O governo federal publicou, nesta sexta-feira (29), um decreto que prorroga a isenção de impostos sobre o querosene de aviação (QAV) e o biodiesel até 31 de julho de 2026. A medida, que inicialmente expiraria no dia 31 de maio, faz parte de um pacote de ações para conter os impactos da alta dos combustíveis, intensificados pela guerra no Oriente Médio.

Contexto histórico: medidas para conter preços dos combustíveis

A prorrogação da isenção tributária integra um conjunto de ações anunciado em abril deste ano. O objetivo do pacote é amortecer os efeitos do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, que tem pressionado diretamente os custos dos combustíveis no Brasil. Segundo o Ministério do Planejamento, o custo total das medidas soma R$ 30,5 bilhões.

Entre os principais combustíveis afetados, destaca-se o querosene de aviação, que representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras. O setor já vinha enfrentando dificuldades devido ao reajuste de preços anunciado pela Petrobras em abril.

Detalhes do decreto e impacto no mercado

O decreto publicado na sexta-feira mantém a isenção de impostos sobre a venda e importação de querosene de aviação e biodiesel. Esta decisão busca evitar que os custos adicionais sejam repassados ao consumidor final, especialmente em um momento de instabilidade internacional.

De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a prorrogação do benefício não impactará as contas públicas. O governo espera compensar os custos por meio da arrecadação de impostos sobre o diesel e os royalties do petróleo, pagos por empresas que exploram reservas petrolíferas.

Por que o querosene de aviação é essencial para o setor aéreo?

O querosene de aviação é um insumo crítico para o funcionamento das companhias aéreas e tem peso significativo nos custos operacionais do setor. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a recente alta nos preços do QAV elevou sua participação nos custos operacionais das empresas para 45%, tornando o combustível um dos principais desafios econômicos para o setor.

Por outro lado, a prorrogação da isenção de impostos traz um alívio imediato para as empresas aéreas, que enfrentam margens de lucro reduzidas e pressões financeiras. A medida pode também representar uma chance de estabilização dos preços das passagens aéreas, beneficiando os consumidores.

Impactos econômicos e sociais da medida

Além de ajudar as companhias aéreas, a decisão afeta positivamente outros setores da economia. A logística, que depende de transporte aéreo e diesel, pode se beneficiar da redução de custos, especialmente em um cenário de alta global dos combustíveis.

Outro ponto importante é o impacto sobre os consumidores. A manutenção de preços mais baixos ajuda a controlar a inflação e evita que o aumento dos combustíveis repercuta em outros setores, como os de alimentos e transporte público.

Repercussões internacionais e a guerra no Oriente Médio

A guerra no Oriente Médio tem causado instabilidade nos mercados globais de petróleo, com alta nos preços do barril. Este cenário é resultado de tensões geopolíticas e incertezas em relação ao fornecimento de petróleo, que afetam diretamente países importadores como o Brasil.

O pacote de medidas do governo federal busca mitigar os efeitos dessa crise internacional no mercado interno, garantindo um certo grau de estabilidade econômica diante das adversidades externas.

Outras ações do pacote governamental

Além da prorrogação da isenção sobre o QAV e o biodiesel, o pacote inclui subvenções financeiras para reduzir os preços do diesel importado e do gás de cozinha (GLP). Estas medidas visam proteger os consumidores de aumentos desproporcionais nos preços dos combustíveis.

  • Redução de preços do diesel importado.
  • Subvenção para o gás de cozinha (GLP).
  • Compensação fiscal via arrecadação de royalties e tributos sobre o diesel.

Projeções para o futuro do mercado de combustíveis

Especialistas apontam que a prorrogação da isenção tributária é uma medida de curto prazo, mas que não resolve os desafios estruturais do setor de combustíveis no Brasil. A dependência do mercado internacional de petróleo e a volatilidade dos preços continuam sendo fatores críticos.

Além disso, há uma expectativa de que o governo explore alternativas sustentáveis, como biocombustíveis e energias renováveis, para reduzir a dependência de insumos fósseis. A longo prazo, essas estratégias podem oferecer maior segurança econômica e ambiental.

A Visão do Especialista

Para os especialistas em economia e energia, a prorrogação da isenção de impostos sobre QAV e biodiesel é uma medida estratégica para conter os impactos da crise internacional no curto prazo. Contudo, eles alertam que a sustentabilidade do setor de combustíveis exige um planejamento estrutural mais robusto, incluindo investimentos em fontes renováveis e políticas públicas voltadas para a diversificação energética.

Já para o setor aéreo, a medida é vista como um alívio necessário diante dos altos custos operacionais. No entanto, os analistas apontam que o mercado precisa de maior previsibilidade para planejar suas operações e garantir preços competitivos aos consumidores.

Com a prorrogação válida até julho, a expectativa agora recai sobre os próximos passos do governo em relação à política de combustíveis e os desdobramentos da situação geopolítica internacional.

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