O avanço do coral-sol no litoral de Guarapari, Espírito Santo, desencadeou uma operação emergencial para conter os impactos dessa espécie invasora nos ecossistemas marinhos locais. Identificado pela primeira vez na região em 2011, o coral-sol ameaça a biodiversidade, especialmente em áreas de proteção ambiental como a APA de Setiba e as ilhas Rasas e Escalvada.

Coral-sol: Uma ameaça silenciosa

Originário do Oceano Indo-Pacífico, o coral-sol (Tubastraea spp.) chegou ao Brasil incrustado em cascos de navios, principalmente petroleiros. A capacidade de proliferação rápida, aliada às suas larvas adaptadas a superfícies metálicas, favoreceu sua disseminação no litoral brasileiro.

Em Guarapari, os primeiros registros datam de 2013, no recife artificial Victory 8B, o maior da América Latina. Desde então, a espécie se expandiu, comprometendo a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos da região.

Impactos ecológicos e econômicos

O coral-sol é conhecido por sua capacidade de colonizar e dominar ecossistemas marinhos, reduzindo a diversidade de espécies nativas. Em áreas como a APA de Setiba, essa invasão ameaça peixes, moluscos e corais locais que são essenciais para o equilíbrio ambiental.

Além disso, há impactos econômicos. O turismo de mergulho, vital para Guarapari, pode ser prejudicado pela redução de espécies nativas e pela alteração dos habitats naturais. O avanço descontrolado também afeta a pesca artesanal, diminuindo a oferta de recursos marinhos.

A força-tarefa para conter a invasão

Desde 2015, o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) monitora a proliferação do coral-sol no Espírito Santo. Em 2023, observou-se um aumento significativo das colônias, possivelmente impulsionado por fenômenos climáticos que elevaram a temperatura do mar.

Com o avanço para áreas protegidas, o Iema estruturou uma força-tarefa com 14 mergulhadores treinados para a remoção das colônias. O treinamento foi liderado pela oceanógrafa Carolina Ferreira Candido, do ICMBio, e incluiu simulações práticas para garantir procedimentos padronizados e eficazes.

Métodos de remoção: Um trabalho meticuloso

O processo de retirada das colônias é meticuloso e altamente técnico. As colônias são isoladas em sacos plásticos para evitar a liberação de larvas durante o estresse. Posteriormente, são encaminhadas ao Parque Estadual Paulo César Vinha, onde permanecem submersas em água doce por cerca de seis horas antes de serem destinadas a aterros sanitários.

Até o momento, três expedições resultaram na remoção de 530 colônias, totalizando cerca de 18 kg de material invasor. A previsão é de realizar 22 operações até junho de 2026.

Monitoramento e estratégias de controle

O monitoramento contínuo é essencial para avaliar o avanço do coral-sol e sua resposta às medidas de contenção. O Ibama, em parceria com o Iema, desenvolveu estratégias rigorosas para garantir que o problema não se agrave.

Especialistas destacam que ações preventivas, como a inspeção de navios e o controle de espécies invasoras em portos, são cruciais para evitar novas introduções.

Comparativo: Remoção de coral-sol no Brasil

Local Ano do primeiro registro Ações realizadas Colônias removidas
Vitória, ES 2011 Monitoramento e remoção pontual Não divulgado
Guarapari, ES 2013 22 operações previstas até junho de 2026 530 colônias até abril de 2026
Rio de Janeiro, RJ 2000 Campanhas de remoção e conscientização Mais de 1.000 colônias

A importância da conscientização ambiental

A conscientização da população e dos setores econômicos é fundamental para o sucesso das ações de controle. Informar sobre os riscos das espécies invasoras e estimular práticas sustentáveis pode reduzir impactos futuros.

Campanhas educativas, como palestras e workshops, são ferramentas valiosas para envolver a comunidade local e garantir suporte às iniciativas dos órgãos ambientais.

A Visão do Especialista

O avanço do coral-sol é um alerta sobre os riscos das espécies invasoras nos ecossistemas marinhos. Segundo a bióloga Sandra Ribeiro, do Iema, "controlar a proliferação do coral-sol exige esforço contínuo e integração entre os setores público e privado".

Para o futuro, é essencial investir em mais pesquisas sobre os impactos climáticos e a biologia dessa espécie, além de fortalecer a fiscalização nos portos e embarcações.

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