Mat Velloso, ex‑vice‑presidente de IA do Google, alertou que o Brasil pode "voltar para 1500" se não acelerar sua adoção de inteligência artificial nos próximos cinco anos.

Contexto histórico da tecnologia no Brasil

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Desde os anos 2000, o país tem sido reconhecido por talentos em software livre, mas ainda carece de investimentos maciços em infraestrutura de computação. O ritmo de criação de data centers ficou atrás da América do Norte e da Ásia, refletindo políticas de energia e incentivos fiscais insuficientes.

Um homem de meia-idade, provavelmente um ex-executivo da Google, fala sério em uma conferência de imprensa, com uma tela de computador ao fundo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br | Reprodução

A frase que ecoa: "Voltaremos a 1500"

"Se o Brasil não acelera junto, a gente volta para 1500", disse Velloso em entrevista à Folha, enfatizando o risco de regressão econômica e tecnológica. O alerta se baseia em projeções de IA que apontam ganhos de produtividade de até 40 % nos setores industriais.

Quem é Mat Velloso?

Com passagem por Microsoft, Google e Meta, Velloso liderou projetos de IA que geraram mais de US$ 5 bi em receita anual. Seu último cargo foi vice‑presidente de produtos de IA no Google, onde supervisionou a implantação de modelos de linguagem de grande escala.

Energia: o combustível da IA

Treinar um modelo como o GPT‑4 consome cerca de 1,2 GWh, equivalentes à energia anual de 100 mil residências. Sem energia barata e estável, data centers tornam‑se inviáveis economicamente.

Comparativo de capacidade energética

PaísCapacidade de geração (GW)Data centers operacionais
China2 500≈ 120
Estados Unidos1 200≈ 80
Brasil150≈ 12

O Brasil possui apenas 6 % da capacidade chinesa, limitando sua competitividade no mercado de IA.

Impacto direto nos data centers

Empresas como a Amazon e a Microsoft avaliam desistir de projetos no Brasil devido ao custo energético superior a US$ 0,20/kWh. Incentivos fiscais isolados não compensam a falta de energia renovável em larga escala.

Setores que podem ser transformados

  • Jurídico: automação de análise de contratos reduz tempo em 70 %.
  • Finanças: detecção de fraudes com IA gera economia de US$ 300 mi/ano.
  • Educação: tutores virtuais personalizam aprendizado, aumentando a retenção em 25 %.

Essas oportunidades só se materializam com acesso a GPUs de última geração e bases de dados locais.

Capacitação e soberania de dados

O "novo petróleo" são os datasets; sem legislação que garanta sua permanência no território nacional, empresas estrangeiras podem exportar o know‑how. Programas de mestrado em IA ainda são escassos, com menos de 200 vagas anuais no país.

China vs. Brasil: o plano de décadas

A China investiu US$ 30 bi em energia limpa e infraestrutura de computação desde 2015, criando um ecossistema de IA autossustentável. O Brasil ainda não definiu um roteiro nacional que una energia, educação e regulação.

Barreiras políticas e regulatórias

Projetos de lei sobre IA ainda tramitam no Congresso sem consenso sobre privacidade, responsabilidade e tributação. A falta de um marco legal atrasa acordos de transferência tecnológica com as big techs.

O ecossistema de startups como alavanca

Mais de 150 startups de IA surgiram no Brasil em 2025, atraindo US$ 400 mi em venture capital. Contudo, a maioria depende de servidores offshore, o que compromete a soberania digital.

Riscos de obsolescência tecnológica

Equipamentos de IA perdem metade de seu valor em menos de dois anos, exigindo renovação constante de hardware. Sem energia suficiente, até os investimentos mais agressivos tornam‑se inviáveis a longo prazo.

A Visão do Especialista

Para que o Brasil não regresse ao "século XVI digital", é imprescindível um plano integrado que priorize energia renovável, criação de parques de data centers e formação de talentos em IA. O governo deve articular políticas públicas, enquanto o setor privado precisa assumir a liderança em projetos de infraestrutura. Só assim o país poderá participar da nova economia global e evitar o retrocesso anunciado por Velloso.

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