Filha de sete anos da PM Gisele Alves Santana receberá a pensão de dependente a partir de 8 de abril, um mês após o pedido. O benefício, previsto na Lei Complementar 1.354/2020, foi autorizado pelo Instituto São Paulo Previdência (SPPrev) após intensa pressão social.

O crime que motivou a ação judicial foi classificado como feminicídio qualificado. Gisele, policial militar de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, em 18 de fevereiro de 2026, e o marido, tenente‑coronel Geraldo Leite Rosa Neto, tornou‑se réu.

O inquérito revelou evidências de violência e manipulação da cena, afastando a hipótese de suicídio. Laudos periciais apontaram disparo com arma encostada na cabeça da vítima e marcas de agressão no rosto e pescoço.

Qual a base legal para a pensão da menor?

A Lei Complementar 1.354/2020 garante pensão a dependentes menores de 18 anos de servidores falecidos. O pedido foi protocolado em 6 de março, com prazo legal de 120 dias para análise, o que inicialmente apontava para pagamento apenas em julho.

O SPPrev, entretanto, acelerou a tramitação e informou que o primeiro pagamento será incluído na folha de 8 de abril. O órgão destacou que o procedimento envolve "validações administrativas e jurídicas próprias", distintas das usadas para aposentadorias.

O valor estimado para a criança é de um salário‑mínimo e meio, cerca de R$ 2.431,00. Esse montante será depositado mensalmente até que a menor alcance a maioridade ou outra condição de cessação.

Por que a aposentadoria do tenente‑coronel foi concedida tão rápido?

Geraldo Leite Rosa Neto obteve aposentadoria integral em menos de uma semana após o pedido. O cálculo, baseado em "critérios proporcionais de idade", garante vencimento próximo a R$ 20 mil mensais, apesar da prisão preventiva.

O advogado José Miguel da Silva Júnior denuncia tratamento desigual entre os dois casos. Enquanto a filha de Gisele aguarda meses, o oficial já recebe salário integral, gerando forte repercussão nas redes.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) instaurou um conselho de justificação que pode levar à demissão do tenente‑coronel. A instrução permanece válida mesmo após sua transferência para a reserva.

Como a sociedade tem reagido ao caso?

Manifestantes e organizações de direitos das mulheres cobram igualdade de tratamento. A pressão da opinião pública foi citada como fator decisivo para a antecipação do pagamento da pensão.

  • 18/02/2026 – Descoberta do corpo de Gisele Alves Santana.
  • 06/03/2026 – Protocolo do pedido de pensão da filha.
  • 18/03/2026 – Prisão preventiva de Geraldo Leite Rosa Neto.
  • 02/04/2026 – Transferência do oficial para a reserva.
  • 08/04/2026 – Primeira folha de pagamento da pensão.

Especialistas em direito previdenciário apontam que o caso pode servir de precedente para outros dependentes de servidores militares. A rapidez no pagamento pode incentivar revisões de prazos administrativos.

O que acontece agora?

O pagamento da pensão será depositado na conta indicada pelos responsáveis legais da criança a partir de 8 de abril. Paralelamente, o conselho de justificação analisará a conduta do tenente‑coronel, podendo culminar em demissão e perda de benefícios.

A família de Gisele aguarda o recebimento para garantir a subsistência da filha enquanto o processo criminal segue em julgamento. O caso permanece sob escrutínio da mídia e de organizações de direitos humanos.

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