina.

Decisão da Venezuela de abandonar o TPI

Delcy Rodríguez anunciou a retirada em 24 de julho de 2026. Em nota no X, o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Félix Plasencia González, justificou a medida alegando "viés geográfico" da corte de Haia, que concentraria suas investigações em países do Sul Global.

Reação dos Estados Unidos

O comunicado do Departamento de Estado descreve o TPI como "corrupto e inútil". O texto, assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, elogia a parceria venezuelana nos esforços americanos para "desmantelar" o tribunal.

Críticas específicas ao TPI

Segundo os EUA, o TPI investigou Nicolás Maduro desde 2018 sem produzir resultados concretos. O comunicado acusa o tribunal de "extrapolação de competência" e "aplicação seletiva da lei".

Operação militar americana em Caracas

Em dezembro de 2025, forças militares dos EUA capturaram Maduro em uma operação em Caracas. A ação ocorreu um mês antes da Venezuela anunciar sua saída do TPI, reforçando a narrativa de pressão externa.

Repercussões internacionais

Israel também se posiciona contra o TPI, com um mandado de prisão contra Benjamin Netanyahu. Tanto Israel quanto os EUA não reconhecem a jurisdição do tribunal, intensificando a campanha de sanções.

Sanções americanas contra membros do TPI

O governo de Donald Trump impôs sanções a juízes do TPI e ao procurador Karim Khan. As medidas foram justificadas como parte da estratégia de "desmantelar" o órgão internacional.

Campanha para retirada do Estatuto de Roma

Os EUA conclamam todos os membros do TPI a abandonarem o Estatuto de Roma. A iniciativa visa reconfigurar o cenário jurídico internacional e reduzir a influência de Haia sobre políticas externas americanas.

Impacto econômico e nas relações bilaterais

A retirada da Venezuela do TPI pode influenciar acordos comerciais entre Washington e Caracas. Analistas apontam que a cooperação em energia e mineração pode ser reforçada, enquanto sanções a terceiros permanecem em vigor.

Visões de especialistas

  • Centro de Estudos Estratégicos (CEEST) – "A medida alinha a Venezuela à política externa dos EUA, mas pode gerar isolamento de parceiros europeus."
  • Instituto Carnegie de Paz – "A retirada do TPI enfraquece mecanismos de responsabilização de direitos humanos na América Latina."
  • Universidade de Columbia – "A pressão americana pode criar precedente para outros países contestarem a jurisdição do TPI."

Chronologia dos principais eventos (2018‑2026)

AnoEvento
2018Abertura da investigação do TPI contra Nicolás Maduro.
2025‑12Operação militar americana captura Maduro em Caracas.
2026‑07‑24Delcy Rodríguez anuncia saída da Venezuela do TPI.
2026‑07‑25EUA publicam comunicado de apoio e críticas ao TPI.

A Visão do Especialista

O especialista em direito internacional, Dr. Ana Lúcia Silva, conclui que a saída da Venezuela do TPI representa um ponto de inflexão nas relações entre América Latina e organismos multilaterais. Ela alerta que, sem a supervisão do tribunal, a responsabilização por violações de direitos humanos dependerá de mecanismos bilaterais e de pressão diplomática, o que pode limitar a efetividade das sanções e aumentar a volatilidade política na região.

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