O deputado estadual Hassan (PP) afirmou ter sido dispensado pela prefeita de Jaguaquara, Edione Oliveira (PT), após o reposicionamento político de seu padrinho e ex-prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP). A ruptura ocorreu após Zé Cocá decidir integrar a chapa de oposição liderada por ACM Neto (União), ex-prefeito de Salvador, nas eleições estaduais. Segundo Hassan, o rompimento foi motivado por pressões políticas que envolveram, entre outros nomes, o ex-ministro e atual senador Rui Costa (PT).
Contexto político da ruptura em Jaguaquara
A relação entre Hassan e Edione Oliveira teve início há cerca de quatro anos, quando ambos uniram forças em um esforço político que resultou em vitórias eleitorais significativas. No entanto, o cenário mudou drasticamente com a decisão de Zé Cocá, que deixou o cargo de prefeito de Jequié no início de abril de 2026 para se alinhar com a oposição ao governo estadual do PT.
O deputado Hassan justificou sua decisão de seguir ao lado de Zé Cocá, quem ele considera responsável por sua ascensão política. O movimento, no entanto, gerou um efeito dominó, culminando na decisão da prefeita Edione de encerrar a parceria política com o parlamentar, alegando pressões externas de figuras influentes dentro do PT.
A influência de Rui Costa e as pressões políticas
Segundo declarações do próprio Hassan, a prefeita Edione mencionou que a decisão de encerrar a aliança foi motivada por pressões vindas de líderes petistas, incluindo o ex-ministro e atual senador Rui Costa. O parlamentar afirmou que o PT estaria se articulando em municípios administrados por prefeitos aliados, como Jaguaquara, para enfraquecer sua base de apoio político.
Durante uma visita ao município de Maracás em 18 de abril, Hassan relatou que foi informado da exclusão de seu nome como apoiador de um evento de motociclistas, programado para maio em Jaguaquara. Ele interpretou essa ação como uma represália política em decorrência de sua escolha de permanecer ao lado de Zé Cocá.
Repercussões e impacto político
A decisão da prefeita Edione Oliveira de romper com Hassan gerou repercussões no cenário político regional. Jaguaquara, onde Hassan foi o deputado mais votado nas eleições de 2022, com mais de 8 mil votos, é considerada uma importante base eleitoral para o parlamentar. A perda desse apoio pode impactar sua estratégia para o fortalecimento de sua atuação política na região.
Por outro lado, a decisão de Zé Cocá de se aliar à oposição liderada por ACM Neto também é vista como um movimento significativo no tabuleiro político estadual. A mudança coloca em xeque alianças prévias e pode influenciar no comportamento eleitoral de outros atores políticos.
O papel de Zé Cocá na trajetória de Hassan
Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié e padrinho político de Hassan, desempenhou um papel central na construção da carreira do deputado. Sua decisão de compor a chapa de oposição foi determinante para que Hassan também mudasse de posicionamento político. O parlamentar destacou que essa escolha reflete sua lealdade e reconhecimento ao apoio recebido por Zé Cocá ao longo dos anos.
No entanto, a mudança também expôs Hassan a desafios significativos, incluindo a perda de alianças estratégicas, como a com a prefeita de Jaguaquara. A ruptura evidencia as complexidades das alianças políticas em períodos eleitorais, especialmente em estados como a Bahia, onde o cenário é tradicionalmente polarizado entre PT e União Brasil.
O cenário político na Bahia e suas implicações
A Bahia tem sido um dos principais redutos do Partido dos Trabalhadores (PT) no cenário político nacional, com Rui Costa ocupando por dois mandatos consecutivos o cargo de governador do estado. No entanto, o avanço de figuras como ACM Neto, que representa a oposição, tem desafiado essa hegemonia nas últimas eleições.
A decisão de Zé Cocá de se aliar à oposição é vista como uma tentativa de romper com o domínio histórico do PT no estado e reconfigurar o mapa político baiano. Para Hassan, no entanto, essa escolha teve um alto custo político, ao menos no curto prazo, com a perda de apoio em um dos principais municípios de sua base eleitoral.
Próximos passos de Hassan em Jaguaquara
Após o rompimento com a prefeita Edione Oliveira, Hassan sinalizou a possibilidade de buscar novas alianças políticas em Jaguaquara. Ele destacou que continuará trabalhando para levar benefícios ao município, independentemente de sua relação com a prefeitura.
O parlamentar enfatizou que já destinou emendas parlamentares significativas para a cidade durante seu mandato e afirmou que pretende manter o diálogo com lideranças locais para fortalecer sua presença política na região.
A Visão do Especialista
O rompimento entre Hassan e a prefeita Edione Oliveira é um reflexo das complexas dinâmicas políticas que antecedem grandes disputas eleitorais. Segundo especialistas, a decisão de Zé Cocá pode ser vista como um divisor de águas na política baiana, com potencial para influenciar alianças regionais e estaduais.
Para Hassan, o desafio será reconstruir sua base de apoio em Jaguaquara, um município estratégico para sua atuação parlamentar. Enquanto isso, a prefeita Edione parece optar por um alinhamento mais próximo ao PT, seguindo uma lógica de fortalecimento do partido em um momento crucial para as eleições estaduais.
O cenário político na Bahia, portanto, continua em transformação, com desdobramentos que prometem influenciar não apenas o estado, mas também o cenário nacional. Compartilhe essa reportagem com seus amigos e continue acompanhando as últimas atualizações sobre o tema.
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