A Fifa está estudando a possibilidade de ampliar a Copa do Mundo para 64 seleções, reacendendo um debate sobre os limites de crescimento do torneio. A proposta foi mencionada pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, durante uma entrevista à televisão suíça na Copa de 2026. Segundo o dirigente, o objetivo seria tornar o evento mais inclusivo e acessível a nações com menos tradição no futebol internacional.

Uma história de expansões: do exclusivo ao global

Desde sua criação em 1930, a Copa do Mundo passou por diversas mudanças de formato. Inicialmente com 13 seleções, o torneio expandiu para 16 em 1934, 24 em 1982 e 32 em 1998. Mais recentemente, em 2026, o número saltou para 48 participantes. Agora, o possível aumento para 64 seleções representaria um salto de 100% em menos de 30 anos, consolidando a competição como um evento de escala verdadeiramente global.

Impactos no calendário e na qualidade técnica

Uma eventual expansão para 64 times exigiria uma alteração significativa no calendário internacional. A edição de 2026 já contará com 104 partidas em mais de cinco semanas. Com 64 equipes, o número de jogos subiria para 128, demandando um torneio ainda mais longo ou um cronograma mais apertado, com menos descanso para os jogadores.

Especialistas alertam que o aumento de participantes pode diluir a qualidade técnica do torneio. Segundo Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, as eliminatórias perderiam relevância e seleções com menos tradição entrariam na competição sem condições reais de competir em alto nível.

Infraestrutura e desafios logísticos

A ampliação para 64 seleções também traria desafios logísticos consideráveis. Seriam necessários mais estádios, centros de treinamento, acomodações e transporte. Países-sede como a Arábia Saudita, que receberá a Copa de 2034, teriam de revisar completamente seus planejamentos.

De acordo com projeções iniciais, uma Copa com 64 times exigiria pelo menos 20 cidades-sede, além de investimentos massivos em tecnologia e segurança para atender às demandas de torcedores, delegações e imprensa.

O impacto financeiro: custos e receitas

Embora a expansão possa gerar receitas adicionais para a Fifa por meio de venda de ingressos, direitos de transmissão e patrocínios, também aumentaria os custos para as federações participantes. A Federação Francesa de Futebol, por exemplo, revelou que gastou 24,5 milhões de euros na Copa de 2026 e precisaria de mais recursos em um formato ampliado.

Dirigentes sugerem que a Fifa amplie a premiação e o auxílio financeiro às seleções para cobrir os custos adicionais, especialmente para países de menor poder econômico.

Jogadores e clubes: a sobrecarga do calendário

O aumento do número de jogos preocupa entidades como a Fifpro, que representa jogadores profissionais ao redor do mundo. Atletas já enfrentam temporadas exaustivas, com mais de 60 jogos por ano em clubes e seleções. Uma Copa do Mundo mais longa poderia agravar o desgaste físico e reduzir o tempo de recuperação entre temporadas.

Clubes europeus, que concentram os principais atletas, também se opõem à expansão. Eles argumentam que o excesso de jogos compromete o desempenho de seus jogadores e reduz o tempo disponível para competições domésticas.

Os argumentos a favor da expansão

Por outro lado, defensores da ideia, como o próprio Infantino, apontam que uma Copa com 64 seleções ofereceria oportunidades para mercados emergentes. Países da Ásia, África e América Central teriam mais chances de participar, o que pode impulsionar o desenvolvimento do futebol nessas regiões.

Além disso, a inclusão de mais seleções pode aumentar o engajamento global, atraindo novos torcedores e ampliando a audiência televisiva, especialmente em mercados ainda pouco explorados.

Reações das confederações continentais

A proposta gerou reações mistas entre as confederações. Enquanto dirigentes da Uefa e da Confederação Asiática de Futebol demonstraram preocupação, outras entidades, como a Conmebol, ainda não se manifestaram oficialmente. O debate reflete as diferentes prioridades e desafios enfrentados por cada região.

Entre os críticos, o principal argumento é que a expansão pode comprometer o equilíbrio competitivo, transformando a fase de grupos em um torneio previsível e menos emocionante.

Comparativo: formatos da Copa do Mundo

Formato Seleções Duração Partidas
1930-1978 16 3 semanas Até 32
1982-1994 24 4 semanas 52
1998-2022 32 4 semanas 64
2026 48 5 semanas 104
Proposta 64 64 6 semanas? 128

A Visão do Especialista

A possível ampliação da Copa do Mundo para 64 seleções representa um marco de inclusão, mas também um desafio técnico e logístico sem precedentes. Como analista, vejo a necessidade de encontrar um equilíbrio entre expansão e qualidade. A Fifa deve priorizar não apenas o aumento de participantes, mas também a manutenção do alto nível que tornou o torneio um símbolo de excelência esportiva.

O futuro da competição dependerá de um debate aberto e transparente, envolvendo todos os atores do futebol global. Enquanto isso, cabe aos torcedores e especialistas acompanhar de perto essas transformações e seus impactos no esporte mais popular do mundo.

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