Uma pesquisa recente realizada pelo BTG/Nexus entre os dias 22 e 24 de maio revelou que 40% dos brasileiros avaliam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como ruim ou péssimo, enquanto 37% consideram a gestão boa ou ótima. Outros 22% classificam o governo como regular e 1% não soube ou não respondeu. O levantamento foi feito por telefone com 2.045 eleitores e possui margem de erro de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04193/2026.

Comparação com pesquisas anteriores

Os números mostram uma leve melhora na avaliação positiva do governo em relação à pesquisa anterior, realizada em abril de 2026. Naquele mês, 43% dos entrevistados classificavam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 33% a avaliavam como boa ou ótima. Isso representa uma queda de três pontos percentuais na avaliação negativa e uma alta de quatro pontos percentuais na positiva. A classificação de regular manteve-se praticamente estável, oscilando de 23% para 22%.

Aprovação versus desaprovação

Os dados também apontam um cenário mais equilibrado no índice de aprovação. Atualmente, 48% desaprovam o trabalho de Lula, enquanto 47% aprovam. Outros 6% não se posicionaram. Em abril, a desaprovação era de 49%, contra 46% de aprovação, evidenciando uma redução na diferença entre os dois indicadores.

Percepção sobre a economia

A pesquisa revela uma melhora na percepção dos brasileiros sobre a economia do País. O percentual de entrevistados que avaliam a economia de forma positiva subiu de 33% em abril para 39% em maio. Por outro lado, o índice de pessimismo econômico caiu de 35% para 29%. Outros 31% acreditam que a situação econômica permanecerá igual.

Impacto do fim da "taxa das blusinhas"

Uma das medidas recentes do governo, que encerrou a tributação sobre compras internacionais de pequeno valor (até US$ 50), foi amplamente apoiada. Segundo a pesquisa, 73% dos entrevistados consideram a decisão correta, enquanto 15% acreditam que foi equivocada. A ação foi oficializada por meio de uma Medida Provisória (MP) em 13 de maio.

Endividamento e o programa Desenrola 2.0

Apesar da melhora na percepção econômica, os dados revelam um quadro preocupante em relação ao endividamento das famílias. Atualmente, 38% dos entrevistados afirmam não ter dívidas, enquanto 36% possuem compromissos financeiros em dia e 25% relatam dívidas em atraso há mais de 30 dias. Comparado ao levantamento anterior, houve uma redução na parcela de pessoas sem dívidas, que caiu de 41% para 38%.

O programa de renegociação de dívidas Desenrola 2.0 ainda enfrenta resistência. De acordo com o levantamento, 58% dos entrevistados afirmaram que não renegociaram nem pretendem renegociar suas dívidas por meio do programa. Por outro lado, 30% dizem que ainda não aderiram, mas têm intenção de fazê-lo, enquanto 6% já renegociaram débitos.

Condição financeira individual

Além da percepção geral da economia, o levantamento sugere uma leve melhora na avaliação da situação financeira individual. O percentual de entrevistados que avaliam positivamente sua própria condição financeira subiu de 31% para 34% entre abril e maio. A percepção negativa recuou de 22% para 20%, indicando uma tendência de otimismo cauteloso.

Comparativo de dados da pesquisa

Indicador Abril 2026 Maio 2026
Avaliação do governo como "ruim ou péssimo" 43% 40%
Avaliação do governo como "bom ou ótimo" 33% 37%
Percepção positiva da economia 33% 39%
Percepção negativa da economia 35% 29%

Repercussões no mercado e na sociedade

A melhora na avaliação do governo e na percepção econômica pode ter impactos diretos na confiança do consumidor e na retomada do crescimento econômico. No entanto, o cenário de endividamento persistente e a resistência ao programa Desenrola 2.0 indicam que desafios econômicos ainda permanecem. Especialistas apontam que o governo precisa intensificar políticas de inclusão financeira e educação econômica para reverter esse quadro.

A Visão do Especialista

Os resultados da pesquisa BTG/Nexus mostram uma recuperação tímida na avaliação do governo Lula e na percepção da economia, mas os números ainda apontam um país dividido. A redução na desaprovação e o aumento da aprovação indicam um possível impacto positivo das políticas recentes, como o fim da tributação sobre compras internacionais de pequeno valor. No entanto, o alto índice de endividamento e a desconfiança em relação ao programa Desenrola 2.0 destacam que o governo enfrenta desafios significativos para consolidar uma percepção mais positiva.

Com o avanço de medidas econômicas e sociais, o governo Lula tem a oportunidade de reverter o cenário de insatisfação, especialmente à medida que os resultados concretos dessas políticas forem percebidos pela população. A pesquisa BTG/Nexus, ao captar esses dados, serve como um termômetro valioso para entender os rumos que a administração pode tomar.

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