Famílias bilionárias brasileiras mantêm mulheres afastadas das decisões patrimoniais, apesar de sua participação nos benefícios financeiros. O levantamento da Mardô Family House, divulgado em 07/06/2026, revela que 87% das esposas ou herdeiras não atuam nas estruturas de governança, investimento e sucessão dos ativos familiares.

O panorama das famílias de altíssimo patrimônio no Brasil
O conceito de UHNW (Ultra‑High‑Net‑Worth) ganhou relevância nas duas últimas décadas. Historicamente, a concentração de riqueza nas famílias patriarcais limitava a presença feminina a papéis de apoio, sem acesso a informações estratégicas.
Nas últimas gerações, a educação financeira feminina tem avançado, porém ainda não se traduz em poder decisório. A transição de ativos entre gerações tem sido marcada por práticas conservadoras que excluem as mulheres das mesas de decisão.
O estudo analisou 80 clãs empresariais, totalizando mais de R$ 200 bilhões em ativos. Cada família média possui cerca de R$ 2,5 bilhões, oferecendo um universo representativo para compreender a dinâmica de governança familiar.

Dados do levantamento da Mardô Family House
87% das mulheres em posição de herdeira não participam das decisões estratégicas. Esse número foi obtido por meio de entrevistas aprofundadas, análise de documentos societários e questionários aplicados a membros das famílias.
Mais de 53% relataram perdas patrimoniais ou exploração por terceiros devido à falta de envolvimento. A vulnerabilidade se manifesta em decisões de investimento, reestruturações societárias e planejamento sucessório.
Os impactos financeiros são expressivos: estimativas apontam prejuízos acumulados superiores a R$ 3,2 bilhões entre as famílias estudadas.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Famílias analisadas | 80 |
| Patrimônio total (R$) | 200 bi |
| Participação feminina nas decisões | 13% |
| Casos de perdas patrimoniais | 53% |
| Prejuízo estimado (R$) | 3,2 bi |
Contexto global e projeções de patrimônio feminino
A transferência global de riqueza está projetada em US$ 83 trilhões nos próximos 20‑25 anos. Esse fluxo eleva a importância da inclusão feminina nos processos de governança.
Estudos internacionais apontam que as mulheres podem controlar até 47% dos ativos investíveis na Europa até 2030. Nos EUA, a projeção é de herdar US$ 40 trilhões até 2048.
No Brasil, porém, a discrepância entre titularidade e participação efetiva persiste. As herdeiras recebem cotas patrimoniais, mas permanecem excluídas das decisões estratégicas que moldam esses ativos.
Desafios de governança e sucessão
A falta de preparo técnico e de acesso a informações cria um ciclo de dependência. Muitas mulheres delegam poder a maridos, irmãos ou executivos, sem compreender plenamente os riscos associados.
Especialistas apontam que a cultura de exclusão econômica se reforça entre as gerações Z. A ausência de modelos femininos de liderança dentro das famílias perpetua a marginalização.
Márcia Dolores, fundadora da Mardô, destaca que "a ausência de preparação patrimonial feminina atravessa gerações". Segundo ela, a solução requer educação contínua e estruturas de governança inclusivas.
Estratégias recomendadas para inclusão feminina
- Implementar programas de educação patrimonial voltados para mulheres de famílias UHNW.
- Estabelecer comitês de governança familiar com cotas mínimas de participação feminina.
- Adotar plataformas digitais de transparência que facilitem o acesso a informações financeiras.
- Contratar consultores especializados em sucessão que considerem a equidade de gênero.
Essas medidas visam reduzir o risco de perdas patrimoniais e fortalecer a continuidade dos legados familiares.
A Visão do Especialista
O cenário indica que a exclusão das mulheres das decisões patrimoniais representa um risco sistêmico para a estabilidade dos grandes patrimônios brasileiros. A tendência global de aumento da participação feminina exige que as famílias ultra‑ricas adotem governança inclusiva, caso contrário enfrentarão perdas financeiras e desafios sucessórios. Investir em capacitação, transparência e políticas de igualdade de gênero será decisivo para garantir a preservação e o crescimento dos legados nas próximas décadas.
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