O Senado Federal pode votar a MP do Frete Mínimo ainda hoje (14/07/2026), após o governo afirmar ter chegado a um acordo com a oposição para ajustar trechos redacionais e evitar que a medida retorne à Câmara.

Contexto histórico da MP do Frete

A proposta foi publicada em março de 2026 e aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de junho do mesmo ano. Desde então, o texto tem sido objeto de intensas negociações entre Executivo, bancada governista e oposição.

Cronologia dos principais fatos

  • Março 2026 – Publicação da MP do Frete Mínimo.
  • Junho 2026 – Aprovação na Câmara dos Deputados.
  • 13/07/2026 – Randolfe Rodrigues anuncia acordo com a oposição.
  • 14/07/2026 – Possível votação no Senado (prazo final 16/07).

O acordo anunciado pelo governo

Randolfe Rodrigues (PT-AP) declarou que quatro ou cinco dispositivos serão alterados apenas por emenda de redação, sem mudar o conteúdo substantivo. Essa estratégia visa atender exigências do Senado sem reabrir o processo na Câmara.

Principal ponto de discórdia: perdão de multas

O perdão das multas aplicadas a caminhoneiros que participaram das manifestações de dezembro de 2022 foi mantido como "innegociável" pelo governo. O dispositivo foi inserido na Câmara e, segundo o líder do governo, será vetado pelo presidente Lula caso os senadores mantenham a anistia.

Implicações políticas e veto presidencial

Qualquer manutenção do perdão de multas exigirá veto presidencial, já que trata de competência exclusiva do chefe do Executivo. O presidente Lula ainda não se pronunciou oficialmente, mas a expectativa é de que o veto seja exercido.

Pressão da categoria dos caminhoneiros

A Abrava, representada por Wallace Landim, comunicou paralisações nos pontos de distribuição em Santos, sinalizando mobilização da categoria. A pressão busca garantir a efetividade do piso mínimo e a não anistia das sanções.

Posição do Ministério dos Transportes

George Santoro, ministro dos Transportes, reiterou à imprensa que a votação ainda hoje encerraria o impasse com os caminhoneiros. O ministro destacou a urgência para evitar novos conflitos no setor logístico.

Intervenção do relator Zé Trovão

O deputado Zé Trovão (PL-SC), relator da MP na comissão mista, já havia alertado sobre possíveis paralisações caso o perdão fosse mantido. Ele também propôs a redução das punições suspensivas para atender demandas do setor produtivo.

Principais dispositivos da MP

A medida estabelece um piso de custo mínimo para o frete, o cadastramento das viagens e a geração do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte). Empresas que não cumprirem o piso podem sofrer multas e suspensão do RNTRC.

Penalidades e cálculo das multas

Valor do piso mínimo (exemplo)Valor pago pelo contratanteDiferençaMulta (dobro da diferença)
R$ 1.000,00R$ 800,00R$ 200,00R$ 400,00
R$ 1.200,00R$ 950,00R$ 250,00R$ 500,00

As multas passam a ser calculadas como o dobro da diferença entre o valor pago e o piso estabelecido pela ANTT. Além disso, empresas com mais de quatro autuações em seis meses podem ter o RNTRC suspenso de 5 a 30 dias.

Repercussão no mercado de transporte

Analistas do setor apontam que a definição do piso mínimo pode elevar o custo logístico em até 3% no curto prazo. Transportadoras menores temem impactos na competitividade, enquanto grandes operadores veem a medida como estabilizadora de preços.

Visões de especialistas

O professor de Direito Administrativo, Dr. Marcos Almeida, ressalta que a estratégia de "emenda de redação" é comum para driblar o prazo de 120 dias das MP. Já a economista Ana Paula Ribeiro destaca que a anistia de multas poderia criar precedentes de impunidade fiscal.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista institucional, a aprovação da MP hoje evitará a perda de validade e permitirá ao Executivo avançar com a política de pisos mínimos, essencial para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos. Contudo, o veto ao perdão de multas pode gerar novo debate no Congresso, exigindo negociação adicional entre Executivo e Legislativo. O acompanhamento da implementação será crucial para avaliar efeitos reais sobre tarifas, competitividade e a estabilidade das negociações trabalhistas no transporte rodoviário.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos.