Os Estados Unidos confirmaram nesta quinta‑feira (23) a imposição de uma nova tarifa de 12,5 % sobre as exportações brasileiras, vigorizando a segunda rodada de sanções comerciais da Seção 301.

Entenda a nova tarifa de 12,5 % dos EUA
O USTR (Office of the United States Trade Representative) justificou a medida como resposta à falta de combate ao trabalho forçado no Brasil. A decisão integra a lista de 60 parceiros comerciais que sofrerão aumentos tarifários entre 10 % e 12,5 %.
Contexto histórico e legal

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 autoriza o governo americano a impor medidas corretivas contra práticas comerciais desleais. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA anulou a tarifa global de 10 % imposta por Trump, mas o USTR reativou sanções setoriais.
Tarifas por país
Além do Brasil, outras economias foram classificadas com diferentes percentuais. O quadro abaixo resume as alíquotas anunciadas.
| País | Tarifa adicional |
|---|---|
| Argentina | 10 % |
| Canadá | 10 % |
| União Europeia | 10‑12,5 % |
| Brasil | 12,5 % |
| Japão | 10‑12,5 % |
Reação do governo brasileiro
O Brasil rejeitou a medida e acionará a Lei da Reciprocidade, prevista no Congresso e no mecanismo de solução de controvérsias da OMC. A Secretaria de Comunicação da Presidência informou que os trâmites já foram iniciados.
Posicionamento do Ministério da Fazenda
O ministro Dario Durigan classificou a tarifa como "injustificada" e "mero expediente" de Trump. Em entrevista à BandNews, Durigan ressaltou que a ação visa substituir a tarifa de 10 % que havia sido derrubada pela Corte.
Impacto nos setores exportadores
Segundo a Amcham Brasil, cerca de 3 mil produtos, equivalentes a US$ 12,5 bi anuais, podem ser afetados. Destes, 85,3 % (US$ 10,7 bi) sofrerão tarifas cumulativas de 37,5 % após a soma das medidas de 25 % e 12,5 %.
Produtos possivelmente isentos
Especialista Welber Barral indica que café, carne, minerais e alguns químicos permanecem fora da nova cobrança. A lista de isenções da primeira rodada foi ampliada de 1,7 mil para mais de 2,1 mil itens.
Cálculo das sobretaxas
Para os itens não isentos, a tarifa efetiva sobe para 37,5 %, um dos patamares mais altos aplicados pelos EUA. Essa combinação eleva o custo de exportação e reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte‑americano.
Repercussão no mercado financeiro
Após o anúncio, o real depreciou cerca de 0,8 % frente ao dólar, e ações de empresas exportadoras registraram queda média de 2 %. Analistas apontam risco de retração nas vendas de commodities e bens manufaturados.
Opiniões de especialistas internacionais
Monica de Bolle, do Peterson Institute, alertou que o Brasil não pode permanecer inerte, sob pena de perder influência nas negociações. Ela destaca que a Argentina já obteve tarifa de 10 % e lista de exceções.
Cronologia dos eventos
- Fev/2026 – Suprema Corte dos EUA derruba tarifas de 10 % impostas por Trump.
- 22/07/2026 – USTR anuncia tarifa adicional de 25 % sobre mais de 3 mil produtos brasileiros.
- 23/07/2026 – Confirmação da tarifa de 12,5 % contra o Brasil, com vigência imediata.
- 24/07/2026 – Governo brasileiro declara rejeição e inicia procedimentos da Lei da Reciprocidade.
Perspectivas jurídicas
O Brasil pode levar o caso ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, buscando anular a medida sob alegação de violação de normas comerciais. O processo pode se estender por anos, enquanto negociações bilaterais permanecem tensas.
A Visão do Especialista
Especialistas concordam que a tarifa de 12,5 % intensifica a pressão sobre a balança comercial Brasil‑EUA. O próximo passo provável será a abertura de uma disputa na OMC, combinada com esforços diplomáticos para renegociar exceções setoriais. Enquanto isso, exportadores devem rever estratégias de preço, buscar mercados alternativos e monitorar a evolução das políticas tarifárias americanas.
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