O Brasil insiste em concluir seu primeiro submarino nuclear, apesar das pressões internas e externas, afirmando que não abrirá mão da tecnologia nem cederá a revelações de detalhes estratégicos.

Submarino nuclear brasileiro: defesa estratégica e tecnologia sensível em foco.
Fonte: www.bbc.com | Reprodução

O maior obstáculo hoje é financeiro, com a Marinha solicitando R$ 1 bilhão em março de 2026 para evitar a paralisação do programa que já consumiu cerca de R$ 40 bilhões desde 2008.

Os prazos foram revistos diversas vezes, passando de 2024 para 2037, conforme declarou o almirante Alexandre Rabello de Faria à BBC News Brasil.

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Por que o submarino nuclear é essencial para a defesa brasileira?

Com mais de 8 mil quilômetros de costa, o Brasil precisa de um ativo que garanta dissuasão e presença contínua nas águas internacionais.

A velocidade e autonomia de um propulsor nuclear superam em muito os submarinos diesel‑elétricos, reduzindo de 15 dias para apenas 3‑4 dias o tempo de resposta a ameaças costeiras.

O projeto prevê apenas torpedos convencionais, alinhado ao Tratado de Não‑Proliferação (TNP) e evitando a escalada nuclear.

Na fase atual, os engenheiros concentram esforços no Laboratório de Geração Nucleoelétrica (Lagene), em Iperó (SP), onde será testado o protótipo do reator e do sistema de propulsão.

Quais são os obstáculos internacionais que o projeto enfrenta?

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) exige um regime de inspeção rigoroso, que o Brasil teme expor tecnologias sensíveis.

Rabello rejeita a adesão a protocolos adicionais, afirmando que "o que compromete a defesa do Brasil não pode ser negociado".

Rafael Grossi, diretor‑geral da AIEA, pressiona por transparência, mas o Brasil busca equilibrar segurança nacional e cumprimento do TNP.

O cenário geopolítico – Ucrânia, Irã e a nova política dos EUA – eleva a relevância do submarino como elemento de dissuasão em um mundo cada vez mais instável.

Como o Brasil pode garantir a continuidade do programa?

Manter o fluxo orçamentário é crucial, e o governo tem estudado leis que assegurem o repasse anual de recursos ao programa.

  • 2020: Início da construção do primeiro submarino convencional da classe Riachuelo.
  • 2024: Rabello assume a DGDNTM e intensifica a busca por financiamento.
  • 2026: Pedido de R$ 1 bilhão para evitar paralisação.
  • 2028: Conclusão dos testes em terra no Lagene.
  • 2032: Instalação do reator no casco em Itaguaí.
  • 2037: Entrega prevista do primeiro submarino nuclear.

Com apoio político e a manutenção do orçamento, o Brasil pode superar os entraves e garantir que o submarino nuclear se torne realidade.

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