Policiais civis de Gramado ainda aguardam que o Estado reconheça oficialmente o ato de bravura do inspetor Douglas Costa de Oliveira. O pedido surge quase sete anos depois do confronto com quadrilheiros que terminou com prisão, morte e resgate de reféns.

Em 1º de novembro de 2019, três assaltantes invadiram um sítio na Linha 28, em Gramado, sequestrando o proprietário e três empregados antes de fugir em um automóvel.

Durante a fuga, um policial civil foi atropelado e ficou com sequelas; os criminosos abandonaram o veículo com pneus furados e continuaram a pé pela mata.

Como se desenrolou o confronto?

Douglas Costa, então inspetor da DP de São Francisco de Paula, decidiu integrar a equipe de busca mesmo estando de férias. Ele atuou por três dias, enfrentou tiros e chegou a ser alvejado, mas manteve a missão.

O embate culminou com a morte de um dos assaltantes e a captura de dois demais, que em maio de 2025 foram condenados a 59 e 33 anos de reclusão.

Sete agentes e um delegado receberam a Portaria de Louvor, porém o inspetor foi excluído da lista sem justificativa oficial.

Por que o reconhecimento ainda não foi concedido?

  • Data do incidente: 01/11/2019
  • Local: Gramado, Serra Gaúcha
  • Quantidade de assaltantes: 3
  • Vítimas: 1 policial ferido, 4 reféns resgatados
  • Sentenças: 59 e 33 anos

O sindicato Ugeirm tem acompanhado o caso e ingressou com ação judicial para garantir a honraria prevista em lei. O pedido baseia‑se no artigo que assegura o reconhecimento de atos de coragem.

Em depoimento, Costa afirma: "Fui alvo de tiros, sofri tentativa de homicídio e participei do confronto que resultou na morte do bandido, mas não recebi nem uma simples portaria de louvor."

O que dizem as autoridades?

O delegado Heraldo Guerreiro, chefe de Polícia, reconhece que "o risco é parte inerente da profissão, mas quem arrisca a vida merece ser reconhecido".

Fábio Nunes Castro, vice‑presidente do Ugeirm, reforça que "todo policial que expõe a própria vida em defesa da sociedade precisa de reconhecimento institucional".

Especialistas em gestão pública apontam que a falta de reconhecimento pode gerar desmotivação e afastamento de agentes experientes.

Atualmente, o processo judicial tramita na Justiça do Trabalho e ainda não há previsão de decisão. Enquanto isso, Costa continua servindo na DP de São Francisco de Paula, aguardando a decisão final.

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