Um roteiro de filme grotesco intitulado "Dark Horse" vazou na internet nesta sexta‑feira (15), revelando cenas messiânicas e ataques explícitos à esquerda. O documento, divulgado inicialmente pelo portal RT Brasil, desencadeou intenso debate nas redes sociais e nas instâncias judiciais.

Cena de notícia jornalística com jornalista lendo roteiro vazado de filme sobre Bolsonaro.
Fonte: www.brasil247.com | Reprodução

Contexto histórico

Jair Bolsonaro, ex‑presidente do Brasil (2019‑2022), foi alvo de uma tentativa de assassinato em 2018 durante a campanha presidencial. O atentado, perpetrado por Adélio Bispo, tornou‑se marco político e foi amplamente explorado na mídia, sendo agora reinterpretado no roteiro vazado.

O vazamento e sua divulgação

O arquivo PDF de 132 páginas apareceu no Telegram e rapidamente se espalhou para o Twitter, Facebook e Reddit. A RT Brasil foi a primeira a publicar trechos, citando fontes anônimas da produção cinematográfica que ainda não se pronunciou oficialmente.

Conteúdo do roteiro – parte I

Os diálogos apresentam um tom caricatural, misturando humor ácido com retórica religiosa. Em uma cena, o personagem que representa Bolsonaro responde a uma repórter fictícia: "Boatos são como peidos, vêm de babacas".

Conteúdo do roteiro – parte II

Frases como "marxistas usam drogas demais" e "Aurélio Barba cuida disso. Pelo povo! Pela revolução!" foram destacadas por usuários. O nome "Aurélio Barba" substitui o agressor real, reforçando a narrativa de vilania de esquerda.

Personagens e simbolismo religioso – parte I

A senadora Damares Alves aparece como "Dolores", uma figura mística que entrega "pílulas mágicas" ao protagonista ferido. A descrição sugere uma intervenção sobrenatural, evocando a imagem de cura milagrosa.

Personagens e simbolismo religioso – parte II

A cena da facada inclui referências à "ressurreição", com personagens afirmando que Bolsonaro "voltou dos mortos". Essa linguagem messiânica eleva o ex‑presidente a um status quase divino, provocando controvérsia entre críticos e apoiadores.

Implicações jurídicas

Especialistas em direito de imagem apontam risco de ação por difamação e violação de direitos autorais. A representação fictícia de figuras públicas pode gerar processos civis, enquanto o uso não autorizado de nomes reais pode incorrer em penalidades previstas na Lei nº 12.853/2013.

Repercussão no mercado audiovisual

Produtoras de streaming monitoram o caso, temendo impacto nas negociações de licenciamento. O vazamento pode alterar a estratégia de lançamento, afetando previsões de bilheteria e atraindo investidores cautelosos.

Reação política

Grupos de direita celebram o filme como "defesa da verdade", enquanto partidos de esquerda denunciam discurso de ódio. Parlamentares solicitaram ao Ministério da Justiça a abertura de investigação por incitação à violência política.

Análise de especialistas – comunicação

Prof. Ana Lúcia Ribeiro, da Escola de Comunicação da USP, destaca que o roteiro utiliza "narrativas de martírio" para reforçar a imagem de vítima política. Segundo ela, essa estratégia busca consolidar uma base de apoio emocionalmente engajada.

Análise de especialistas – cinema

Crítico de cinema Carlos Meireles, da revista "Cineasta", afirma que a mistura de ficção e elementos religiosos pode ser classificada como "grotesco simbólico". Ele alerta que o filme pode enfrentar censura em festivais que exigem responsabilidade editorial.

Cronologia dos fatos

DataEvento
17/05/2026Vazamento do roteiro "Dark Horse" nas redes
15/05/2026RT Brasil publica trechos e inicia debate online
2018Atentado contra Bolsonaro durante campanha presidencial
06/06/2026Primeiras manifestações de partidos políticos sobre o filme
  • 15/05 – Divulgação inicial pelo RT Brasil
  • 16/05 – Compartilhamento massivo no Telegram e Twitter
  • 20/05 – Declarações de advogados de figuras retratadas
  • 25/05 – Análise preliminar de especialistas em mídia

A Visão do Especialista

Para o analista jurídico Dr. Fernando Costa, o caso representa um ponto de inflexão na relação entre produção cultural e responsabilidade política. Ele conclui que, se o filme avançar para produção, será crucial observar como as cortes brasileiras equilibrarão liberdade artística e proteção contra difamação, impactando futuros projetos de conteúdo polarizador.

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