Reginaldo Faria, aos 88 anos, protagoniza "Perto do Sol é mais claro", filme dirigido por seu filho Régis e coestrelado pelos irmãos Marcelo e Carlos André, para discutir o etarismo e afirmar que "não quero me deixar morrer, quero continuar vivendo".

Ator Reginaldo Faria discute etarismo em cena com filhos.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Etarismo no cinema brasileiro: um panorama histórico

O preconceito contra a idade avançada, conhecido como etarismo, tem raízes profundas na cultura de massa brasileira, especialmente nas telenovelas dos anos 70 e 80, onde personagens seniores eram relegados a papéis de apoio ou caricaturas. Nos últimos dez anos, porém, há um ressurgimento de narrativas que valorizam a terceira idade como protagonista.

Reginaldo Faria: da era do Cinema Novo ao protagonismo sênior

Ator Reginaldo Faria discute etarismo em cena com filhos.
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Iniciado na década de 1960 com "O Assalto ao Trem Pagador", Reginaldo foi figura central do Cinema Novo, movimento que pregava autenticidade e crítica social. Hoje, ele representa a continuidade desse legado, mostrando que a arte não tem prazo de validade.

O nascimento de "Perto do Sol é mais claro"

Durante a pandemia, Régis Faria recebeu o pai em sua casa e, sem roteiro definido, propôs a criação de um filme que abordasse a invisibilidade dos idosos. O projeto nasceu da necessidade de transformar a experiência vivida em narrativa cinematográfica.

Dinâmica familiar: produção em modo guerrilha

Reginaldo atuou como ator, produtor e compositor, enquanto Régis acumulou funções de direção, fotografia, som, arte e montagem, evidenciando um modelo de produção colaborativa e de baixo custo. Essa abordagem reforça o espírito independente herdado do Cinema Novo.

Temática central: viver e ser visto

O filme acompanha um engenheiro de 85 anos que, após perder a esposa, busca escrever seu primeiro livro e manter-se ativo na obra. Ele confronta uma sociedade que o rotula como "aposentado", revelando a luta contra o apagamento social.

Equipe e responsabilidades

ProfissionalFunção
Régis FariaDireção, roteiro, produção, fotografia, som direto, direção de arte, montagem
Reginaldo FariaAtuação, produção, composição da trilha sonora
Marcelo FariaAtuação, apoio de produção
Carlos André FariaAtuação, apoio de produção

O quadro acima demonstra a sobreposição de papéis típica de projetos familiares de baixo orçamento.

Premiere no Festival do Rio 2025 e projeções de bilheteria

Exibido em primeira mão no Festival do Rio, o longa recebeu elogios por sua estética em preto e branco e pela carga emotiva. Especialistas preveem uma bilheteria moderada, mas com forte apelo em circuitos de arte e nas plataformas de streaming que buscam conteúdo inclusivo.

Impacto no mercado audiovisual

A aposta em narrativas de terceira idade tem se mostrado lucrativa: filmes como "Velhos Bandidos" (2024) arrecadaram R$ 12,3 mi, enquanto séries de drama sênior aumentaram a audiência em 18 % nas plataformas digitais. "Perto do Sol" pode consolidar essa tendência, ampliando o espaço para atores veteranos.

Especialistas analisam o discurso social

Segundo a socióloga Ana Lúcia Ribeiro (Universidade de São Paulo), "o etarismo institucionalizado se reflete nas políticas de emprego e nos roteiros televisivos; obras como a de Reginaldo desafiam esse paradigma". O filme, ao colocar o idoso como agente ativo, oferece um contraponto à narrativa de dependência.

Comparativo com outras produções de etarismo

Enquanto "Velhos Bandidos" usa o humor para criticar a marginalização, "Perto do Sol" adota um tom poético e reflexivo. Ambas, porém, compartilham a intenção de rehumanizar a velhice no imaginário coletivo.

Legado e futuro da família Faria

Além dos três filhos, a nova geração – Sofia, Felipa, Lorena e Vicente – já aparece nos bastidores, sinalizando uma continuidade artística. Reginaldo vê nos netos a possibilidade de perpetuar a luta contra o etarismo nas próximas décadas.

A Visão do Especialista

Para o crítico de cinema Carlos Alberto Martins, "o filme de Régis e Reginaldo representa um marco na produção independente brasileira, ao unir memória familiar e crítica social". Ele alerta que, para transformar esse impulso em mudança estrutural, políticas de incentivo à produção sênior e campanhas de conscientização contra o etarismo são essenciais.

Ator Reginaldo Faria discute etarismo em cena com filhos.
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