O governo espanhol classificou como "vergonhoso" o canto islamofóbico da torcida durante o amistoso contra o Egito. O incidente ocorreu na última quarta‑feira (01/04/2026) no Estádio Olímpico Lluís Companys, em Barcelona, como preparação para a última Data FIFA antes da Copa do Mundo de 2026.
O duelo, que terminou 2 a 1 para a Espanha, serviu como teste tático para a formação titular. O técnico Luís de la Fuente utilizou um esquema 4‑3‑3, com Lamine Yamal no ataque, e a seleção exibiu 58% de posse de bola e 12 finalizações, conforme a estatística da FIFA.
Durante o segundo tempo, torcedores entoaram cantos que atacavam a fé muçulmana dos egípcios e de Yamal. O sistema de som do estádio interrompeu a melodia e exibiu mensagem pedindo silêncio, mas o coro persistiu.
O ministro da Justiça, Félix Bolaños, condenou o ato como "extrema‑direita sem espaço e cúmplices do silêncio". Em comunicado oficial, destacou que "insultos racistas nos envergonham como sociedade".
Como o incidente se enquadra nas normas da FIFA?
O protocolo antidiscriminação da FIFA poderia ter sido acionado pelo árbitro. O regulamento prevê sanções para ofensas raciais, religiosas ou de identidade, mas o árbitro búlgaro Georgi Kabakov não solicitou intervenção.
Lamine Yamal, de 19 anos, foi alvo direto dos cantos. O jovem, nascido na Espanha de pai marroquino, já registrou 5 gols em 12 partidas pela seleção e segue praticando o Ramadã, o que aumentou a repercussão.
Incidentes semelhantes já marcaram estádios europeus, como o caso de 2023 na Turquia. Historicamente, a FIFA tem aplicado multas e jogos a portas fechadas quando há reincidência.
Qual a reação da federação e da polícia?
A RFEF divulgou nota nas redes sociais repudiando o comportamento dos torcedores. A entidade informou que encaminhará o caso à Comissão de Disciplina da FIFA para avaliação.
A Polícia Regional da Catalunha abriu investigação por "cânticos islamofóbicos e xenófobos". O inquérito poderá resultar em multas, proibição de acesso a estádios ou até processos criminais.
O ministro Bolaños alertou que a extrema‑direita não terá "espaço livre de seu ódio". A declaração reforça a postura do governo em combater a intolerância antes da Copa do Mundo, que a Espanha espera sediar partidas.
O que isso significa para a imagem da Espanha na Copa de 2026?
O episódio pode abalar a credibilidade da seleção perante a FIFA e o público internacional. Na tabela de classificação da UEFA, a Espanha ocupa a 2ª posição, mas a imagem de inclusão é tão valiosa quanto o desempenho tático.
- 01/04/2026 – Cânticos discriminatórios registrados no estádio.
- 02/04/2026 – Declaração oficial do governo e do ministro da Justiça.
- 03/04/2026 – Notificação da RFEF à Comissão de Disciplina da FIFA.
- Até 15/04/2026 – Conclusão da investigação policial catalã.
- Próximas semanas – Possível sanção da FIFA (multa ou jogo a portas fechadas).
Enquanto as autoridades analisam o caso, a seleção continua focada nos amistosos finais. O próximo confronto será contra a França, onde o técnico pretende testar variações táticas no meio‑campo.
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