Uma onda de frio intenso avança sobre o território brasileiro, colocando 228 cidades das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e até parte do Norte em estado de alerta devido ao risco de geadas e temperaturas extremamente baixas. O aviso, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), destaca o impacto da massa de ar polar que atinge o país, com temperaturas registradas entre 0°C e 3°C em algumas localidades.

O que está acontecendo?

Entre os dias 12 e 13 de maio de 2026, o Brasil enfrenta uma das ondas de frio mais intensas do ano. O destaque é a atuação de uma massa de ar polar de forte intensidade, que afeta principalmente a região Sul, mas cujos efeitos se estendem até o Norte e o Centro-Oeste. A previsão indica que o fenômeno deve persistir por mais alguns dias, com madrugadas geladas e formação de geadas em diversas áreas.

O alerta de "perigo potencial" do Inmet abrange 228 cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde as temperaturas podem cair abaixo de 3°C, favorecendo a formação de geadas. No Sudeste e Centro-Oeste, a queda acentuada das temperaturas também preocupa, especialmente em áreas serranas e de maior altitude.

Regiões mais afetadas pelo frio

Na região Sul, cidades como Urupema, na Serra Catarinense — já conhecida como a "Capital do Frio" no Brasil —, podem registrar temperaturas próximas de 0°C, enquanto Porto Alegre deve variar entre 9°C e 15°C. Curitiba, por sua vez, pode atingir mínimas de 4°C, segundo o Inmet.

No Sudeste, São Paulo e Minas Gerais estão entre os estados mais impactados. Cidades do interior paulista podem registrar temperaturas entre 0°C e 5°C, enquanto a capital, São Paulo, tem previsão de mínimas de 12°C. Áreas serranas do Rio de Janeiro e de Minas Gerais também devem registrar frio intenso.

Em regiões do Centro-Oeste, como o sul de Mato Grosso do Sul, há possibilidade de geadas, com temperaturas previstas de até 8°C em Campo Grande. Já no Norte, estados como Rondônia, Acre e o sul do Amazonas experimentam a "friagem", com termômetros marcando mínimas de até 15°C em Rio Branco, no Acre.

Impactos no setor agrícola

O fenômeno já causa apreensão entre os produtores rurais devido ao risco de perdas agrícolas, especialmente no Sul do país. A geada pode prejudicar culturas sensíveis como milho, feijão, café e hortaliças, que estão em fases cruciais de desenvolvimento nesta época do ano.

Segundo especialistas, geadas severas podem causar danos irreversíveis às plantações, comprometendo a produtividade e aumentando os custos para os agricultores. Além disso, a redução na oferta de produtos agrícolas pode gerar impacto direto na inflação, elevando os preços para o consumidor final.

O que é a geada e como ela se forma?

A geada é um fenômeno meteorológico que ocorre quando a temperatura do ar atinge 0°C ou menos, resultando na formação de cristais de gelo na superfície, como plantas e solo. Esse processo acontece principalmente durante madrugadas com céu limpo e baixa umidade, quando o calor é rapidamente perdido para a atmosfera.

Embora seja comum em regiões de clima temperado, a geada pode causar sérios danos ambientais e econômicos em áreas agrícolas. A exposição prolongada ao gelo pode destruir plantações inteiras, especialmente culturas tropicais que não são adaptadas a temperaturas tão baixas.

Histórico de ondas de frio no Brasil

O Brasil, embora conhecido por seu clima tropical, já enfrentou eventos significativos de frio extremo ao longo da história. Um dos mais marcantes ocorreu em 1975, quando uma intensa geada devastou plantações de café no Paraná, causando prejuízos econômicos que levaram anos para serem superados.

Nos últimos anos, com as mudanças climáticas, tem-se observado uma maior oscilação de eventos extremos, como ondas de frio intensas seguidas de períodos de calor acima da média. Esse padrão reforça a necessidade de monitoramento e adaptação, especialmente em setores vulneráveis como o agrícola.

Como se proteger do frio intenso?

  • Hidrate-se regularmente: Apesar do clima frio, o corpo ainda precisa de hidratação constante.
  • Use roupas adequadas: Prefira peças de lã ou materiais térmicos, e não se esqueça de agasalhar extremidades como mãos e pés.
  • Cuidado com aquecedores: Utilize aquecedores com segurança e evite deixá-los próximos a materiais inflamáveis.
  • Proteja pets e plantas: Animais de estimação devem ter abrigo adequado, e as plantas mais sensíveis podem ser cobertas com tecidos ou plásticos durante a madrugada.

Repercussões no mercado

A queda brusca nas temperaturas tem impacto direto no consumo de energia elétrica e gás. O uso de aquecedores e chuveiros elétricos aumenta significativamente, pressionando o sistema elétrico e podendo elevar tarifas.

No setor agrícola, o aumento no custo dos alimentos já é esperado, especialmente em hortaliças e grãos. Este aumento pode impactar a inflação e o poder de compra da população. Além disso, o setor de vestuário e itens de inverno, como cobertores e aquecedores, tende a registrar alta demanda.

A Visão do Especialista

De acordo com meteorologistas, as mudanças climáticas estão intensificando a ocorrência de eventos climáticos extremos, como ondas de frio e calor. Isso exige uma adaptação não apenas das cidades, mas também do setor agrícola e da infraestrutura energética do país.

Para a população, é essencial acompanhar as atualizações dos órgãos meteorológicos e tomar medidas preventivas para enfrentar o frio. O impacto econômico, por sua vez, reforça a necessidade de políticas públicas que protejam agricultores e consumidores em momentos de crise climática.

Com a previsão de que eventos extremos se tornem mais frequentes, especialistas alertam para a importância de investir em tecnologias agrícolas mais resilientes e em estratégias de adaptação climática. O monitoramento contínuo e o planejamento de longo prazo serão cruciais para minimizar os danos causados por fenômenos como este.

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